sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"QUEM DÁ A VIDA MESMO É O HOMEM", DISSE ELE.

O homem é que dá a vida. A mulher só empresta a barriga.
Eis o que se conclui das palavras de um certo senhor. E estamos nós no século XXI!

Ora vejam:

"(...). Isto tem que acabar de vez. Não é porque a natureza disse que a mulher é quem irá gerar um filho em sua barriga que se tirará o direito do homem pelo simples fato de ñão ter sido ele quem a natureza escolheu para esta gestação, alem do mais, porque se tende a achar que porque um filho passa apenas 9 meses na barriga de uma mãe, que por isto todos os outros anos restantes de sua vida pertencerão somente a ela com maior direito ? Isto é injustiça. A mulher prover a gestação, mas uma vez fora do útero, o novo ser não precisa mais daquela "casca" que foi gerada, e nem a criança precisa ser penalizada pelo resto da vida apenas pelo fato de que a natureza é quem quis assim. Outra coisa que poucos talvez não tenham percebido. A mulher prover a gestação e cede o seu óvulo, que apenas contém o seu material genético, mas observem que quem dá a vida mesmo é o homem, pois é o espermatozóide que traz os movimentos. Observem que o óvulo não se mexe. A vida, esta troca de energia contínua que faz algo se mover, quem dar mesmo é só o homem atraves do seu espermatozóide. Este é o meu ponto de vista que deixo aqui e que faço questão de colocá-lo apenas para mostrar que a mulher não tem que se sentir com direito nenhum a mais que o pai, e ponto final. A disputa deverá ser sim, por bons comportamentos e conduta, que isto era o que a justiça deveria ver, e não somente quem pariu e cedeu a barriga apenas por 9 meses, pois já que é assim, a justiça deveria também considerar que quem dar a vida, movimento, mmesmo, é o homem e não amulher, então isto por si só se anulam estes dois fatos equilibrando-sos mutuamente. (...)"


Ora estas palavras vêm corroborar aquilo que Martin Dufresne (MD) disse em entrevista:

(...)
CST: Um dos depoimentos destacados pelos diretores do filme In Nomine Patris é o do deputado europeu Alain Lipietz, no qual ele chama atenção sobre o fato de os movimentos de pais reivindicarem seus DIREITOS sobre os filhos (e não seus DEVERES enquanto progenitores), argumentando que, no limite, trata-se de um regresso à velha condição patriarcal, centrada na noção de que os filhos ao homem pertencem. O que você acha desse argumento?

MD: As reivindicações desse tipo de movimento fazem da criança uma espécie de propriedade do pai, o que nos leva de novo à velha noção fantasmática de que embrião é uma simples extensão do pai colocada no ventre da mulher que se torna sua propriedade. Sim, essa na verdade é uma regressão quanto ao reconhecimento dos direitos das mulheres de controlarem seu próprio corpo, e poder-se-ia falar também do direito das crianças de não serem apropriadas como um bem que pertença a seu genitor. Em lugar da partilha desejada, que seria, em tese, justa, há muitos elementos de regressão essencialista e biologizante no discurso masculinista, elementos que são facilmente banalizados na psicologia popular e numa certa romantização do papel dos pais como figuras de autoridade, muito mais que de partilha eqüitativa.
(...)


Mas será que este senhor (o de cima) tem razão?
Talvez uma aulita de biologia nos venha ilucidar.

Ora cá vai então:

A reprodução é a capacidade de constituir descendência portadora de genes dos progenitores assegurando a renovação continua da espécie e a transmissão da informação genética de geração em geração.

A espécie humana, como a maior parte das espécies que existem no planeta Terra, reproduzem-se sexuadamente. Na reprodução sexuada ocorre a fecundação, com fusão de gâmetas, geralmente provenientes de dois progenitores diferentes, e formação de um ovo. Os descendentes são únicos, geneticamente diferentes entre si e dos progenitores.


Reprodução Humana

Na reprodução humana intervêm órgãos especializados que formam os sistemas reprodutores (feminino e masculino).



Sistema Reprodutor Feminino

O sistema reprodutor feminino é um conjunto de órgãos que asseguram a produção de óvulos e o desenvolvimento de embriões. Tem como funções básicas:

. Génese de gâmetas;

. Transporte dos gâmetas ao local de fecundação;

. Recepção do esperma;

. Desenvolvimento de novos seres.



Sistema Reprodutor Masculino

O sistema reprodutor masculino é constituído por órgãos que asseguram globalmente a produção de espermatozóides. Tem com funções básicas:

. Génese de espermatozóides e seu armazenamento;

. Produção de secreções que, com os espermatozóides, formam o esperma;

. Transporte e libertação de esperma;

. Copulação.

FONTE: http://www.notapositiva.com/pt/apntestbs/biologia/12_reprod_humana_man_fert.htm


Os senhores por acaso já ouviram falar em mitocôndrias? Não?
Pois eu vim a descobrir que as mitocôndrias são essenciais para a vida das células, pois que são elas que geram energia. Herdámo-las da MÃE. Muito raramente provêm do pai, sendo que mesmo nesses casos, prevalecem as mitocôndrias maternas.

Na generalidade, as paternas são eliminadas logo após a fecundação. Do espermatozóide apenas fica o seu núcleo. A mãe, para além do núcleo, fornece tudo o resto.

Na fusão de ambos os gâmetas, o masculino e o feminino, só lá ficam, portanto, as mitocôndrias maternas, o que faz com que tenhamos mais material genético provindo da mãe. Isso explica o facto de se ter encontrado a primeira mulher da raça humana, mãe de todos nós. E é por isso que cada um de nós deve, na busca pelo seu passado, seguir principalmente o rasto materno.

Quer isto dizer que o espermatozóide, uma das mais pequeninas células do corpo humano depende das mitocôndrias (que herdou da mãe) para viver e para se movimentar. Assim me parece.

Por seu turno, o óvulo, a maior célula do corpo humano, também contém em si mitocôndrias. E são elas que vão, de facto, garantir a vida da nova célula que se gera após a fecundação. O pai apenas transmite o seu material genético, que se irá juntar ao material genético da mãe.

Parece que as minhas conclusões não estão erradas!
Ora vejamos:

BIOLOGIA

QUESTÃO 1

OS ESPERMATOZÓIDES ESTÃO ENTRE AS CÉLULAS HUMANAS QUE POSSUEM MAIOR NÚMERO DE MITOCÔNDRIAS.

A) COMO SE EXPLICA A PRESENÇA DO ALTO NÚMERO DESSAS ORGANELAS NO ESPERMATOZÓIDE?

B) EXPLIQUE POR QUE, MESMO HAVENDO TANTAS MITOCÔNDRIAS NO ESPERMATOZÓIDE, DIZEMOS QUE A HERANÇA MITOCONDRIAL É MATERNA.

RESPOSTA:

A) A GRANDE QUANTIDADE DE MITOCÔNDRIAS TEM A FINALIDADE DE SUPRIR O ESPERMATOZÓIDE DA ENERGIA NECESSÁRIA PARA OS BATIMENTOS DO FLAGELO. É ATRAVÉS DOS MOVIMENTOS DO FLAGELO QUE O ESPERMATOZÓIDE SE LOCOMOVE.

B) A HERANÇA MITOCONDRIAL É MATERNA PORQUE APENAS AS MITOCÔNDRIAS PRESENTES NO ÓVULO FARÃO PARTE DA CONSTITUIÇÃO ESTRUTURAL DO ZIGOTO.
AS MITOCÔNDRIAS DO ESPERMATOZÓIDE ESTÃO LOCALIZADAS NA SUA PEÇA INTERMEDIÁRIA. DURANTE O PROCESSO DE FECUNDAÇÃO APENAS O NÚCLEO DO ESPERMATOZÓIDE PENETRA O ÓVULO.

FONTE: http://www.etapa.com.br/gabaritos/resolucao_pdf/gab_2004/01_unifesp/prova3/unifesp2004ce-b.pdf

Ora cá está: o espermatozóide não é nada sem as mitocôndrias, fonte de energia. Por seu turno, o óvulo também tem essas tais mitocôndrias.

Como as mitocôndrias do espermatozóide se perdem logo após a "fecundação", são as mitocôndrias do óvulo as responsáveis por garantir a vida dessa nova célula formada pela fusão dos núcleos de um (espermatozóide) e do outro (óvulo).

Logo, é de facto a mulher que garante e que dá a vida.
Sem quaisquer dúvidas.

Não esquecendo que as mitocôndrias vêm carregadas de material genético (o ADN mitocondrial).
Como as mitocôndrias do pai se perderam (quase garantidamente), temos nas mitocôndrias apenas o material genético da mãe.

Daí ser tão fácil identificar a primeira Eva (haveria outras mulheres no seu tempo, e mesmo antes, mas só o material genético dessa mulher chegou até nós).



Mas o trabalho da mulher não acaba aqui.

O corpo feminino segrega uma substância química (talvez as mitocôndrias, geradoras de energia,e presentes em todas as células do nosso corpo, sejam de novo responsáveis) que irá orientar os espermatozóides no seu árduo percurso.

Sem isso, e sem os batimentos da sua cauda -são as mitocôndrias que lhes dão energia para se moverem, relembro, e essas foram herdadas da mãe- os espermatozóides não chegavam lá.

Na verdade, essa substância age mais como um magnético, atraindo os espermatozóides para o óvulo.

Daí, talvez, esta piada:

Estrela - DestaquesPor que são necessários milhões de espermatozóides para fertilizar um único óvulo?
Porque os espermatozóides são masculinos e se negam a perguntar o caminho.






Frases e Mensagens - Frases Feministas




Para além disso, é a mulher que "escolhe" os espermatozóides que irão fertilizar o seu óvulo.

Significa isto que, apesar de ser o homem a determinar o sexo da criança, na verdade é a mullher quem tem 100% do contrôle.

Daí a razão (uma delas, se não a principal) de um casal só ter meninas, ou só ter meninos. Ou mesmo de ter um menino, e depois uma menina, ou vice-versa.

Foi o homem que assim quis?
Ou foi a mulher que, mesmo inconscientemente, assim decidiu?

Veja-se, por exemplo, o caso de Luis Figo e de David Bechkam: o primeiro é pai de três raparigas, o segundo de três rapazes.

Das suas uma: ou os espermatozódes XY (no caso de Luis Figo)e os XX (no caso de David Bechkam) não tiveram força para marcar, ou isto é obra das respectivas senhoras. A ver como se saem da próxima.


Portanto, quando o homem pensa que tem o contrôle da situação, na verdade é a mulher quem controla.

O que põe por terra certas expressões muito masculinas, tais como "eu comi a gaja!", já que foi o contrário.



Mas porque razão ainda prevalece a ideia de que é o homem que faz e que na mulher acontece?

Talvez por ainda prevalecerem termos como "fecundar" e "fertilizar" (que são de origem latina, e, portanto, prova de que vivia-se, então, numa sociedade patriarcal, em que se acreditava que o homem gerava um prolongamento de si na mulher, sendo dono e senhor quer desta quer da prole) e símbolos como seta para cima e cruz para baixo, que conferem ao homem um papel activo, de verdadeiro actor.

Ou pelo menos passam essa ideia, pois que ainda perdura essa crença e essa mesma atitude.

Eles, os homens, são a potência.
Eles fazem acontecer.

E nós, mulheres, meras barrigas de aluguer.
E pronto, acontece.

Ora, bem vistas as coisas, a autoria é de ambos.
Mas a mulher tem, indubitavelmente, maior participação.
Haja quem o negue.


Nove meses de gestação não são "apenas" nove meses.
SÃO NOVE MESES!

E ainda que, depois de nascer, o filho não mais precise da "casca", ele precisa, mais do que nunca, da mãe.






Entretanto, encontrei este texto muito interessante. Só lamento a tradução...


O ÓVULO E O ESPERMA: COMO A CIÊNCIA CONSTRUIU UM ROMANCE BASEADO EM PAPÉIS ESTEREOTÍPICOS MACHO - FÊMEA
Reprodução livre, em Português Brasileiro, do texto original de Emily Martin para fins de estudo, sem vantagens pecuniárias envolvidas.
Todos os direitos preservados.

Free reproduction, in Brazilian Portuguese, of Emily Martin’s original text for study purposes.
No pecuniary advantagens involved. Copyrights preserved.

Emily Martin
(tradução de Fernando Manso)
Publicação original
Martin, Emily. “The Egg and the Sperm: How Science has Constructed a Romance based on Stereotypical Male-Female Roles”.
In: KELLER, Evelyn F., e LONGINO, Helen E. (eds.). Feminism and Science. New York: Oxford University Press, 1996, p. 103-20.

