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domingo, 16 de janeiro de 2011

L'ATTACHEMENT: LA BASE SÉCURISANTE DE L'ENFANT!

La théorie
(...)
Plusieurs approches en psychologie cherchent depuis longtemps à comprendre l'importance des premières relations affectives sur le développement socio-affectif (social = interactions sociales et affectif). À cet effet, Bowlby (1969, 1982), caractérise ce lien précoce par l'attachement et affirme qu'il repose sur des fondements biologiques. En outre, l'attachement jouit de propriétés motivationnelles (qui pousse à agir) comparables mais indépendantes de la satisfaction des besoins de boire, de manger ou des besoins sexuels (Bowlby, 1980). En fait c'est l'attachement qui a, en réalité, la fonction de fournir une base sécurisante à l'enfant. Cette façon de concevoir le lien unissant la mère et son nourrisson a changé considérablement le sens et la perception du rôle de la première relation affectueuse (Cummings, 1990).

Historique

Le cadre conceptuel de la théorie de l'attachement a commencé à prendre forme en 1948. Bowlby s'intéressait déjà à cette problématique mais c'est avec le soutien d'une subvention du Sir Halley Stuart Trust que Bowlby, aidé de Robertson, fait une enquête systématique sur l'ensemble de la problématique des effets de la séparation d'avec la mère pendant la petite enfance et de l'impact de celle-ci sur le développement ultérieur de l'enfant. Pour réaliser cet objectif, Bowlby et Robertson ont observé des enfants séjournant soit dans un hôpital soit dans une pouponnière. Ceux-ci étaient éloignés de leur parents pour une longue durée et n'avaient pas accès à un substitut maternel stable. Bowlby et Robertson ont observé que ces enfants (à partir de l'âge de six mois environ) vivaient de la détresse et que, plus le séjour s'allongeait, plus les troubles étaient considérables au retour dans le foyer d'origine. Ces troubles, étaient des réactions de protestation, de désespoir et de détachement. Ils en ont conclu que la perte de la figure maternelle pendant la période de la petite enfance est un événement déterminant dans l'établissement de la personnalité (Bowlby, 1969, 1973).

En 1950, l'ONU demande à Bowlby d'explorer la question de la santé mentale des enfants sans foyer. Bowlby conclut alors, qu'il est d'une part essentiel que les enfants aient accès à une relation chaleureuse, intime et continue avec leur mère ou avec un substitut maternel stable. D'autre part, il est aussi important que cette relation apporte de la satisfaction et de la joie pour la mère et l'enfant. Par conséquent, Bowlby considère que la perte de la figure maternelle est le principal agent pathogène (Bowlby, 1969).

Conséquences de la perte de la figure maternelle: 3 phases liés à la séparation
Deux observations communes aux deux recherches précédentes sont:
1) qu'il est important que les enfants aient accès à une figure maternelle stable;
2) qu'une séparation prolongée est un agent pathogène de premier ordre.

En outre, la séparation d'avec la figure maternelle engendre des réactions typiques qui dérivent de l'absence de la figure maternelle. Comme nous l'avons déjà mentionné, trois phases sont identifiables lors d'une séparation prolongée ou à de multiples séparations impliquant l'absence prolongée de la mère: la protestation, le désespoir et le détachement.

La première phase est la protestation. Habituellement, cette phase débute dès la séparation et peut se prolonger de quelques heures à plus d'une semaine. Au cours de cette phase, l'enfant manifeste vivement sa détresse et utilise toutes les ressources qui lui sont disponibles afin de retrouver sa figure d'attachement. Il pleure avec rage, se jette de tout côté, rejette l'aide extérieure qui s'offre à lui et est à l'écoute de tous les indices pouvant signifier le retour de sa mère.

La seconde phase, le désespoir, montre un enfant qui perd petit à petit espoir de retrouver sa figure maternelle. Ses pleurs sont monotones et intermittents et il devient retiré et inactif. C'est comme s'il vivait un deuil profond. Sa détresse est encore présente mais ne se manifeste pas activement comme à la phase précédente.