A teoria do corpo humano é sempre uma parte de uma visão de mundo. A teoria do corpo humano é sempre uma parte de uma fantasia.
[James Hillmam, O mito da Análise]
Como uma antropóloga, eu me interesso pela possibilidade que a cultura molde a forma pela qual os cientistas biólogos descrevem o que eles descobrem sobre o mundo natural. Se isso for verdade, então estaremos aprendendo mais do que o mundo natural nas aulas de biologia; estaremos aprendendo sobre crenças e práticas culturais como se elas fossem parte da natureza. No curso de minha pesquisa eu verifiquei que as figuras do óvulo e do esperma desenhados nos relatos populares e científicos da biologia reprodutiva se baseia em estereótipos centrais a nossa definição cultural de macho e fêmea. Os estereótipos implicam não apenas que os processos biológicos femininos valem menos que seu correspondente masculino, mas também que as mulheres valem menos que os homens. Parte do meu objetivo em escrever este artigo é lançar uma luz nos estereótipos de gênero escondidos dentro da linguagem científica da biologia. Expostos de tal forma, eu espero que eles venham a perder muito de seu poder de nos prejudicar.

O óvulo e o esperma: Um conto de fadas científico
Num nível fundamental, todos os principais livros textos científicos descrevem os órgãos reprodutores masculino e feminino como sistemas para a produção de substâncias valiosas, tais como óvulos e esperma. No caso da mulher, o ciclo mensal é descrito como sendo projetado para produzir óvulos e preparar um local adequado para eles serem fertilizados e crescerem – tudo com a finalidade de fazer bebês. Mas o entusiasmo termina aí. Exaltando o ciclo feminino como um empreendimento produtivo, a menstruação passa a ser vista, necessariamente, como uma falha. Os textos médicos descrevem a menstruação como a “ruína” do forro uterino, o resultado de necrose, ou morte de tecido. A descrição implica que um sistema funcionou mal, fazendo produtos inúteis, fora da especificação, invendáveis, desperdiçados, sucata. Uma ilustração em um testo médico largamente utilizado mostra a menstruação como uma desintegração caótica de forma, complementando os muitos textos que a descrevem como “interrupção”, “morte”, “perda”, “privação”, “expulsão”.

A fisiologia reprodutiva masculina é avaliada de forma bem diferente. Um dos textos que vê menstruação como uma produção falha emprega um tipo de prosa apologética quando descreve a maturação do esperma: “Os mecanismos que guiam a extraordinária transformação celular do ‘spermatid’ em esperma maduro permanece incerta ... Talvez a mais fantástica característica da espermatogênese é sua enorme magnitude: o homem normal pode produzir várias centenas de milhões de espermas por dia”. No texto clássico Medical Physiology, editado por Vernon Mountcastle, a comparação macho/fêmea, produtivo/destrutivo é mais explícita: “Enquanto a fêmea verte apenas um único gameta a cada mês, os túbulos seminíferos produzem centenas de milhões de espermas a cada dia”. A autora feminina de outro texto se deslumbra com o comprimento dos microscópicos túbulos seminíferos, os quais, se desenrolados e esticados “cobririam quase um terço de uma milha!” Ela escreve, “Num adulto macho estas estruturas produzem milhões de espermas a cada dia.” Mais adiante ela pergunta, “Como este feito é conseguido?” Nenhum desses textos expressam entusiasmo tão intenso por qualquer dos processos femininos. Certamente, não é acidente que o “extraordinário” processo de fazer esperma envolve precisamente aquilo que, na visão médica, a menstruação não faz: produção de alguma coisa considerada valiosa.

Poderia ser argumentado que a menstruação e a espermatogênese não são processos análogos e, portanto, não deveria ser esperado que elas provocassem o mesmo tipo de resposta. A analogia feminina própria com a espermatogênese, biologicamente, é a ovulação. Mas a ovulação também não merece o entusiasmo nesses textos. As descrições nos livros textos enfatizam que os folículos ovarianos que contêm o gameta feminino já estão presentes no nascimento. Longe de serem produzidos, como são os espermas, eles meramente aguardam, degenerando lentamente e envelhecendo como um estoque: “No nascimento, os ovários humanos normais contêm um número estimado de um milhão de folículos (cada um), e nenhum novo folículo aparece após o nascimento. Assim em contraste acentuado com o macho, a fêmea recém nascida já tem todas as suas células germinativas. Apenas umas poucas, talvez 400, estão destinadas a atingir plena maturidade, durante sua vida produtiva ativa. Todas as outras se degeneram em algum ponto durante seu desenvolvimento, de tal forma que poucas, se alguma, permanecem ao tempo em que ela atinge a menopausa numa idade de aproximadamente 50 anos”. Note-se o “contraste acentuado” que esta descrição estabelece entre macho e fêmea: o macho, que produz continuamente células germinativas novas, e a fêmea, que estocou ao nascer células germinativas e se depara com a sua degeneração.

Nem são os órgãos femininos poupados de descrições mais intensas. Um cientista escreveu em um artigo de jornal que os ovários de uma mulher se tornam velhos e gastos pelo amadurecimento dos óvulos a cada mês, mesmo que a mulher seja ainda relativamente jovem: “Quando você olha através de um laparoscópio ... num ovário que tenha passado por centenas de ciclos, mesmo em uma fêmea americana extremamente saudável, você vê um órgão marcado e batido”

Para evitar a conotação negativa que algumas pessoas associam ao sistema reprodutor feminino, os cientistas poderiam começar a descrever os processos masculino e feminino como homólogos. Eles poderiam creditar às fêmeas a “produção” de gametas maduros um a cada vez, uma vez que eles são necessários cada mês, e descrever os machos como tendo de encarar problemas de degeneração de células germinativas. Esta degeneração ocorreria ao longo de toda a vida entre os espermatogônios, que são as células germinativas indiferenciadas nos testículos que são as duradouras e inativas precursoras do esperma.

Mas os textos tem uma insistência quase tenaz em expressar os processos femininos numa luz negativa. Os textos celebram a produção de esperma porque ele é contínuo da puberdade à velhice, enquanto eles retratam a produção de óvulos como inferior porque ela está terminada no nascimento. Isto faz a fêmea parecer improdutiva, mas alguns textos também insistem que é ela que é desperdiçadora. Num título de seção do Molecular Biology of the cell, um texto muito lido, está escrito que “A oogênese é desperdiçadora”. O texto enfatiza que de sete milhões de oogônios, ou células germinadoras do óvulo, no embrião feminino, a maioria degenera no ovário. Daquelas que sobrevivem e se tornam oócitos, ou óvulos, muitas também degeneram, de tal forma que no nascimento apenas dois milhões de óvulos permanecem no ovário. A degeneração continua ao longo de toda a vida da mulher: na puberdade permanecem 300.000 óvulos, e apenas alguns poucos estão presentes na menopausa. “durante os quarenta e poucos anos da vida reprodutiva da mulher, apenas 400 ou 500 óvulos serão liberados”, os autores escrevem. “Todo o resto terá degenerado. É ainda um mistério por que tantos óvulos são formados apenas para morrer nos ovários.”

O mistério real é por que a vasta produção de esperma masculina não é vista como um desperdício. Assumindo que um homem produza 100 milhões (108) de espermas por dia (uma estimativa conservadora) durante uma vida reprodutiva média de sessenta anos, ele produziria mais que dois trilhões de espermas em sua vida. Assumindo que um mulher “amadurece” um óvulo por mês lunar, ou treze por ano, ao longo do curso de sua vida reprodutiva de quarenta anos, ela totalizaria cinco centenas de óvulos em sua vida. Mas a palavra desperdício implica um excesso, produção em demasia. Assumindo dois ou três filhos, para cada bebê que uma mulher produz, ela desperdiça apenas por volta de 200 óvulos. Para cada bebê que um homem produz, ele desperdiça mais de um trilhão de espermas.

Como é que imagens positivas são negadas aos corpos das mulheres? Uma olhada na linguagem, neste caso a linguagem científica, fornece a primeira pista. Considere o óvulo e o esperma. É extraordinário como o óvulo se comporta “femininamente” e o esperma se comporta “masculinamente”. O óvulo é visto como grande e passivo. Ele não se move, nem viaja, mas passivamente “é transportado”, “é arrastado”, ou “desliza” pelo tubo falopiano. Em completo contraste, o esperma é pequeno, “dinâmico”, e invariavelmente ativo. Eles “entregam” seus genes ao óvulo, “ativam o programa de desenvolvimento do óvulo”, e têm uma velocidade que é freqüentemente assinalada. Suas caudas são “fortes” e eficientemente dotadas de potência. Junto com as forças da ejaculação eles podem propelir o sêmen nos mais profundos recessos da vagina. Para isso eles precisam de “energia”, “combustível”, de tal forma que com um “movimento como o de um chicote e fortes sacudidelas” eles podem furar a superfície do óvulo e penetrá-lo.

No seu extremo, o velho relacionamento entre o óvulo e o esperma assumem uma aura real ou religiosa. A superfície do óvulo, sua cobertura protetora, é algumas vezes chamada de seus “paramentos”, um termo usualmente reservado para vestimentas sagradas e religiosas. Diz-se que o óvulo tem uma “coroa” e é acompanhado de “células servidoras”. Ele é sagrado, posto de lado e acima, a rainha para o rei do esperma. O óvulo é também passivo, o que significa que ele depende do esperma para ser salvo. Gerald Schatten e Helen Schatten comparam o papel do óvulo ao da Bela Adormecida: “uma noiva adormecida aguardando o beijo mágico de seu companheiro”. O esperma, ao contrário tem uma “missão”, que é “se mover através do trato genital feminino em busca do óvulo”. Um relato popular diz que o esperma executa uma “jornada arriscada” na “escuridão ardente” onde alguns tombam “exaustos”. “Os sobreviventes” “assaltam” o óvulo, os candidatos bem sucedidos “cercando o prêmio”. Parte da urgência dessa jornada, em termos mais científicos, é devida ao fato que “uma vez liberto do ambiente protetor do ovário, um óvulo morrerá dentro de horas a menos que seja salvo por um esperma. As palavras enfatizam a fragilidade e a dependência do óvulo, muito embora o mesmo texto assinala em outra parte que o esperma também vive apenas umas poucas horas.

Em 1948, num livro extraordinário pelas suas primeiras percepções desses assuntos, Ruth Herschberger argumentou que os órgãos reprodutores femininos são vistos como biologicamente interdependentes, enquanto os órgãos masculinos são vistos como autônomos, operando independentemente e isolados:

No presente a funcionalidade é enfatizada apenas em conexão com as mulheres: é nelas que ovários, tubos, útero, e vagina têm interdependências intermináveis. No macho, a reprodução parece envolver apenas “órgãos”.

No entanto o esperma, tanto quanto o óvulo, é dependente de muitos processos relacionados. Há secreções que aliviam a urina na uretra antes da ejaculação, para proteger o esperma. Há o reflexo fechando a conexão com a bexiga, a provisão de secreções prostáticas, e vários tipos de propulsão muscular. O esperma não é mais independente do seu meio do que o óvulo, e no entanto por uma espécie de desejo, os biólogos suportam a noção de que a fêmea, a começar pelo óvulo, é congenitamente mais dependente do que o macho.

Trazendo um outro aspecto da autonomia do esperma, um artigo no periódico Cell tem o esperma tomando uma “decisão existencial” para penetrar no óvulo: “espermas são células com um repertório comportamental limitado, que é direcionado no sentido de fertilizar óvulos. Para executar a decisão de abandonar seu estado haplóide, o esperma nada para um óvulo e lá ele adquire a sua capacidade de efetuar a fusão de membrana”. Não é esta uma versão de um gerente corporativo das atividades do esperma – “executar decisões” angustiado pelas difíceis opções que envolvem altos riscos?

Há uma outra forma pela qual o esperma, apesar do seu pequeno tamanho, pode ser levado a crescer em importância com relação aos óvulos. Numa coleção de artigos científicos, uma micrografia eletrônica de um enorme óvulo e um minúsculo esperma é intitulada “Um Retrato do Esperma”. Isto é um pouco como mostrar a foto de um cachorro e chamá-la de um quadro das pulgas. Admite-se que o esperma microscópico é mais difícil de fotografar do que os óvulos, os quais são suficientemente grandes para serem vistos a olho nu. Mas certamente o uso do termo “retrato”, uma palavra associada com o poderoso e o saudável, é significante. Óvulos têm apenas micrografias ou quadros, não retratos.

Uma descrição do esperma como fraco e tímido, em vez de forte e poderoso – a única tal representação na civilização ocidental até onde eu sei – ocorre no filme de Woody Allen Tudo que você queria saber sobre saber sobre sexo mas teve medo de perguntar. Allen, fazendo o papel de um esperma apreensivo dentro dos testículos de um homem, está assustado com o orgasmo que se aproxima. Ele está relutante em se lançar no escuro, com medo dos dispositivos contraceptivos, com medo de ir parar no teto se o homem se masturba.

O quadro mais comum – o óvulo como uma jovem angustiada, protegida apenas pelas suas vestimentas sagradas; o esperma como um heróico guerreiro pronto a salvá-la – não pode ser provado que seja ditado pela biologia desses eventos. Mesmo que os “fatos” da biologia podem não ser sempre construídos em termos culturais, neste caso eu argumentaria que são. O grau de conteúdo metafórico nessas descrições, a extensão até a qual as diferenças entre o óvulo e o esperma são enfatizadas, e os paralelos entre os estereótipos culturais dos comportamentos do macho e da fêmea e o caráter do óvulo e do esperma, tudo aponta para essa conclusão.

Novas pesquisas, velhas imagens
Na medida em que novos entendimentos do óvulo e do esperma emergem, as imagens de gênero nos livros textos são revisadas. Mas as novas pesquisas, longe de escapar da representações estereotípicas do óvulo e do esperma, simplesmente replicam elementos das imagens de gênero nos livros textos numa forma diferente. A persistência dessas imagens faz lembrar daquilo que Ludwik Fleck chamou de natureza “autocontida” do pensamento científico. Segundo ele a descreve, “a interação entre o que já é sabido, o que permanece a ser aprendido, e aqueles que vão apreender, assegura harmonia dentro do sistema. Mas ao mesmo tempo eles também preservam a harmonia das ilusões, a qual é bastante segura dentro dos limites de um dado estilo de pensamento”. Nós precisamos entender a forma pela qual o conteúdo cultural em descrições científicas muda na medida em que as descobertas biológicas se desdobram, e se o conteúdo cultural está solidamente entrelaçado, ou se é facilmente alterado.

Em todos os textos referidos acima, o esperma é descrito como o que penetra no óvulo, e substâncias específicas ha cabeça do esperma são descritas como as que se ligam ao óvulo. Recentemente, esta descrição de eventos foi revista em um laboratório de biofísica na Universidade Johns Hopkins – transformando o óvulo de parte passiva para ativa.

Anteriormente a essa pesquisa, pensava-se que a zona, os paramentos internos do óvulo, formavam uma barreira impenetrável. O esperma vencia a barreira furando-a mecanicamente, batendo sua cauda e progredindo lentamente. Pesquisas posteriores mostraram que o esperma liberava enzimas digestivas que quebravam quimicamente a zona; assim os cientistas presumiam que o esperma usava meios mecânicos e químicos para entrar no óvulo.

Nesta recente investigação, os pesquisadores começaram a fazer perguntas sobre a força mecânica da cauda do esperma. (O objetivo do laboratório era desenvolver um contraceptivo que trabalhasse topicamente no esperma.) Eles descobriram, para sua grande surpresa, que a força do esperma para a frente é extremamente fraca, o que contradiz o pressuposto de que os espermas são penetradores vigorosos. Em vez de fazer força para a frente, a cabeça do esperma era agora vista se mover, a maior parte do tempo, para a frente e para trás. Os movimentos laterais da cauda do esperma faz a cabeça se mover lateralmente com uma força que é dez vezes mais forte do que seu movimento para a frente. Portanto, mesmo se a força total do esperma fosse suficiente para quebrar mecanicamente a zona, a maior parte de sua forças seria dirigida para os lados e não para a frente. Na verdade, sua tendência mais forte, dez vezes maior, é escapar tentando se libertar do óvulo. Os espermas, então, têm de ser excepcionalmente eficientes para escapar de qualquer superfície celular que eles encostem. E a superfície do óvulo precisa ser projetada para apanhar o esperma e evitar que ele escape. Caso contrário, poucos, ou mesmo nenhum, esperma alcançaria o óvulo.

Os pesquisadores da Johns Hopkins concluíram que o esperma e o óvulo se ligam por conta de moléculas adesivas que há na superfície de cada um deles. O óvulo agarra o esperma e adere a ele tão apertadamente que a cabeça do esperma é forçada a se recostar sobre a superfície da zona, um pouco como, eles me disseram, “o Coelho Br’ er ficando cada vez mais preso ao (tar baby) quanto mais se mexa”. O esperma agarrado continua a se mexer lateralmente, mas sem efeito. A força mecânica da sua cauda é tão fraca que o esperma não pode quebrar nem mesmo uma ligação química. Isto é onde os enzimas digestivos liberados pelo esperma entram em ação. Se eles começam a amolecer a zona exatamente na ponta do esperma e os lados permanecem presos, então o fraco e agitante esperma consegue se orientar na direção certa e consegue atravessar a zona – desde que suas ligações com a zona se dissolvam na medida em que ele se move.

Embora essa nova versão da saga do óvulo e do esperma fosse contra as expectativas culturais, os pesquisadores que fizeram a descoberta continuaram a escrever artigos e resumos como se o esperma fosse a parte ativa que ataca, liga, penetra, e adentra o óvulo. A única diferença era que agora o esperma era visto como se executasse essas ações fracamente. Só em agosto de 1987, mais de três anos após os achados acima descritos, que estes pesquisadores reconceituaram o processo dando ao óvulo um papel mais ativo. Eles começaram a descrever a zona como uma apanhadora agressiva de espermas, coberta com moléculas adesivas que podem capturar um esperma com uma simples ligação e mantê-lo preso na superfície da zona. Nas palavras de seu relato publicado: “O paramento mais interno, a zona pelúcida, é uma capa de glicoproteína, que captura o esperma e o prende antes que ele a penetre ... O esperma é capturado no contato inicial entre sua ponta e a zona ... Uma vez que a força (do esperma) é muito menor que a força necessária para romper uma simples ligação de afinidade, a primeira ligação feita sobre a ponta – primeiro encontro do esperma e a zona – pode resultar na captura do esperma.

Experimentos em um outro laboratório revelaram padrões similares de interpretação de dados. Gerrald Schatten e Helen Schatten mostraram que, contrariamente a sabedoria convencional, “o óvulo não é meramente uma esfera grande cheia de gema a qual o esperma fura para produzir uma nova vida. Ao contrário, pesquisa recente sugere a visão quase herética de que o esperma e o óvulo são parceiros mutuamente ativos.” Isto soa como um afastamento da visão estereotípica dos livros textos, mas lendo um pouco mais revela-se a conformidade dos Schatten com a metáfora do esperma agressivo. Eles descrevem como se dá o encontro do esperma e do óvulo: “é quando da ponta da cabeça triangular do esperma um filamento longo e fino é disparado e arpeia o óvulo”. Ficamos então sabendo que “extraordinariamente, o arpão é não somente disparado mas montado a grande velocidade, molécula por molécula, a partir de uma reserva de proteína armazenadas numa região especializada chamada acrossomo. O filamento pode crescer até 20 vezes maior que a cabeça do esperma até que sua ponta alcance e se fixe no óvulo.” Por que não chamar isso de “construir uma ponte” ou “atirar uma linha” em vez de atirar um arpão? Arpões perfuram as presas e ferem-nas ou matam-nas, enquanto este filamento apenas gruda. E por que não focar, como fez o laboratório Hopkins, no poder grudante do óvulo em vez do poder grudante do esperma? Mais adiante no artigo. Os Schattens replicam a visão da jornada perigosa do esperma pelo escuro ardente da vagina, desta vez com o objetivo de explicar sua jornada dentro do óvulo: “(o esperma) ainda tem uma árdua jornada pela frente. Ele tem de penetrar além dentro da enorme esfera do óvulo de citoplasma e de alguma forma localizar o núcleo, de forma a que os cromossomas das duas células possam de fundir. O esperma mergulha no citoplasma, sua cauda bate. Mas é logo interrompido pela súbita e rápida migração do núcleo do óvulo, que corre na direção do esperma com uma velocidade três vezes maior do que a do movimento dos cromossomas durante a divisão celular, atravessando todo o óvulo em cerca de um minuto”.

Assim como os Schatten e o biofísico da John Hopkins, outro pesquisador fez descobertas recentes que parecem apontar para uma visão mais interativa da relação entre o óvulo e o esperma. Este trabalho, que Paul Wassarman conduziu sobre espermas e óvulos de ratos, foca na identificação de moléculas específicas na cobertura do óvulo (a zona pelúcida) que são envolvidas na interação óvulo esperma. A primeira vista, suas descrições parecem se adequar ao modelo de um relacionamento igualitário. Gametas machos e fêmeos “se reconhecem” e “interações ... ocorrem entre o esperma e o óvulo.” Mas o artigo na Scientific American no qual essas descrições aparecem começa com uma vinheta que pressagia o tema principal de sua apresentação: “Há mais de um século desde que Hermann Fol, um zoólogo suíço, olhando fixamente em seu microscópio, tornou-se a primeira pessoa a ver um esperma penetrar um óvulo, fertilizá-lo e formar a primeira célula do novo embrião”. Este retrato do esperma como a parte ativa – aquele que penetra e fertiliza o óvulo e produz o primeiro embrião – não é citado como exemplo de uma visão anterior e ultrapassada. Ao contrário, o autor reitera o ponto mais adiante no artigo: “Muitos espermas podem se ligar e penetrar a zona pelúcida, ou cobertura externa, de um óvulo de rata infertilizado, mas apenas um esperma se unirá com a fina membrana de plasma que envolve o óvulo propriamente (a esfera interior), fertilizando o óvulo e produzindo um novo embrião.”

As imagens do esperma como agressor são particularmente surpreendentes neste caso: a principal descoberta sendo reportada é o isolamento de uma molécula particular na cobertura do óvulo que cumpre um papel importante na fertilização! A escolha de linguagem de Wassarman sustenta o quadro. Ele chama a molécula que foi isolada de ZP3, um “receptor de esperma”. Assim atribuindo ao óvulo o papel passivo, do que espera, Wassarman pode continuar a descrever o esperma como o ator, aquele que faz tudo acontecer: “O processo básico começa quando muitos espermas primeiro atacam livremente e então se ligam tenazmente aos receptores na superfície na espessa cobertura externa do óvulo, a zona pelúcida. Cada esperma, que tem em sua superfície um grande número de proteínas ligantes ao óvulo, se liga a muitos receptores de esperma no óvulo. Mais especificamente, um lugar em cada uma das proteínas ligantes se encaixa num lugar complementar no receptor do esperma, assim como uma chave se encaixa numa fechadura.” Com o esperma designado como a “chave” e o óvulo como a “fechadura”, é óbvio que um age e o outro sofre a ação. Não poderiam essas imagens serem invertidas, deixando o esperma (a fechadura) esperar até que o óvulo produza a chave? Ou poderíamos falar de duas metades de um encontro de encaixe, e apreciar o encontro em si como a ação que inicia a fertilização?

É como se Wassarman estivesse determinado a fazer do óvulo o parceiro receptor. Usualmente, em pesquisa biológica, as proteínas membros do par de moléculas ligantes são chamadas de receptoras, e fisicamente elas têm um bolso que se parece com uma fechadura. Como mostra o diagrama que ilustra o artigo de Wassarman, as moléculas no esperma são proteínas e têm “bolsos”. As moléculas pequenas e móveis que se encaixam nesses bolsos são chamadas “ligands”. Conforme mostrado no diagrama, ZP3 no óvulo é um polímero de “chaves”; muitas pequenas maçanetas se projetam para fora. Tipicamente, as moléculas do esperma seriam chamadas receptoras, e as moléculas do óvulo seriam chamadas “ligands”. Mas Wassarman escolheu denominar ZP3 no óvulo receptor, e criar um novo termo, “a proteína ligante ao óvulo”, para a molécula do esperma a qual, de outra forma teria sido chamada a receptora.