Enfin, la troisième phase consiste au détachement. Peu à peu, l'enfant semble réinvestir l'entourage. Il accepte l'aide d'autrui et se comporte bien socialement. En général, les personnes qui entourent l'enfant sont encouragées car ces signes semblent refléter la guérison. Toutefois, au retour de la mère, l'enfant ne montre aucun comportement caractéristique de l'attachement. Bien au contraire l'enfant se détourne de la mère sans en tenir compte (Bowlby, 1969, 1980). Ainsi, l'enfant détaché réagit comme si le maternage et le contact humain en général n'avait pas de sens pour lui. Enfin, l'enfant peut ne plus réagir à l'environnement, se centrer sur lui et démontrer une stabilité superficielle. Bref se détacher de la figure maternelle ou des gens.
(...)

FONTE: http://www.angelfire.com/


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domingo, 26 de dezembro de 2010

CARTA ABERTA AO MEU EX

Em época natalícia, sinto que te devo algumas palavras.
Em memória do tempo em que acreditávamos que nos amávamos.

Regra geral, o ex torna-se uma pessoa mal-amada.
Por vezes mesmo, odiada.

Eu não te odeio.
Odeio, isso sim, aquilo em que te tornaste.
Odeio o mal que me causaste, e que quase me levou à morte.

Em tempo algum te acreditei capaz de fazeres aquilo que me fizeste,
embora eu tivesse tido evidências de que o farias.

A nossa menina, que ainda era criança quando ainda a tinha nos meus braços,
hoje se tornou quase uma mulher.

Não me agrada a forma como às vezes ela fala.
(bem sei que são coisas da juventude)

Vejo-a um tanto ou quanto aérea.
(coisas da idade, eu sei)

Mas é uma miúda cinco estrelas, como dizia o meu bom amigo Pde Delfim.
O que faz de ti um pai cinco estrelas, creio eu.
Pelo menos nos momentos em que tu te fazes presente.

Eu estou aqui, longe dela.
Quando a revejo, ela já é outra.

É duro para uma mãe não ver um filho seu todos os dias.
Uma mãe, nestas circunstâncias, tem que achar outras formas de se fazer presente.

Nas vezes em que nos falamos, eis que a vejo ansiosa para me contar novas coisas de um certo rapaz, que ela diz ter apenas como amigo.

É nestes breves momentos que me sinto inteiramente mãe.
Os momentos em que a ouço, e lhe dou os meus conselhos.

Sinto que sou a única -mesmo que não o seja, mas sei que às vezes sou a primeira a saber- a quem ela confia aquilo que lhe vai na alma e no coração.

A nossa menina já não é mais uma criança.
Ela agora tornou-se uma mulher.

O seu destino já não me pertence mais.
Nem mesmo a ti ele pertence.

E se eu lhe digo que aquilo que for da vontade dela, eu farei por cumprir, julgo que tu, como pai, deves fazer igual.

Eu perdi a minha filha, no sentido em que deixei de poder tomar decisões quanto à sua vida. Mas nunca a perdi enquanto filha, e hoje eu sinto isso.

Tu ganhaste o direito de ter nas mãos o futuro dela.
Procura ser justo, ou perderás a filha.

Não faz sentido lutarmos pela nossa filha, como se fosse uma casa ou um carro. Bem sabes que ela continua a ter uma mãe, e eu não esquecerei nunca que ela tem um pai.

Por uma vez, sejamos verdadeiros pais.
Pelo amor que temos à nossa filha.

sábado, 20 de novembro de 2010

NO PRINCÍPIO ERA A MÃE. O PAI VEIO DEPOIS.

A cantora inglesa Lily Allen perdeu o seu bébé aos seis meses de gravidez. Esta é já a segunda vez que tal lhe acontece, embora na primeira tenha sido no ínicio da gestação.

Eu pergunto: quem é que está a sofrer mais esta perda, ela ou o companheiro?

Sem sombra de dúvidas que é ela.

Não estou a dizer que ele também não sofre, mas certamente que não na mesma intensidade que ela. Daqui a uns tempos, ele já terá esquecido. Ela não.

Pode até ser que ele estivesse a acompanhar de muito perto a gravidez da companheira, e quisesse mesmo estar presente na altura do parto, à semelhança do que fazem hoje muitos homens, mas nós sabemos que as alegrias e as tristezas (como neste caso) são vivenciadas com mais força por elas do que por eles. Não é difícil perceber porquê.


recados para orkut

Gostou de receber um recado de Mãe!? Mande um também.



O que eu não percebo é porque é que depois do nascimento, se ignora este facto, como se esse tempo -o da gravidez, do parto e os primeiros meses, havendo ou não amamentação- jamais tivesse existido! Se é certo que, à medida que o tempo passa, esse tempo vai ficando para trás, não é certo que ele tenha sido esquecido. Talvez por eles, pois que pouco ou nada lhes diz. Mas não por elas, que o viveram de facto.