Wassarman credita à cobertura do óvulo mais funções do que as de um receptor de esperma. Ao mesmo tempo em que ele observa que “a zona pelúcida tem sido vista por vezes por investigadores como uma obstrução, uma barreira para o esperma e assim um impedimento a fertilização”, sua nova pesquisa revela que a cobertura do óvulo “serve como um sofisticado sistema de segurança biológica que examina os espermas que chegam, seleciona apenas aqueles compatíveis com a fertilização e desenvolvimento, prepara o esperma para a fusão com o óvulo e mais tarde protege o embrião resultante da poliespermatização (uma condição letal causada pela fusão de mais que um esperma com um único óvulo)”. Embora esta descrição dê ao óvulo um papel ativo, este papel é reduzido em termos estereotipicamente femininos. O óvulo seleciona um companheiro apropriado, prepara-o para a fusão, e então protege o filho resultante do perigo. Isto é cortejo e comportamento de uma companheira segundo os olhos de um sociobiólogo: mulher como o prêmio difícil de ser obtido, a qual em seguida a união com o escolhido, se torna mulher como servidora e mãe.

E Wassarman não para aí. Num artigo de revisão para a Science, ele resume a “cronologia da fertilização”. Próximo do final do artigo há dois títulos de seção. O primeiro é “A Penetração do Esperma”, sob o qual Wassarman descreve como a química dissolvente da zona pelúcida combina com a “substancial força propulsiva gerada pelo esperma”. O segundo título é “A Fusão Esperma – Óvulo”. Esta seção descreve o que acontece dentro da zona após o esperma “penetrá-la”. O esperma pode fazer contato, aderir, e fundir (ou seja, fertilizar) o óvulo”. A escolha de palavras de Wassarman, novamente, é surpreendentemente favorável a atividade do esperma, pois no próximo pronunciamento ele diz que o esperma perde toda a mobilidade após a fusão com a superfície do óvulo. Nos óvulos dos ratos e ouriços do mar, o esperma entra na volição do óvulo, de acordo com a descrição de Wassarman: “Uma vez fundido com a membrana do plasma do óvulo (a superfície do óvulo), como um esperma adentra o óvulo? A superfície dos óvulos tanto das ratas como dos ouriços marinhos é coberta com milhares de projeções do plasma ligadas a membrana, chamadas microvilli (minúsculos cabelos). Evidência nos ouriços do mar sugere que, após a fusão da membrana, um grupo de microvilli alongadas se agrupam apertadamente e se entrelaçam com a cabeça do esperma. Na medida em que as microvilli são sugadas, o esperma é levado para dentro do óvulo. Portanto, a mobilidade do esperma, que cessa no momento da fusão tanto na rata como no ouriço do mar, não é requerida para a entrada do esperma”. A seção chamada “A penetração do esperma” seria seguida, mais logicamente, por uma seção chamada “O óvulo envelopa” do que “A fusão esperma óvulo”. Isto daria um sentido paralelo – e mais preciso – de que tanto o óvulo quanto o esperma iniciam a ação.

Uma outra forma pela qual Wasserman reduz a atividade do óvulo é pela descrição de componentes do óvulo enquanto se refere ao esperma como uma entidade inteira. Deborah Gordon descreveu tal abordagem como “atomismo” (“a parte é independente e primordial para o todo”) e a identificou como um dos “pressupostos persistentes” da ciência e medicina ocidentais. Wassarman emprega o atomismo em seu favor. Quando ele refere a processos que ocorrem dentro do esperma, ele consistentemente retorna a descrições que nos lembram de onde essas atividades vem: elas são parte do esperma que penetra um óvulo ou gera força propulsiva. Quando ele refere a processos que ocorrem dentro do óvulo, ele para aí. Como resultado, qualquer papel ativo que ele lhes atribui parece ser atribuído a partes do óvulo, e não ao óvulo em si. Na citação acima, é o microvilli que ativamente se agrupa em torno do esperma. Num outro exemplo, “a força propulsora da absorção de um esperma fundido vem de uma região do citoplasma imediatamente abaixo de uma membrana do plasma do óvulo”

Implicações sociais: Pensando além
Todos esses três relatos revisionistas do óvulo e esperma parecem não poder escapar das imagens hierárquicas dos relatos antigos. Muito embora cada novo relato dê ao óvulo um papel maior e mais ativo, apreciados juntos eles trazem a cena um outro estereótipo cultural: a mulher como uma ameaça perigosa e agressiva. No modelo revisado do laboratório John Hopkins, o óvulo termina como a fêmea agressora que “captura e prende” o esperma com sua zona aderente, assim como uma aranha aguarda em sua teia. O laboratório dos Schatten dispõe que o núcleo do óvulo “interrompe” o mergulho do esperma com uma corrida “súbita e rápida” pela qual ele segura o esperma e guia seu núcleo para o centro. A descrição de Wassarman da superfície do óvulo “coberto por milhares de projeções do plasma ligadas a membrana, chamadas micvrovilli” que alcança e segura o esperma endossa as imagens do tipo aranha.

Essa imagens atribuem ao óvulo um papel ativo, mas ao custo de parecerem indevidamente agressivos. Imagens de mulher como perigosas e agressivas, a fêmea fatal que vitima os homens, são largamente difundidas na literatura ocidental. Mais específica é a conexão das imagens de aranha com a idéia de mãe absorvente e devoradora. Novos dados não levaram os cientistas a eliminar os estereótipos de gênero de suas descrições do óvulo e do esperma. Ao contrário, os cientistas simplesmente começaram a descrever o óvulo e o esperma em termos diferentes, mas não menos danosos.

Podemos pensar numa visão menos estereotípica? A própria biologia fornece um outro modelo que poderia ser aplicado ao óvulo e ao esperma. O modelo cibernético, com seus ciclos de realimentação, adaptação flexível a mudança, coordenação das partes dentro do todo, evolução no tempo, respostas mutáveis ao ambiente – é comum em genética, endocrinologia, e ecologia e tem uma influência crescente na medicina em geral. Este modelo tem o potencial de deslocar nossas imagens do negativo, onde o sistema reprodutivo feminino é castigado tanto por não produzir óvulos após o nascimento e por produzir (e assim desperdiçar) ovos em demasia, para algo mais positivo. O sistema reprodutivo feminino poderia ser visto como respondendo ao ambiente (gravidez ou menopausa), ajustando às mudanças mensais (menstruação), e se alterando flexivelmente de reprodutor após a puberdade a não reprodutor mais tarde na vida. As interações entre o esperma e o óvulo poderiam também ser descritas em termos cibernéticos. A pesquisa de J. F. Hartman em biologia reprodutiva demonstrou quinze anos atrás que se um óvulo é morto por ser espetado com uma agulha, o esperma vivo não pode atravessar a zona. Claramente, esta evidência mostra que o óvulo e o esperma interagem em termos mais mútuos, tornando inconveniente a recusa da biologia em retratá-los dessa forma.

Faríamos bem em estarmos conscientes, no entanto, que as imagens cibernéticas não são neutras. No passado, modelos cibernéticos cumpriram uma parte importante na imposição do controle social. Estes modelos fornecem inerentemente uma forma de pensar sobre um “campo” de componentes interativos. Uma vez que o campo pode ser visto, ele pode se tornar o objeto de novas formas de conhecimento, o que por sua vez pode permitir novas formas de controle social a serem exercidas sobre os componentes do campo. Durante os anos 50, por exemplo, a medicina começou a reconhecer o ambiente psicossocial do paciente: a família do paciente e sua psicodinâmica. Profissões tais como o serviço social começaram a focar sobre este novo ambiente, e o conhecimento resultante tornou-se um modo de controlar mais o paciente. Pacientes começaram a ser vistos não mais como corpos individuais isolados, mas como entidades psicossociais localizadas num sistema “ecológico”: a administração da “psicologia do paciente foi uma nova forma de controle do paciente.”

Os modelos que os biólogos usam para descrever seus dados podem ter importantes efeitos sociais. Durante o século dezenove as ciências sociais e naturais influenciaram fortemente uma a outra: as idéias sociais de Malthus sobre como evitar o crescimento natural do pobre inspiraram A Origem das Espécies de Darwin. Uma vez que a Origem se colocou como uma descrição do mundo natural, completa com competição e lutas de mercado, ela pode ser reimportada pela ciência social como o Darwinismo social, no objetivo de justificar a ordem social. O que estamos vendo agora é similar: a importação de idéias culturais sobre fêmeas passivas e machos heróicos pelas “personalidades” dos gametas. Isto significa “implantar imagens sociais sobre representações da natureza de forma a estabelecer uma base firma para reimportar as mesmas imagens como explicações naturais de fenômenos sociais.

Mais pesquisa nos mostraria exatamente quais efeitos sociais estão sendo trabalhados a partir das imagens biológicas do óvulo e do esperma. No mínimo, as imagens mantêm vivas alguns dos estereótipos mais antigos sobre as fracas donzelas angustiadas e seus fortes machos salvadores. Que estes estereótipos estejam agora sendo escritos ao nível da célula constitui um movimento poderoso para fazê-los parecer tão naturais que sejam imunes a alteração.

As imagens estereotípicas podem também encorajar pessoas a imaginar que o que resulta da interação entre o óvulo e o esperma – um óvulo fertilizado – é o resultado de uma ação “humana” deliberada no nível celular. Independentemente das intenções do casal humano, nesta “cultura” microscópica uma “noiva” celular (ou fêmea fatal) e um “noivo” celular (sua vítima) fazem um bebê celular. Rosalind Petchesky aponta que através de representações visuais tais como os as imagens ultrassônicas, temos acesso a “imagens de fetos cada vez mais novos e cada vez menores sendo ‘salvos’.” Isto leva ao “ponto de visibilidade ser ‘empurrado para trás’ indefinidamente”. Dotar os óvulos e espermas de ação intencional, um aspecto chave da pessoalidade em nossa cultura, estabelece as fundações para o ponto de visibilidade ser empurrado para trás até o momento da fertilização. Isto, provavelmente, levará a uma maior aceitação dos desenvolvimentos tecnológicos e a novas formas de investigação e manipulação, para o benefício dessas “pessoas” internas: restrições legais às atividades de mulheres grávidas para proteger seus fetos, cirurgia fetal, amniocentesis, e revogação dos direitos de aborto, para citar uns poucos exemplos.

Mesmo que tenhamos sucesso em substituir metáforas mais igualitárias e interativas para descrever as atividades do óvulo e do esperma, e consigamos evitar os perigos dos modelos cibernéticos, ainda estaríamos culpadas de dotar entidades celulares com pessoalidade. Mais crucial do que os tipos de personalidade que estamos outorgando às células é o próprio fato de estarmos fazendo isso. Este processo pode vir a ter conseqüências sociais profundamente danosas.

Um claro desafio feminista é acordar metáforas adormecidas nas ciências, particularmente aquelas envolvidas em descrições do óvulo e do esperma. Embora a convenção literária seja chamar tais metáforas de “mortas”, elas não estão mais mortas do que adormecidas, escondidas dentro do conteúdo científico de textos – e muito poderosas para ele. Acordar tais metáforas, tornando-nos conscientes de quando nós estamos projetando imagens culturais sobre o que estudamos, melhorará nossa capacidade de investigar e entender a natureza. Acordar tais metáforas, tornando-nos conscientes de suas implicações, as furtará de seu poder de naturalizar nossas convenções sociais sobre gênero.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

VIVENDO NUMA FAMÍLIA RECOMPOSTA (O MEU TESTEMUNHO, NA PERSPECTIVA DE MÃE)

Passo do testemunho de uma filha que viveu afastada dos pais, para o testemunho de uma mãe que vive afastada da filha.

Desde já, quero dizer que, apesar do que se passou entre mim e o meu ex, e de ter sido eu a pô-lo porta fora, fui também eu quem deu o primeiro passo com vista a uma reconciliação. A minha filha mais velha merecia uma família, merecia ter um pai e uma mãe.

Os amores à primeira vista e as grandes paixões são, para mim, coisa de filmes. O amor constrói-se. Não podemos dá-lo por perdido à primeira dificuldade.

Eu dei, pois, o primeiro passo. Ele, simplesmente, não aceitou.
E talvez tenha sido o melhor.

Hoje eu tenho um novo companheiro. E uma outra filha, desta nova união.
Que merece, como toda a criança, ter um pai e uma mãe. Ali, ao pé dela.

E a mais velha, nesta nova família?

Pois, por melhor pessoa que seja este meu novo companheiro, ela sente-se -sei disso, embora não mo diga- meio desfazada. Para ela, a irmã (que ela adora, tanto mais que é a sua única irmã) tem nesta nova família um lugar priveligiado. Porque é, de facto, a sua família, sendo que eu sou a mãe e o meu companheiro é o pai. Ela sente que a irmã é priveligiada até mesmo em relação a mim, porque vive comigo, recebe os meus cuidados todos os dias, e ela não.

Perguntai a essas crianças e a esses jovens o que eles sentem nessa sua nova família -ou mesmo nas duas,quando são ambos os pais a refazer a vida- onde ele deixa de ter esse lugar priveligiado, sobretudo se há filhos dessa nova união. Pode a madrasta, ou padrasto, ser um amor de pessoa, que isso não muda o seu sentimento.

Ainda há dias vi um documentário que se intitulava "Ma belle-mère: quel enfer", e um dos miúdos, salvo erro o mais velho, dizia que ela não demonstrava o mesmo amor por eles como o amor que demonstrava para com os seus próprios filhos. Nos tempos em que estavam com a mãe (fins de semana e férias), eles eram mais espontâneos. Um deles gostava mesmo de dormir com a mãe, porque, dizia ele, "ça sent maman!"

Não é fácil ser madrasta, bem sei, ainda para mais quando se tem uma data de crianças em casa. Esta madrasta era, por isso, uma mulher de pulso, capaz de se fazer respeitar e de pôr ordem na casa. Masmo a mãe dos miúdos reconhecia que, embora fosse de um feitio completamente diferente do seu, a madrasta era uma pessoa de carácter, e, sempre que os miúdos se queixavam dela, que os havia castigado ou coisa assim, a mãe respondia-lhes de imediato que se ela o fizera, teria tinho certamente razão para o fazer.

O que esta madrasta procurava, no fundo, era uma prova do amor destes seus outros "filhos". E teve-a, pois os miúdos compuseram-lhe uma canção, tipo tropa (era uma madrasta realmente autoritária), reconhecendo que, apesar da sua dureza, ela era justa.

Gostei de ver.
Ficou-me a imagem de miúdos que procuravam, na medida do possível, enquadrar-se numa família que não é a que eles sonharam (o pai e a mãe juntos) e de uma madrasta com a dura prova de se fazer amar por aqueles que não eram seus filhos, tal como se ama uma mãe. Uma madrasta consciente de que não era ela a mãe, mas que tinha de agir como tal.

Uma obra que me enche de curiosidade e que, se calhar, hei-de ir buscar à biblioteca, é o livro de Laura Kasischke EN UN MONDE PARFAIT.

Ora leiam o resumo:

Le monde parfait selon Laura Kasischke
Par André Clavel, publié le 15/10/2010 à 14:00

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Les confessions d'une hôtesse de l'air qui se sacrifie pour élever les enfants de son mari.

Sur la confusion des sentiments et les tempêtes intérieures, Laura Kasischke (née en 1961) en sait long, très long. Comme Joyce Carol Oates, cette romancière recluse au fond du Michigan plonge ses griffes de fouine dans les désordres affectifs de la middle class américaine, pour dévoiler toutes sortes de fêlures derrière les belles vitrines de l'harmonie et de la réussite. "Je suis très intriguée, dit-elle, par ce que cache l'existence des gens lorsqu'elle est trop rationnelle et trop lisse. Que peuvent bien dissimuler ces visages qui se ressemblent tous ?" La réponse fait peur, quand on lit Laura Kasischke, car elle ne cesse de mettre en scène des femmes apparemment bien rangées, mais sacrément dérangées. Comme si, avec leurs tailleurs impeccables, ces sosies d'Emma Bovary dansaient sur des volcans - un cocktail de frustrations, de chagrins invisibles et de nausées silencieuses.

Dans son précédent roman, La couronne verte (traduit en 2008 chez Christian Bourgois), l'Américaine raconte une histoire d'abord enchantée, mais qui vire brutalement au sordide : deux lycéennes en goguette s'envolent vers l'éden mexicain sans savoir qu'elles ont rendez-vous avec le diable, au pied des pyramides mayas... Nouvelle exploration de l'univers féminin, En un monde parfait est la confession d'une hôtesse de l'air - Jiselle - qui vient d'épouser le beau Mark, veuf et père de trois enfants. Elle les élèvera en se sacrifiant tandis que son mari, éternel fugueur, s'absente de plus en plus souvent de ce foyer où elle n'a qu'un seul rôle - celui de la nounou dévouée. C'est l'histoire d'une femme désemparée, abandonnée, que raconte l'auteur de La vie devant ses yeux, dans une Amérique qui tremble à son tour parce qu'elle est menacée par une mystérieuse épidémie... Le monde que décrit Laura Kasischke est aussi parfait que la coque du Titanic : rendez-vous avec le naufrage.

FONTE: http://www.lexpress.fr/culture/livre/en-un-monde-parfait_927578.html





REPARAI BEM NA ÚLTIMA FRASE DESTE TEXTO:

"LE MONDE QUE DÉCRIT LAURA KASISCHKE EST AUSSI PARFAIT QUE LA COQUE DU TITANIC: RENDEZ-VOUS AVEC LE NAUFRAGE"


recados para orkut

Nunca foram tão lindos os recados de Titanic


Exactamente o que eu penso.

Falando de um outro assunto, querem saber a melhor?
Conto-vos amanhã.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

EU CRESCI SEM PAI, E ESTOU AQUI (O MEU TESTEMUNHO, NA PERSPECTIVA DE FILHA)

Ora aí está: é possível, sim, viver sem um pai.
Eu sou testemunha disso.

Passei quse toda a minha vida em colégios, devido ao ambiente familiar onde vivia. Vivi, por consequência, sem pai nem mãe.

O meu pai e a minha mãe foram as religiosas, essas bravas mulheres.
Tive pai e mãe, numa só pessoa.

O único senão foi não ter tido sempre a mesma pessoa a acompanhar-me, pois o cargo foi passado de religiosa em religiosa, aí umas 5 ou 6 vezes. Mas ainda assim, eu tive sorte, pois as que me calharam souberam ser pai e mãe em simultâneo. Não posso dizer o mesmo de crianças que, no seu dia a dia, perdem a sua figura de referência, assim sem mais nem menos...

Disso eu falarei num outro dia.

Evidentemente, era bem melhor ter o carinho da nossa própria mãe e do nosso próprio pai, e eu, como toda a criança, sonhei com isso.

É preferível estar com os nossos pais,sim, quando somos de facto amados, e estes cuidam de nós como a coisa mais preciosa à face da Terra.

Talvez à conta de uma vida muito estrita, acabei por viver uma adolescência tardia. Não tinha uma mãe ou um pai na retaguarda (se bem que, como nós bem sabemos -faz parte da vida-, os adolescentes não ouvem ninguém, e só nos dão razão depois de darem umas boas cabeçadas).

A diferença é que eu já havia passado há muito essa fase.
Com os meus pais teria levado cabeçadas atrás de cabeçadas, e não sei se me teria levantado.

Caí, de facto. Mas agarrei-me aquilo que me deram, a minha educação, e foi isso que me fez levantar.
É isso que conta, no fim de contas. Aquilo que recebemos, ao longo da nossa vida. Os exemplos que temos.

Ou achais que se eu tivesse permanecido no meu ambiente familiar, esse ambiente completamente desestruturado, eu teria tido um destino melhor?


Digo-vos isto por umas quantas razões:


1- ao contrário do que dizeis, é possível, sim, viver sem um pai;

2- ao contrário do que possais pensar, não tenho rigorosamente nada contra o pai, eu que, pelo meu percurso de vida, teria bem mais razões de ser contra a mãe;

3- ao contrário do que julgais, a figura do pai tem enorme importância para mim, tanto que me enterneço ao ver a minha pequenina com o seu pai, e mais ainda porque fui capaz de atender o pedido do pai da minha mais velha, e permaneci, após a nossa separação, num lugar onde eu detestava viver e onde me encontrava completamente isolada, para possibilitar o convívio entre ambos;

4- ao contrário do que possais concluir, o que eu aqui defendo é uma maternagem e uma paternagem mais consciente, voltada para as reais necessidades do seu filho. Apenas, e tão somente, isso.

5- sobretudo, e bem ao contrário do que a muitos possa parecer, eu sou essencialmente pela FAMÍLIA. Uma única e só família, não umas quantas tribos.



Família
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Ausência paterna: é possível crescer ou viver sem um pai?
Escrito por Dra. Patricia V. Spada

Qua, 01 de Setembro de 2010

O termo “ausência paterna” pode ser usado somente para pais que se preocupam mais com o trabalho e não dedicam tempo aos filhos ou também para pais que abandonam seus filhos?

Há diferença nos termos empregados, pois ausência paterna pode significar, por exemplo, além do que foi especificado na própria pergunta, como o companheiro que não dá apoio à mulher na época da gestação e no pós-parto. Ou ainda pode ser usado para aqueles pais (pais e mães) que não acompanham de perto e/ou afetivamente o desenvolvimento do filho, portanto, vale lembrar que essa ausência pode causar sérios prejuízos em seu desenvolvimento global.



Como a ausência paterna pode influenciar a vida do filho? Que lacunas se abrem por causa dessa ausência? Tanto reações boas quanto ruins.

Nós, enquanto espécie humana, somos seres completamente dependentes dos cuidados geralmente maternos, nos primeiros anos de vida. Um renomado pediatra e psicanalista – Spitz, um dos grandes estudiosos da relação mãe-bebê –, observou diversas doenças decorrentes tanto da ausência total da mãe na vida do bebê quanto de sua ausência parcial, ou mesmo quando os cuidados eram somente “eficientes”/“básicos” (troca de fraldas, alimentação, banho...), mas não afetivos. Podemos notar que o estímulo dos pais em relação ao filho é uma questão muito importante para o desenvolvimento tanto do ponto de vista físico quanto emocional e social, nunca se esquecendo de respeitar a faixa etária e o grau de desenvolvimento emocional em que a criança se encontra para que ela possa desenvolver do melhor modo possível suas habilidades naturais. Entretanto, há casos em que chamamos de “resilientes”, ou seja, aqueles indivíduos que – apesar de terem sido muitas vezes até maltratados ou mesmo abusados na infância – conseguem se desenvolver e dar andamento adequado aos diferentes setores da vida. Nesse caso, a “ausência” significaria mais “a presença” de alguém que realmente atrapalha ou atrapalhou a saúde da criança como um todo. Mas, pelo fato de a criança ter – constitucionalmente – uma condição mental/emocional que a faz lutar pela vida, consegue seguir adiante, apesar do que sofreu na infância e/ou adolescência, e dar um bom andamento às dificuldades da vida.



Há diferença entre ter a ausência do pai desde criança ou sofrê-la no período da adolescência? Por quê? E é possível notar o sofrimento da criança ou adolescente por esse motivo através de algum sintoma?

A diferença é que, quando o pai é ausente desde quando o filho é pequeno ou mesmo quando se trata de uma criança maior, essa fica sem parâmetro de modelo masculino, a não ser que alguém faça essa função (tio, avô, amigo da mãe, professor) para que a criança possa se identificar e fortalecer cada vez mais sua personalidade e seu caráter, independentemente se a criança é do sexo masculino ou feminino. Já na adolescência, também há prejuízo, mas, dependendo de como foi a fase da infância, esse prejuízo será maior ou menor. Provavelmente, uma das reações é de muita revolta, quando o adolescente passa a não aceitar novas amizades que a mãe faz, ou quando ele faz o que bem entende, passando por cima da “autoridade” da mãe. Outras vezes essa ausência pode ser percebida quando o rendimento acadêmico cai, ou quando o comportamento do filho muda de forma radical – se era comunicativo e passa a ser muito calado, se fica muito isolado... São importantes aspectos aos quais o pai ou a mãe (ou quem estiver com a criança ou o adolescente) devem ficar atentos e, se necessário, procurar ajuda de um profissional.



Em caso de separação ou falecimento dos pais, como proceder para evitar possíveis traumas?

Penso ser impossível evitar possíveis traumas em caso de morte, já que a perda de pessoas queridas e importantes já é um trauma em si e terá que ser elaborado pelo tempo que for necessário. Muitas vezes, quando a criança fica “paralisada” em seu desenvolvimento, é fundamental buscar ajuda profissional.

O que é interessante é – no caso de separação – os pais poderem contar aos filhos que não viverão mais juntos, mas que os amam e que sempre serão seus pais, porém, não amam um ao outro enquanto casal, homem e mulher, e isso não tem nada a ver com os filhos. É comum que as crianças se sintam culpadas e responsáveis pela separação dos pais, daí a importância de esclarecer e reafirmar o amor por eles e quão importante é o fato de os filhos poderem cuidar dos setores da vida que dizem respeito a eles e não que se ocupem dos problemas do casal.