Ainda que o cordão umbilical seja cortado no momento do parto, ele permanece para toda a vida. Significa que aquela mãe continua ligada àquele filho, e vice-versa. Fala-se de um cordão invísível, o que jamais será cortado.

Quando uma das minhas filhas faz anos, inevitavelmente eu penso no dia em que eu as pus no mundo. Que o pai esteja ou não, não faz diferença. A mãe, essa, não pode certamente faltar. Ela está sempre presente.Por isso, em cada aniversário, eu festejo também esse momento. Uma mãe nunca esquece.

É costume dizer-se que uma mãe sofre mais porque a sociedade a penaliza, considerando-a desmerecedora. É verdade que assim é, mas não sem razão.
É que a sociedade, ao contrário do pai, não esquece de que foi a mãe quem carregou os filhos, os pôs no mundo e os amamentou. Tal como qualquer outra fêmea da classe dos mamíferos. E, à semelhança do papel que estas têm para com as suas crias, espera que uma mãe se comporte da mesma forma. Se o papel biológico é o mesmo, porque há-de a mãe humana comportar-se de forma diferente para com as suas crias? A sociedade pode até trazer novos valores culturais, mas não esquece os naturais. Não há assim tantas diferenças entre nós e as outras fêmeas, como se pretende. Já Rousseau dizia que a sociedade é que nos corrompe, e não podia estar mais certo, pois, em busca da nossa identidade, nos afastamos mais e mais do que na verdade nós somos.

Das duas uma: ou a sociedade teria de ser cega, para não ver o evidente, ou tudo teria de mudar, coisa que se torna impossível, enquanto o homem for homem e a mulher for mulher. O que é é, e o que não é não é. Não há meio termo.

Se alguém quiser lançar culpas, que culpe então a Natureza. Por alguma razão ela assim determinou, dando a cada o seu papel. Se ela determinasse conforme a nossa vontade -ou melhor, os nossos caprichos- não estaríamos certamente aqui.

Portanto, enquanto a nossa natureza for aquilo que ela é, não me parece que um pai possa alguma vez sentir uma perda ou uma separação da mesma forma que sente uma mãe.

Não me passa pela cabeça dizer que um pai que sofre realmente se está a fazer de vítima.

Também não lembra a ninguém, tenho a certeza disso, de dizer a Lily Allen que não se faça de vítima, neste momento em que a sua dor ultrapassa (ou alguém ainda duvida disso?) a dor do companheiro. Alguém ousaria?!

Não percebo, então, porque ridicularizam as mães que sofrem, dizendo que se fazem de vítimas. Não entendo porque insistem em dizer que a dor do pai equipara-se à dor da mãe. É que não há comparação, meus senhores.

Um pai, o que o é verdadeiramente, sente dor, sim. Ninguém o nega.
Mas uma mãe, a que o é verdadeiramente, sente-a a dobrar.

Um pai, o verdadeiro pai, baba-se com as proezas do filho, mas não há quem se babe mais do que uma mãe! Quem me desmente?

E porquê?


Pela simples razão de que é a mãe que faz o pai, e não o contrário.
Eis a Verdade.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A LETRA ESCARLATE

Chamo, desde já, a vossa atenção para o final deste post. Não deixeis de o ler na íntegra, pois tem muito que se diga.

Em outros tempos, as mulheres Adúlteras usaram um A vermelho escarlate, bordado na roupa, para que o seu acto, tivesse ele acontecido ou não, fosse visível a todos.

Hoje, nestes novos tempos modernos, querem rotular-nos (as estatísticas apontam mais para a mulher) de Alienadoras. Só nos falta o A escarlate na testa. Há quem o veja.

As medidas propostas pelos movimentos de pais separados (eles, na sua maioria) têm como propósito punir quem quer que seja que apresente -mesmo tratando-se de uma suspeita- um comportamento "anormal". Advertências, multas, perdas do poder paternal e até mesmo a prisão, tudo fica registado na folha. Ganha-se cadastro.


Ser-se um(a) cadastrado(a) vem, sem dúvida, facilitar-nos a vida. Todos os nossos problemas e todas as nossas inquitações desaparecem. Para não falar do imenso orgulho que os nossos filhos sentirão em saber que somos tão bem compreendidos e tão bem aceites pela sociedade.