Pais ou mães que assumem os dois papéis dentro de casa conseguem exercer a função 100%?

Não é viável – humanamente falando – que o pai ou a mãe consigam ocupar o lugar do outro. O mais saudável é que saibam e sintam a falta que um(a) companheiro(a) pode fazer em termos de parceria, de ajuda mútua, e buscar preencher o que é real e possível – dentro do que lhes cabe. Obviamente, as responsabilidades que normalmente são divididas em um casamento onde há amizade, respeito, união, entre outros, ficam redobradas quando somente um dos pais passa a ser o único cuidador.



Tios e avós podem ajudar na tentativa de busca por figura masculina na vida da criança?

Certamente que sim e eles têm um papel muito importante, pois a ligação afetiva – comumente – é forte. Sendo assim, essa ligação auxilia a criança a superar a ausência, seja do pai ou da mãe, embora ninguém, nunca, possa vir a ocupar o lugar que é somente dos pais.





Dra. Patricia V. Spada - CRP: 35169-6 - é psicóloga clínica com doutorado pelo Departamento de Pós-Graduação em Nutrição da UNIFESP/EPM. No Pós-Doutorado, atua em linha de pesquisa na área psicológica da alimentação/nutrição, principalmente nos seguintes temas: vínculo mãe-filho e obesidade infantil, bem como dinâmica familiar.


FONTE: http://idmed.com/Sa%C3%BAde/Crian%C3%A7a/ausencia-paterna-e-possivel-crescer-ou-viver-sem-um-pai.html

No meu próximo post trago-vos ainda o meu testemunho, na perspectiva de mãe numa família recomposta.

VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA!

Ao contrário do que dizia um senhor, e do que dizem as estatísticas (como dizia alguém, e muito bem, "existem as mentiras, as mentiras deslavadas... e as estatísticas"), a maioria dos presidiários viveu ou conviveu com o pai. Simplesmente não tiveram o melhor modelo de educação.
A maioria desses presidiários viveu num ambiente impregnado de violência. E violência gera violência.






EIS UMA NOTÍCIA QUE SAIU MUITO RECENTEMENTE:

25/10/2010 - 15h:17 Uma mulher ficou ferida após ser carregada pelos cabelos por cerca de 20 m por um carro dirigido pelo ex-marido na noite de domingo, em Sales de Oliveira (SP). Segundo a polícia, após deixar a filha na casa da mãe, o homem começou a discutir com a ex-mulher. Ele teria segurado o cabelo da vítima, que estava falando com ele da janela do carro, e saído com o veículo.


A vítima teria conseguido acompanhar o carro correndo, mas quando ele soltou o seu cabelo, ela teria caído no chão e sofrido escoriações no corpo.


A Polícia Militar foi acionada por testemunhas e o homem foi preso. Ele foi encaminhado ao Departamento de Polícia de Orlândia e autuado por lesão corporal, de acordo com a Lei Maria da Penha. O ex-marido pagou fiança de R$ 500 e foi liberado. A vítima sofreu ferimentos leves e foi encaminhada ao hospital.



Fonte: Terra



Será, pergunto eu, que a filha deste senhor assistiu a esta triste cena?
Ainda que a mãe não seja, suponhamos, uma "santa", será que se justifica uma tal atitude?

E para os que dizem que ainda que um homem bata numa mulher, isso não significa que seja (ou possa vir a ser) um mau pai, eu pergunto:

E enquanto bateu na mulher, ele foi um bom pai?!

Ou será que se esquece que tudo isso fica marcado na criança, e que qualquer violência contra a mãe, é uma violência contra o(a) filho(a)?!





Violência doméstica
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Violência doméstica é a violência, explícita ou velada, literalmente praticada dentro de casa ou no âmbito familiar, entre indivíduos unidos por parentesco civil (marido e mulher, sogra, padrasto) ou parentesco natural pai, mãe, filhos, irmãos etc.[1] Inclui diversas práticas, como a violência e o abuso sexual contra as crianças, maus-tratos contra idosos, e violência contra a mulher e contra o homem geralmente nos processos de separação litigiosa além da violência sexual contra o parceiro.

Pode ser dividida em violência física — quando envolve agressão directa, contra pessoas queridas do agredido ou destruição de objectos e pertences do mesmo (patrimonial); violência psicológica — quando envolve agressão verbal, ameaças, gestos e posturas agressivas, jurídicamente produzindo danos morais; e violência sócio-económica, quando envolve o controle da vida social da vítima ou de seus recursos económicos. Também alguns consideram violência doméstica o abandono e a negligência quanto a crianças, parceiros ou idosos. Enquadradas na tipologia proposta por Dahlberg; Krug, [2] na categoria interpessoais, subdividindo-se quanto a natureza Física, Sexual, Psicológica ou de Privação e abandono. Afetando ainda a vida doméstica pode-se incluir da categoria autodirigida o comportamento suicída especialmente o suicídio ampliado (associado ao homicídio de familiares) e de comportamentos de auto-abuso especialmente se consideramos o contexto de causalidade. É mais frequente o uso do termo "violência doméstica" para indicar a violência contra parceiros, contra a esposa, contra o marido e filhos. A expressão substitui outras como "violência contra a mulher". Também existem as expressões "violência no relacionamento", "violência conjugal" e "violência intra-familiar".

Note que o poder num relacionamento envolve geralmente a percepção mútua e expectativas de reação de ambas as partes calcada nos preconceitos e/ou experiências vividas. Uma pessoa pode se considerar como subjugada no relacionamento, enquanto que um observador menos envolvido pode discordar disso.


Mulher no hospital depois que o marido dela a espancouMuitos casos de violência doméstica encontram-se associados ao consumo de álcool e drogas, pois seu consumo pode tornar a pessoa mais irritável e agressiva especialmente nas crises de abstinência. Nesses casos o agressor pode apresentar inclusive um comportamento absolutamente normal e até mesmo "amável" enquanto sóbrio, o que pode dificultar a decisão da parceiro em denunciá-lo.




Violência e as doenças transmissíveis são as principais causas de morte prematura na humanidade desde tempos imemoriais, com os avanços da medicina, disponibilidade de água potável e melhorias da urbanização a redução das doenças infecciosas e parasitárias, tem voltado o foco da saúde pública para a ocorrência da violência. Contudo como observa Minayo e Souza [3] este é um fenômeno que requer a colaboração interdisciplinar e ação multiprofissional, sem invalidar o papel da epidemiologia para o dimensionamento e compreensão do problema alerta para os riscos de reducionismo e necessidade de uma ação pública.

Estatisticamente a violência contra a mulher é muito maior do que a contra o homem. Um estudo realizado em São Paulo [4] encontrou-se quanto à relação autor-vítima, que 1.496 (81,1%) agressões ocorreram entre casais, 213 (11,6%) entre pais/responsáveis e filhos, e 135 (7,3%) entre outros familiares. Esse mesmo estudo referindo-se acerca dos motivos da agressão, os chamados “desentendimentos domésticos” que se referem às discussões ligadas à convivência entre vítima e agressor (educação dos filhos; limpeza e organização da casa; divergência quanto à distribuição das tarefas domésticas) prevaleceram em todos os grupos, fato compreensível se for considerado que o lar foi o local de maior ocorrência das agressões. Para muitos autores, são os fatos corriqueiros e banais os responsáveis pela conversão de agressividade em agressão. Complementa ainda que o sentimento de posse do homem em relação à mulher e filhos, bem como a impunidade, são fatores que generalizam a violência.

Há quem afirme que em geral os homens que batem nas mulheres o fazem entre quatro paredes, para que não sejam vistos por parentes, amigos, familiares e colegas do trabalho. A cultura popular tanto propõe a proteção das mulheres (em mulher não se bate nem com uma flor) como estimula a agressão contra as mulheres (mulher gosta de apanhar) chegando a aceitar o homicídio destas em casos de adultério, em defesa da honra. Outra suposição é que a maioria dos casos de violência doméstica são classes financeiras mais baixas, a classe média e a alta também tem casos, mas as mulheres denunciam menos por vergonha e medo de se exporem e a sua família. Segundo Dias [5] o fenômeno ocorre em todas as classes porém mais visíveis entre os indivíduos com fracos recursos econômicos.

A violência praticada contra o homem também existe, mas o homem tende a esconder mais por vergonha. Pode ter como agente tanto a própria mulher quanto parentes ou amigos, convencidos a espancar ou humilhar o companheiro. Também existem casos em que o homem é pego de surpresa, por exemplo, enquanto dorme. Analisando os denominados crimes passionais a partir de notícias publicadas em jornais Noronha e Daltro [6]identificaram que estes representam 8,7% dos crimes noticiados e que destes 68% (51/75) o agressor era do sexo masculino (companheiro, ex-companheiro, noivo ou namorado) nos crimes ondea mulher é a agressora ressalta-se a circunstância de ser o resultado de uma série de agressões onde a mesma foi vítima.

Índice
1 Gênero
2 Estratégias de controle
3 Ver também
4 Referências
5 Ligações externas


Gênero
É impossível discutir a violência doméstica sem discutir os papéis de género, e se eles têm ou não têm impacto nessa violência. Algumas vezes a discussão de género pode encobrir qualquer outro tópico, em razão do grau de emoção que lhe é inerente.

Quando as mulheres passaram a reclamar por seus direitos, maior atenção passou a ser dada com relação à violência doméstica, e hoje o movimento feminista tem como uma de suas principais metas a luta para eliminar esse tipo de violência. O primeiro abrigo para mulheres violentadas foi fundado por Erin Pizzey (1939), nas proximidades de Londres, Inglaterra. Isso aconteceu na década de 1960. Pizzey fez certas críticas a linhas do movimento feminista, afirmando que a violência doméstica nada tinha a ver com o patriarcado, sendo praticada contra vítimas vulneráveis independentemente do sexo...

Estratégias de controle
Como resposta imediata, além do atendimento adequado à vítimas de violência tanto nos aspectos físicos como psicossociais, urge reconhecer a demanda nos termos epidemiológicos que se apresenta. Com essa intenção vem se estabelecendo no Brasil. O sistema de notificação de notificação/investigação individual da violência doméstica, sexual e/ou outras violências através das secretarias estaduais e municipais de saúde após promulgação da lei nº 10778, de 24 de novembro de 2003 que estabeleceu a notificação compulsória, no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos ou privados.

Além das dificuldades de produzir informações fidedignas da amplitude desses agravos face a natureza burocrática dos sistemas de informação e cultura de omitir tais agravos vergonha ou descrédito nas instituições públicas por parte das vítimas a complexidade do aparelho de Estado ou setores da administração publica onde se insere essa assistência resulta tanto na assistência inadequada a estas como no controle social do fenômeno violência ou seja a prevenção destas ocorrências e punição do agressores.

Para se ter uma ideia da complexidade do fenômeno basta examinarmos a dimensão da rede de instituições envolvidas as Unidades de Saúde do SUS (Pronto Atendimento, Setores de Emergência e da Assistência Hospitalar; Serviços de Saúde Mental) o CRAS Centro de Referência de Assistência Social do SUAS – (Sistema Único de Assistência Social); o Ministério Público, o Conselho Tutelar, o órgão responsável em fiscalizar se os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Conselho Municipal do Menor e da Criança que administra o Fundo para Infância e Adolescência, a Secretarias de governo (Secretarias de Ação Social, da Mulher, etc), Delegacia da Mulher, Vara de Família e Juizado de Menores etc. A noção rede de serviços propõem a integração dessas instituições contudo as modificações institucionais envolvem determinações de natureza política e cultural ainda inteiramente compreendidas ou controláveis.

Ver também
Agressão
Abuso infantil
Machismo
História das mulheres
Feminismo / Livros feministas
Violência contra a mulher
Lei Maria da Penha / Divórcio
Epidemiologia da violência
Referências
↑ Cavalcanti, Stela V. S. F. Violência doméstica contra a mulher no Brasil.Ba, Podium, 2007
↑ Dahlberg, L.L., Krug, E.G. Violência: um problema global de saúde pública. Ciênc. saúde coletiva vol.11 suppl.0 Rio de Janeiro 2006
↑ Minayo, M. C. de S.; Souza, E. R. de. Violência e saúde como um campo interdisciplinar e de ação coletiva. História, Ciências, Saúde— Manguinhos, IV(3): 513-531, nov. 1997-fev. 1998. disponível em pdf
↑ DOSSI, A.P.; SALIBA O.; GARBIN, C.A. S.; GARBIN, A. J.I. Perfi l epidemiológico da violência física intrafamiliar: agressões denunciadas em um município do Estado de São Paulo, Brasil, entre 2001 e 2005. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24(8):1939-1952, ago, 2008 disponível em pdf
↑ Dias, Isabel. Exclusão social e violência doméstica, que relação? Comunicação apresentada no I Congresso português de sociologia econômica realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1998 disponível em pdf
↑ NORONHA, C.V.; DALTRO M.E. A Violência Masculina é Dirigida para Eva ou Maria. Cad. Saúde Pública vol.7 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 1991 disponível em pdf
[editar] Ligações externas
Delegacias de proteção à mulher - Instituto São Paulo contra a violência
Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde
Instituto Patricia Galvão
informações para mães que deixaram um relacionamento abusivo
Laboratório de Análise e Prevenção da Violência
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
Artigos e dicas para quem sofre com a violência doméstica
Rede Social Lei Maria da Penha
Portal Mulheres

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia_dom%C3%A9stica



"Nos EUA (1994), 3% dos pais declararam usar violência grave (soco, queimaduras, armas de fogo e
armas brancas) contra os seus filhos. Estudos sugerem que 1 em cada 3 meninas e 1 em cada 6 meninos
sofreram abusos sexuais (EUA). Quase três milhões de queixas de maus tratos contra crianças foram
registradas em 1993, metade por negligência. A pobreza está associada à violência familiar. A violência
contra a mulher é universal (25% dos casais americanos passam por episódios de violência conjugal). 75%
das mulheres maltratadas denunciam que seus filhos também o foram. O simples fato de testemunhar a
violência pode ser muito nocivo. Elas podem culpar-se por ser a causa da violência. Há uma grande tendência
para que a criança que foi testemunha de violência entre os pais de se tornar um homem que maltrate a
família."

FONTE: http://www.educaremrevista.ufpr.br/arquivos_15/pascolat.pdf


Mas ainda há quem, apesar de tanta violência, saiba gerar AMOR. Tudo parte da educação que damos às nossas crias, os nossos filhos.

No próximo post irei dar-vos o meu testemunho.
Para verdes o quanto estais enganados.

domingo, 7 de novembro de 2010

OUTRAS EVIDÊNCIAS, COMO É EVIDENTE!

E lá estava eu na minha ronda, quando fui parar ao blog do MACHOALFA (esse, pelo menos, assume-se como tal, e eu só o posso elogiar por isso), sendo que me chamou a atenção um dos seus posts.

"POR QUE OS HOMENS REPELEM AS MULHERES COM FILHOS"

Vinha isto na sequência de uma observação feita por uma mulher, que os questionava a propósito.

Eis a resposta (e reparem que este ponto de vista é de um homem, não de uma mulher):

"Pô, será que é tão difícil saber esta resposta? No mundo de hoje, em que as pessoas repensam cada vez mais a decisão de ter filhos, por conta da falta de tempo para dar uma educação decente, dos gastos e até por causa da violência, será que é interessante se envolver com alguém e ganhar o pacote junto? Belo brinde!

Conheço casos de pessoas que toparam se casar com alguém que já tinha filhos. Homens e mulheres. Mas são raros. Ou, se topam, não demora muito ao relacionamento ir para o vinagre. E é perfeitamente compreensível. Você vai dizer: “ah, mas eu não tenho o direito de ser feliz?” Ou “Minha filha é ótima pessoa.” Nem se discute isso. Porém não é tão simples encontrar alguém que esteja disposto a assumi-la.

Há várias possíveis (quase certas, eu diria) situações constrangedoras em um relacionamento deste tipo. Imaginemos algumas delas:

1 – Você é separada e tem sua filha. A cada, digamos, 15 dias, o pai vem buscá-la para um passeio. Aí o teu namorado abre a porta, de cuecão, para receber teu ex-marido. Bacana, não acha? Teu namorado/marido não vai ficar muito feliz de ter que olhar para a cara do pai dela quinzenalmente (no mínimo). Podem ser ciúmes, auto-afirmação, ou um simples desconforto. Mas não vai;

2 – Você arruma um namorado. Saem para jantar e tal. Tomam umas taças de vinho. Mas nem pode ir para o motel porque precisa voltar logo pra casa, afinal tua filha é pequena. Aí vocês dão “prosseguimento” ao jantar, se agarrando no sofá da sala, ou no quarto mesmo. De repente, quando já estão os dois sem roupa, aparece a filhota: “Mãe, não consigo dormir.” Você pode estar acostumada a este tipo de situação, mas o cara não, ele nunca teve filho. E por isso não é obrigado a lembrar deste tipo de risco;

3 – Vocês casam. Tua filha não o aceita, pois queria o pai ali. Perfeitamente natural. Aí o que ela faz? Dedica-se a transformar a vida do seu novo marido em um inferno, alfinetando-o, desrespeitando-o, fazendo tudo o que ele não gosta. E uma criança revoltada pode ser tão perigosa quanto um terrorista. Já pensou ela espalhando fotos do pai pela casa e colocando a TV da sala no último volume todos os dias só para irritar o padrasto? Ele ganha um inimigo mirim dentro da própria casa e o pior: não pode enfrentá-lo de forma alguma, pois você vai brigar com ele por causa disso;



4 – Mais uma pensando em casamento, e esta é real, pois escutei de um cara que estava nesta situação: fim de semana com previsão de sol. Ele chega para você na sexta-feira e diz: “vamos à praia?” “Não podemos, a Drica tem prova no colégio, precisa estudar.” Legal, né? Ele não é pai dela. Mas tem engolir todos os sapos como se fosse, inclusive mudar os próprios planos;

5 – Namorando ou sendo casado com uma mulher que tem filhos, um homem, naturalmente, vai ter que levar o pacote junto a restaurantes, shoppings, passeios. E na hora de pagar? Se ele paga, está sustentando a filha de outro, vai se sentir um idiota. Se não paga, você vai chamá-lo de pão duro;

6 – Ele trabalhou duro a semana toda. Está cansado. O chefe o encheu como não fazia há tempos, houve diversos problemas na empresa. Ele chega em casa na sexta-feira, querendo apenar colocar um calção e abrir uma cerveja gelada e curtir o sossego do lar. Abre a porta e dá de cara com quatro pequenos demônios correndo em volta da mesa, do sofá e das cadeiras. “Amor, não deu tempo de te avisar, a Drica chamou as amiguinhas para dormir aqui”;

7 – Tua filha cresce. E como toda adolescente, começa a ter vida afetiva/sexual. Os telefones e a campainha não param de tocar, cheios de marmanjos atrás dela. De repente, tem um deles dormindo no quarto ao lado, fazendo a festa. Onde acha que fica o orgulho macho do cara? E ele não pode falar nada, a filha não é dele;

8 – Indo adiante no exemplo acima: já pensou se a tua filha engravida com 15 anos? Ele vai ganhar um neto de uma filha que não é dele. E além da encheção de saco, ainda vai ter que ajudar a pagar as contas. E nem pode ser culpado por isso, já que nem pôde educá-la, já que a filha NÃO é dele;

Tudo o que está descrito acima é plausível, mas não condiz, necessariamente, com a realidade. Apenas saiba que o cara precisa gostar MUITO de você, MUITO mesmo, e ainda por cima precisa adorar crianças, para, em um rápido espaço de tempo, passar a tratar tua filhinha como se fosse dele."

FONTE: http://colunistas.ig.com.br/machoalfa/2009/02/04/homens-repelem-mulheres-com-filhos/

Na mouche, meu caro. Chapeau!

Admiro mesmo este tipo.
Aliás, eu admiro todos aqueles que assumem aquilo que, de facto, são!

A todos um maravilhoso domingo.

sábado, 6 de novembro de 2010

AS EVIDÊNCIAS, COMO EU VOS DIZIA!

Vira e volta, sondo opiniões e reacções. Ora vejam:

(Um senhor) Bruxas sim!
Chegamos ao ponto de existir uma lei para tratar de alienação parental. Sim, tivemos que chegar a esse ponto justamente por causa das bruxas e vamos cassá-las sim. Tratar tal descrição como ciência barata vem justamente da latrina que
infelizes como essa Rita carregam acima do pescoço. Por causa de bruxas como
ela o estado gasta a cada dia mais dinheiro para criar leis que protejam nossas
crianças. Talvez seja barata também as pesquisas que dizem que a grande
maioria de presidiários (73%) não tiveram PAI . Educação moral realmente não é
o forte das bruxas se é que elas sabem o que é isso. Não sei se já existe alguma
mas aposto muito que se fizerem uma pesquisa com a viadagem vão ver também
que a maioria não teve PAI. Também chegarão à conclusão de que as bruxas
REJEITADAS que praticam alienação parental são infelizes por não conseguirem
segurar seus pares. Esta é a proposta. Colocar freio e cabresto nas BESTAS
REJEITADAS para que os filhos não se transformem em uma nova BRUXA. Apostaria
mais ainda em uma pesquisa que certamente mostraria que quem é contra a
lei de alienação parental NÃO TEM OU TEVE PAI pois, se tivesse , certamente
tería mais educação moral sobre o que é certo ou errado. Não condeno a fraqueza psicológica de quem não tem ou teve pai pois estas são provas vivas
de que as bruxas, a maioria delas, não são capazes de criar filhos sozinhas sem
que os mesmos adquiram seus "valores morais" como mentira, infelicidade,
angústia, solidão,etc. Pessoinhas mal amadas que não tendo como ganhar o amor
e carinho dos filhos por méritos dão seus gritinhos públicos para chamarem
atenção. Que as bruxas não se esqueçam de que quando são rejeitadas e descartadas elas são trocadas por outra bruxa. Mas caso seu ex amor tenha te
trocado por um bruxo do mesmo sexo dele, compreenda, pois é muito provável que ele não tenha tido PAI.
Que venha a lei.
Uma dica à quem está sendo vítima de alienação parental e a justiça demora
(como sempre) em atendê-lo: Enfia a mão na cara da vagabunda que eles vão te
ouvir rapidinho. Detalhe: seu crime será facilmente desqualificado por ter agido
de maneira a proteger uma criânça em situação de extremo perigo convivendo com uma bruxa.
CAÇA ÀS BRUXAS JÁ!




(Uma senhora) Vc é uma figura!! Meu companheiro tem uma bruxa, que além de fazer essas loucuras ainda maltrata dos filhos. São umas recalcadas mesmo, a lei não ampara o pai que sofre com essas mulheres, no caso do meu marido, essas crianças precisavam ser supervisionadas para poder ver a agressora da mãe. Mas a psicologa afirmou que ela está apenas em uma fase ruim, que fase!! dura 3 anos, 3 anos e duas crianças com a vida destruída e maltratadas, a úlitma foi uma micose que deixou a mais nova careca. Aff


(Uma senhora) Se retrate. Não tive pai, minha mãe não é bruxa, não sou bruxa e mulheres não são bruxas, seu doente. Vc é uma pessoa desequilibrada e amoral! Além de um completo idiota e mal educado! Sou a favor da Lei e acho que está demorando muito pra ser aprovada. Criei minha filha sozinha e, se meu atual marido me deixasse, seria capaz de criar nosso filho sozinha tbm! Aliás, criei os dois muito bem! São crianças saudáveis e muito inteligentes! Diferente de vc, que é um palhaço!


(Um senhor)(...). Sabemos que 80% das crianças que ficam com as mães e avós sofrem alienação parental. Meu caso não foi diferente e a lei chegou muito tarde para mim (demorou só 20 anos em relação aos Estados Unidos). As bruxas são muitas e agora poderemos combatê-las !


(Uma senhora)Esta acusação às mulheres e mães de estar a lavar o cérebro dos seus filhos faz lembrar a caça às bruxas ou a inquisição. Parece que não há qualquer outra razão para um filho não querer se encontrar com o seu pai que não seja por estar a ser manipulado pela "bruxa" da mãe, que é mulher e por isso um ser naturalmente dado à manipulação - uma bruxa que devemos queimar ou apedrejar na praça pública.

As causas mais prováveis para uma criança se recusar a ver um dos genitores são outras. A mais grave de todas é o abuso sexual por parte desse genitor e vários estudos (em Espanha e nos Estados Unidos) indicam que a percentagem de falsas denuncias por crimes de natureza sexual contra crianças é muito mais baixa do que a percentagem de falsas denúncias por outros crimes. Quando as crianças dizem que estão a ser abusadas o mais provável é que estejam mesmo a sê-lo.