Em todos os tempos sempre houve mulheres acusadas de histeria, bruxaria e outras coisas mais. Muitas apodreceram na prisão, outras foram queimadas vivas.

O nosso século, dito de mentes muito superiores, não foge à regra. São XXI séculos de atraso.

Mas porque razão age o Homem assim?
Porque -digo-vos eu, e sabeis que não minto- a sociedade o aliena.

A ignorância do Homem não tem limites.

Aconselho-vos a ver este vídeo, e a encontrar as diferenças entre aquele tempo e o nosso, onde, dizem alguns, chegou o "avanço civilizacional". Não deixem de ver a continuação (vídeos 10-11-12-13-14 e o final). Vale mesmo a pena ver. Importa, sobretudo, reflectir. Haverá um final feliz, também para nós?



NOTA IMPORTANTE:

Nem de propósito!!! Escrevi hoje este post e quando, mais tarde, fui preencher um formulário que me é pedido, eis que deparo com uma questão a que, inevitavelmente, terei de responder! Para verdes.

16. Incarcération?
Si OUI, Nom et Adresse de l'établissement pénitenciaire:_________________
_________________________________________________________________________

Nº d'écrou:______________

Date d'entrée:/__/__/____
Date de sortie:/__/__/____


Confesso que já apanhei algumas multas (por mau estacionamento), mas nunca recebi ordem de prisão.
O que dirão aqueles (eu diria mais aquelas) que venham a ser encarcerados por algo que não fizeram, ou por algo que até fizeram por uma razão qualquer (na maioria das vezes, uma razão bem válida)?

E os filhos, como ficam nessa história?



Partilho convosco a resposta que o Leonardo me deu ontem, dia 2 de Novembro, no post ALIENAÇÃO PARENTAL: O OUTRO LADO DA QUESTÃO.

Leonardo Rodrigues disse...
quando saiu a lei de alienação parental, achei um grande avanço no judiciario, contudo esse modismo levou os advogados por qualquer motivo alegarem que a genitora está alienando as crianças. primeiro, sou homem e possuo guarda compartilhada de meus tres filhos. segundo minha nova companheira que tem duas filhas esta sendo acusada de alienação parental e eu de abuso sexual devido o pai impantar memórias falsas na menina de 4 anos. mesmo com todas as investigações realizadas, nada foi solicitado pela juiza e hj afastado de minha companheira ainda ela pode perder a guarda das crianças por esse motivo banal(modismo).
ja não swi mais a quem recorrer!

2 de Novembro de 2010 15:04

Hoje, dia 4 de Novembro, eis que me surge outra "feliz" coincidência: no canal 2, um programa intitulado "je sors de prison: vais-je pouvoir revivre en couple?"

Pas facil, bien sûr!
Un des messieurs nous disait qu'il avait passé presque toute sa majorité en prison et que, depuis, il avait du mal a accepter toute sorte d'autorité. Voilà un des problèmes. Pas le seul.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ABORTAMENTO ESPONTÂNEO E MORTE FETAL. COMO É QUE A MULHER SUPERA ESTA PERDA?...

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24.3.09
O abortamento espontâneo e a Morte Fetal




A gravidez é um momento especial na vida de uma mulher, uma experiência única para a mulher, para o seu companheiro e para a família em geral. Época plena de mudanças e descobertas de emoções e comportamentos até ai desconhecidos, novas identidades, novos significados existenciais e novos papéis.

Momento de gravidez é também gerador de novas exigências e necessidades afectivas em relação aos outros, em particular, ao filho, a quem a mulher se sente ligada desde o inicio por uma relação de dependência mútuo e progressiva.

Segundo a teoria de vinculação, o desenvolvimento de relações afectivas corresponde a um processo psicológico normativo, adquirido ao longo da evolução filogenética e fortemente enraizada no reportório humano.
A figura de vinculação é permanente fonte de segurança para a criança. Quando se sente ameaçada, busca protecção e conforto junto da mãe, revelando comportamentos de vinculação como o aproximar-se, o choro ou procura de contacto.

Tradicionalmente, prevalecia a ideia de que a ligação mãe-bebé é iniciada por altura do nascimento, no entanto, e contrariando a imagem da passividade psicológica da mulher grávida em relação ao feto, é hoje consensual que se começa a formar durante a gravidez uma relação afectiva ao bebé.