Em Espanha estão a legislar em sentido inverso ao do Brasil: estão a proibir a utilização do conceito de alienação parental na justiça. E a promover a denuncia de peritos que utilizem esse conceito em autos periciais às Ordens Profissionais respectivas.

O conceito de alienação parental não é reconhecido no mundo da Ciência. A Organização Mundial de Saúde não o reconhece. O DSM (American Psychiatric Association’s Diagnostic and Statistical Manual) não o reconhece.

Richard Gardner (que desenvolveu esta teoria da Alienação Parental) não era psicólogo nem psiquiatra. Era médico, sim, mas clínico geral. Desenvolveu a sua teoria para defender pais (homens), ex-combatentes na Guerra da Coreia, todos acusados de violência doméstica contra suas mulheres, em seus processos de divórcio e regulação de poderes paternais. Gardner defendia também, nas suas primeiras publicações, a pedofilia.

Vejam a reportagem Americana da PBS no youtube intitulada "Breaking the silence: Children's stories" - http://www.youtube.com/watch?v=lR4pMTwTXg0

Ou a do canal português RTP, sobre um caso recentemente passado em Portugal intitulada "Filha Roubada"- http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/linhadafrente/?FILHA-ROUBADA.rtp&post=5873

FONTE: http://vilamulher.terra.com.br/alienacao-parental-8-1-55-259.html


O QUE AS FILHAS ESPERAM DE UM PAI

Pais de filhas

Um homem corre para a maternidade levando uma mulher prestes a dar à luz. Depois de toda a correria há um momento em que ele fica sozinho, aguardando que lhe seja dada a notícia do nascimento. “É uma linda menina!”. Pronto! Um turbilhão de pensamentos e emoções derrubam o “gigante” papai. “Uma menina. E agora?”.
Seguindo uma lógica “natural”, é mais simples para um homem acreditar que sabe cuidar de um outro homem. Neste caso, a educação de um filho seria bem mais fácil de administrar. Mas como a escolha do sexo dos filhos ainda não compete aos pais... Quais são as dores e as delícias de ser pai de uma menina? Qual a diferença entre criar filhos e filhas? Como são, na realidade, as meninas? Com um pai pode entender uma menina, se ele é um homem?

A primeira coisa que precisa ficar clara é que o pai é o primeiro modelo de homem para os filhos, sejam eles meninos ou meninas. Entretanto, este não deve ser um fator de pânico. Significa que ele, o pai, vai ser um referencial, e o futuro da relação com a filha vai depender de como vai conduzir a sua educação. Esse talvez seja o fato que mais assuste o homem. Em sua imaginação, ele crê que precisa ser infalível. Para as meninas, a figura paterna significa o porto seguro. Afinal ele é “o maior pai do mundo”, “o mais forte”, “o mais bonito”!
De verdade, durante a primeira infância existem duas coisas que um pai necessita prover: segurança e afeto. A segurança é conquistada através de coisas básicas como, por exemplo, dar banhos, alimentar a criança, trocá-la com regularidade. No livro “Pais e Filhas”, Jack e seu pai, Jerry Schreur, vão mais longe, e afirmam que “elas precisam ser seguradas, amadas, abraçadas, precisam ouvir você cantar, precisam de carinho”.

Suas experiências resultaram num texto que mostra o que vai na mente de pais e filhas, principalmente, quais são as expectativas de uma menina em relação ao seu pai. O que descobriram não foi nada revolucionário. Eles perguntaram aos pais como era ser pai de filhas, e às filhas, o que elas precisavam de seus pais.

Existem cinco coisas que, segundo os autores, são fundamentais. Uma delas é básica: é preciso se dispor a ouvir e entender. Estabelecer a conversa, olhar no olho, prestar atenção e deixar que a menina faça parte do mundo do pai. Como? Segundo os escritores, existem cinco coisas que pais precisam saber.

1 - Um tipo diferente de contato físico

Os pais muitas vezes querem tocar as filhas, mas não sabem como fazê-lo. “Nossas filhas precisam ser abraçadas, elas precisam sentir a segurança que vem quando elas são amadas e apropriadamente tocadas pelos pais”, ensinam Jack e Jerry. Portanto, seja carinhoso. Existem várias formas de demonstrar carinho: abraçar, beijar, brincar, contar histórias, exercitar-se juntinhos, dizer “eu te amo”.

O pastor Marcelo Aguiar, da Igreja Batista da Mata da Praia, reforça que meninas que têm contato físico saudável com os pais se tornam moças mais bem resolvidas quanto à sua auto-estima e sexualidade. “O toque saudável é inclusive uma forma de estar protegendo nossas meninas. Na adolescência elas não terão tanta necessidade do contato físico masculino, portanto, estarão mais bem preparadas para lidar com os namorados e a sexualidade”, explicou o pastor, que é pai das pequenas gêmeas Amanda e Beatriz, de cinco anos.

Por outro lado, ele também lembrou que existem meninas que são abusadas sexualmente pelos próprios parentes, às vezes, até mesmo pelos pais. Esse tipo de contato, ao contrário do carinho, gera medo, desconfiança e insegurança.

Outro fator a considerar é a forma como o pai se comporta diante das filhas: “Uma menina que vê o pai tratar a mãe de forma grosseira tende a ver os homens com desconfiança. Isso pode gerar nela a vontade de não se casar, porque teme sofrer os mesmos constrangimentos que a mãe”.

2 - Falar com gentileza

Os pais precisam parar para pensar antes de falar. Meninas se importam muito com as palavras dos pais. “As filhas com quem nós conversamos não queriam ser tratadas com luvas de pelica, mas também não queriam ser desmerecidas Queriam que seus pais usassem as palavras com gentileza”, explicam Jack e Jerry. Meninas costumam levar as palavras para o lado pessoal. Mesmo que o pai esteja brincando ao chamá-la de “gorda”, e que ela saiba que não é, este tipo de comentário pode tornar-se uma catástrofe.

Entretanto, elas não precisam ser tratadas como se qualquer coisinha fosse quebrá-las, porque não são bonequinhas frágeis. Como seres humanos, quando são tratadas como bonecas são privadas de auto-estima, da oportunidade de tentar coisas novas e do aprendizado proveniente do fracasso.

Pastor Anival dos Santos, líder da Assembléia de Deus Missão Mundial, em Ilha de Monte Belo, que tem três filhas, disse que até para ele parecia que criar um menino seria menos trabalhoso. “As filhas precisam de mais carinho, cuidado e atenção, e exigem isso”, disse. Juntamente com a esposa Nilcéa Ferreira de Souza dos Santos, pastor Anival teve as filhas Sueneide de Melo dos Santos Vidal (33 anos, já casada há 12 anos), Raquel Falki Santos (25 anos, casada há 3 anos) e Maressa de Souza Santos (11 anos). A família também tem o filho Wesley de Souza Santos, de 14 anos.

3 - Expressar confiança

Além das palavras gentis, meninas precisam que seus pais expressem de forma clara sua confiança nelas. “Elas precisam disso com freqüência, repetitivamente e para valer. (...) Eu não sei por que isso, mas as filhas precisam desse encorajamento mais do que os filhos”, afirmou Jack no livro, lembrando que é preciso transmitir esse sentimento às meninas: “Frequentemente nós falhamos em transmitir isso a elas. Essa confiança e fé que temos nelas não lhes farão bem se forem apenas sentimentos ocultos dentro de nós”.

4 - Presença paterna é necessária

Pais precisam se organizar para estar presentes em eventos como apresentações de balé ou de esportes, formaturas, passeios aos finais de semana. Mas é necessário todos os dias ter um momento de completa dedicação à filha. “É completamente impossível construir uma amizade íntima com alguém que você mal vê”, dizem Jack e Jerry. Todo o processo de construção da identidade de uma menina pode fracassar sem um pai presente. “É preciso que o homem não se deixe esmagar pela correria da vida. Todo o tempo disponível deve ser dado ao convívio com a família”, alertou Átila José dos Santos, pastor colaborador da Igreja Presbiteriana Unida de Jardim da Penha, hoje com 60 anos. Segundo ele, apesar de ser uma tarefa difícil, ser pai é uma experiência ímpar. “Tenha paciência para enfrentar a multidão e comprar a maçã do amor, levar à praia e aos aniversários dos amiguinhos. Esse lado da paternidade é tão bom e passa muito rapidamente. Aí, quando a asa crescer, deixe que a criança alce seu vôo”, finalizou o pastor Átila.

5 - Não estereotipar

Entretanto, é preciso deixar sua filha ser aquilo que ela foi dotada por Deus para ser. Não adianta tentar forçá-la a se encaixar num molde ou dentro de um estereótipo, pois o resultado pode ser desastroso. “A sua filha é única e maravilhosa. Deixe-a ser o que ela precisa ser”, ensina Jack .

Aprendendo e pensando no futuro

Como afirmaram os pastores, se o futuro das famílias depende da convivência no presente, é bom reforçar a atenção ao convívio que se está tendo com as filhas. Pastor Anival aprendeu isto desde muito cedo, dentro da casa dos próprios pais. “O bom testemunho depende dos pais. Eu tive pais que me criaram dentro da Palavra e me deram o que eu precisava para ser pai também. Todos os dias nós tínhamos cultos domésticos. Não consigo fazer tudo que o eles faziam, mas o que eu aprendi com eles coloquei em prática com os meus filhos”, contou Anival.

O testemunho de vida é fundamental. Senhor Claudio da Silva Luzes, que congrega na Primeira Igreja Batista de Vitória, conta ter se convertido quando a filha era ainda um bebê de colo. Hoje ela tem 24 anos e é casada. Ele afirma que ter Deus no coração faz toda a diferença na hora de ser pai. “Os pais têm que ser espelho, para refletir aquilo que os filhos devem ser. Porque não adiantaria nada eu falar para minha filha fazer uma coisa, sendo que eu faço outra”, exemplificou. Claudio lembra que existe um versículo que sempre o orientou como pai (Provérbios 22.6): “‘Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele’. A Palavra ensina que não existem outros caminhos. Quando você é servo do Senhor, e os filhos são servos, tudo fica mais fácil. Mesmo que houvesse discordância entre eu e a minha filha, com o passar do tempo ela foi conhecendo a Palavra e compreendendo meu papel de pai”, complementou ele, que também é pai de um rapaz de 19 anos.

Pais de verdade

Pai de verdade, disposto a ser amigo e companheiro, dividindo seu tempo e conhecimento, adquirindo outros saberes. Esse é o pai de que a sociedade precisa com urgência para restabelecer seus valores. O pastor Átila lembrou através de uma metáfora aquilo que hoje falta à sociedade: Há muitas vigas, mas faltam colunas. “Do ponto de vista da fé cristã, a sabedoria é realmente determinante na vida, muito mais que o conhecimento, pois ela é a junção de muitos fatores. Uma vida de pai e de filho vivida numa perspectiva de construção e edificação da família deve ter valores que são assentados na sabedoria”, ensinou ele, que tem duas filhas, Tatiana Serafim Louzada dos Santos, de 32 anos, e é casada há 1 ano, e Ludmila Serafim Louzada dos Santos, que tem 30 anos e se prepara para casar.

Na segunda carta de Timóteo 3.16 pode-se ler o ensinamento que ajudaria todos os pais a compreender sua missão como pais, sacerdotes e semeadores do futuro: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”.

Uma menina nasceu. E agora? Isso significa que o pai recebeu a chance de interferir diretamente no futuro não só de sua casa. Criar uma menina, uma mulher, uma futura mãe, significa ganhar a chance de preparar uma educadora de pessoas melhores e, conseqüentemente, um mundo melhor. O homem que recebe a bênção de ter filhas deve usar o conhecimento e a sabedoria da Bíblia para que elas sejam as melhores mulheres do mundo.


FONTE: http://www.comunhao.com.br/materias/familia/item/3921-pais-de-filhas


Nota minha:

Penso que o que se espera de um modelo de pai difere do que se espera do modelo de mãe. Como eu já havia dito, um pai pode até nunca dar banho ou trocar uma fralda. Ou pode até fazê-lo, uma vez por outra. Não é tanto isso que se espera, creio eu, de um pai.
Se o papel e as funções de um pai fossem exactamente o que se espera da mãe, já não poderiamos falar de um modelo masculino e de um modelo feminino. Parece-me a mim.

Passo a ilustrar, com muito humor:


RECUSO-ME A SER BARRIGA DE ALUGUER!!!!!!!!!!!!!


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