Muito antes do nascimento, existe uma forte união, a mãe sente o seu filho como fazendo parte de si e partilhando consigo uma história recheada de experiências e momentos únicos, vividos a um nível íntimo e exclusivo.

A ligação afectiva é fortalecida ao longo da gravidez em particular a partir do segundo trimestre, altura em que os movimentos fetais começam a ser percebidos.

Por vezes a gravidez não corre bem e surge um aborto espontâneo. A impossibilidade de conhecer um bebé que se amou muito pode ser um evento extremamente complicado para a mãe, pai e a família. Quando ocorre a perda de um bebé, surge um período de dor e sofrimento que a mulher tentará ultrapassar. A perda de um filho é um processo de traumático ligado á perda de um objecto de amor.

Enfrentar e ultrapassar um aborto é uma tarefa que coloca em causa o equilíbrio psicossomático da mulher. A maioria das mulheres que sofre de aborto espontâneo consegue ultrapassar a perda, sem sofrer de perturbações psicológicas associadas. Mas o aborto pode ser bastante traumatizante, gerando perturbações psicológicas como a depressão e a ansiedade.

As mulheres que sofreram aborto espontâneo são consideradas um grupo de risco e devem ser acompanhadas se existirem indícios de sequelas psicológicas desse aborto. Alguns dos sintomas apresentados anteriormente são normais no período inicial e fazem parte do processo natural de luto. No entanto, alguns destes sintomas permanecem durante muito tempo, afectando ou comprometendo o regresso à vida normal. Algumas mulheres sentem que jamais poderão ultrapassar a perda.

1. DEFINIÇÃO DE ABORTAMENTO E LUTO

Os diferentes tipos de perda

Morte perinatal
Por um período perinatal entende-se o período de tempo que decorre entre as 20 semanas de gravidez e os primeiros 7 dias após o nascimento.

Morte fetal
Como morte fetal entende-se a perda do bebé no último trimestre da gravidez in útero, englobando neste caso a perda do bebé durante o trabalho de parto.

Perda espontânea
Independentemente da causa médica subjacente, a perda espontânea da gravidez representa uma perda precoce, usualmente nas primeiras 12 semanas da gravidez, de forma repentina e inesperada.

Interrupção médica da gravidez (IMG)
As situações que determinam a IMG estão bem delineadas, do ponto de vista legal. Interrupção até ás 24 semanas de gravidez na presença de doença grave ou malformação congénita; interrupção até ás 16 semanas de gravidez, quando a gravidez resulta de um crime contra a liberdade e auto-determinação sexual (Lei nº 90/97 de 30 de Julho).

Reacções psicológicas

As reacções psicológicas a uma situação de abortamento são múltiplas e não estão relacionadas, linearmente, com o tempo de gestação. Dependem da motivação e desejo da gravidez, do investimento emocional nela depositado e na ligação com o bebé. No entanto, habitualmente, as perdas ocorridas no último trimestre têm maior impacto.

Apesar da variabilidade individual nas respostas emocionais, as mulheres que sofrem uma perda espontânea estão mais vulneráveis a apresentar tristeza, frustração, desapontamento, raiva (em relação às mulheres grávidas, aos médicos, aos maridos) e culpabilização (por acharem não ter tido os cuidados necessários).

São frequentes episódios depressivos em momentos significativos: na data prevista para o parto, em anos subsequentes na data do abortamento, numa próxima gravidez. Também são comuns as perturbações de ansiedade numa gestação subsequente.

Quando estas consequências emocionais se agravam ou perduram no tempo, não sendo resolvidas através dos recursos pessoais ou ainda, caso surjam abortamentos espontâneos repetidos, é necessária intervenção psicológica específica.

Quando estão razões estritamente médicas para a interrupção da gravidez, é possível perspectivar o sofrimento que o processo de decisão gera, sobretudo quando os movimentos fetais se fazem sentir e o nascimento do bebé é já perspectivado pelos pais, familiares e amigos.

Nas situações de IMG é possível que algumas mulheres experienciem arrependimento pelo acto cirúrgico, culpa pela morte do bebé e receio de não conseguir voltar a engravidar.




Artigo da responsabilidade da Dr" Sandra Cunha, Psicóloga especializada em Saúde e coordenadora do Dep. De Psicologia da APA

RECUSO-ME A SER BARRIGA DE ALUGUER!!!!!!!!!!!!!


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