Mostrar mensagens com a etiqueta homem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta homem. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de julho de 2011

NASCI MULHER

Se és Mulher, este fórum interessa-te de certeza.

Se és homem, não te custa nada conhecer um pouco mais o mundo das mulheres.



Só assim uma mulher se compreende e aceita tal como é.

Só assim o homem a aceita e a compreende, tal como ela é.



Hoje venho recrutar amigas ( e porque não amigos?) para este fórum.

A ver se ganho o concurso da que leva o maior número;)



(a mim pouco me importa que sejam poucos, desde que sejam bons!)



Fico à vossa espera, por lá.

Digam que vão pela minha parte.

Pela parte da Sara.




http://nascimulher.forumeiros.com/



sexta-feira, 17 de junho de 2011

A NOSSA BURRICE - NOTRE GROSSE BÊTISE

Dizem que o homem é mais inteligente que a mulher. Que tenha o cérebro maior não significa que o seja, embora jogue a favor. Sem esquecer que até há pouco mais de um século só ele tinha acesso ao ensino, pelo menos a um nível muito superior àquele que era permitido à mulher.



Compreendo que a mulher tenha sentido necessidade de lutar contra os entraves que não lhe permitiam aceder a tudo aquilo a que o homem tinha direito. Não era certo, tão pouco aceitável, que ela fosse considerada inferior ao homem.



A nossa burrice foi ter querido imitar o homem em tudo, acreditando que fazendo igual a ele seríamos iguais a ele. Engano nosso. Transformamo-nos num objecto sexual, à mercê do homem. Perdemos bem mais do que contávamos ganhar.



Quando um filho nosso entra num gang e adopta o comportamento do grupo para se sentir igual, nesse dia temo-lo perdido. Julgando ser livre de fazer o que ele quer, ele encontra-se preso nas malhas do vício. Com a mulher passa-se um pouco o mesmo: para ser aceite, adoptou os mesmos comportamentos que o elemento mais forte. Tal como sucede nos grupos de gangs, ela será tratada de igual para igual, mas nunca será igual.



Tivesse ela compreendido isso, e teria agido de outra forma.

Ainda estamos a tempo de provar que somos, de facto, bem mais inteligentes do que muitos crêem.













On nous dit que l'homme est plus intelligent que la femme. Qu'il ait un cerveau plus grand ne prouve rien, même si ça compte. On ne peut pas oublier que jusqu'à peu près un siècle il était le seul à faire des études, du moins jusqu'à un niveau supérieur à celui qui était permis à la femme.



On peut comprendre que la femme ait du lutter contre les obstacles qui l'empêchaient d'accéder à tout ce que l'homme avait droit. Ce n'était pas juste, encore moins acceptable, d'être considérée inférieure à l'homme.



Mais on a commis l'ânerie d'imiter l'homme en tout, trôp croyantes que, en faisant pareil à lui, on serait pareilles. Grosse bêtise. Nous nous sommes transformées en objet sexuel, à mercê de l'homme. Nous avons perdu beaucoup plus qu'on ne comptait gagner.



Si un de nos enfants joint un gang, il adoptera le comportement du groupe pour se faire égal. Ce jour-là nous l'aurons perdu. il se croira intièrement libre, alors qu'il est pris au piège. Avec la femme c'est pareil: pour être acceptée, elle a adopté les mêmes comportements de l'élément plus fort. Tout comme il se passe dans les gangs, elle sera traitée à l'égalitaire, mais jamais elle sera considérée égale.



Si elle avait compris cela, elle aurait agit autrement.

On peut encore prouver que nous sommes, en fait, beaucoup plus intelligentes qu'on ne le croit.

terça-feira, 24 de maio de 2011

DA FORÇA BRUTA AO ABOMINÁVEL, VAI UM PASSO!

Temos um pai, general do exército, que põe os seus interesses acima do amor da filha.



Temos Bruce que, exposto a altos níveis de matéria nuclear, se transforma numa força bruta, pronta para matar.



Temos um outro oficial do exército, cheio de sede de vingança, que se submete livremente a um teste que o transforma num ser abominável.



E temos uma mulher que, apesar de tudo, continua a amar o pai e que tudo faz para salvar Bruce de si mesmo, ajudá-lo a ser o que ele fora outrora.



A história de Hulk nos mostra bem aquilo em que nos podemos tornar quando expostos a sentimentos de ódio e de vingança: em seres abomináveis.



Por momentos acreditamos que o amor dessa mulher trará o pai à razão e salvará aquele que ela ama. O momento em que Hulk recolhe uma lágrima dela, frágil e pequena ao lado dele, nos leva a essa conclusão. Que dentro daquela força monstruosa subsiste um ser fragilizado pelo sofrimento, por uma vida que ele não desejou para si, capaz ainda de amar.



Porém, quando o mal nos entranha, dificilmente nos livramos dele. Como uma doença fulminante, que ameaça ser terminal (e para muitos é), ele nos persegue ainda e sempre. Forças maiores nos impedem de ser aquilo que, de facto, somos, ou que gostaríamos de ser. De amar.





http://youtu.be/hFggtkoBNns

sexta-feira, 29 de abril de 2011

ATÉ QUE O DIVÓRCIO OS SEPARE!

Nos tempos que correm, o divórcio tornou-se uma normalidade. Os "anormais" são aqueles que ficam junto "até que a morte nos separe"!

Talvez me engane, mas estou em crer que a Kate (perdão, Catherine) não conseguirá levar avante o voto de fidelidade que hoje fez ao seu príncipe. Depois do casamento real, é tempo de cair na realidade.

Oxalá me engane...

E o que acontece, se o casamento se desfizer?
Dá os filhos que deu.

É a mulher que dá os filhos ao homem, e não ao contrário. Ora, se Kate se separar de William, os filhos que ela lhe deu ficarão com o pai. Dá-os, literalmente. Definitivamente. Poderá visitá-los e estar com eles, mas não poderá tê-los consigo. Para ela não há outra opção.

Se isso lhe traz algum consolo, para muitas de nós também não. É ver os quantos casos de pais que, por meios nunca dantes utilizados, dê por onde der, conseguem a guarda dos filhos.

Eu aqui não me engano, nem vos quero enganar.
É a mais pura verdade.

sábado, 2 de abril de 2011

DEFENDERIEIS O VOSSO GENRO COMO DEFENDEIS O VOSSO FILHO?

Imaginando que terieis um filho cuja ex iria mudar-se para o local onde se encontrasse o seu novo companheiro, e uma filha cujo ex exigiria que permanecesse no lugar onde estivesse (ao invés de seguir o seu novo companheiro), qual seria a vossa posição, enquanto mãe?

Uma boa questão, tendo em conta que, na generalidade dos casos, é a mulher quem segue o homem, e também é ela quem, regra geral, abdica da carreira em prol da família e dos filhos...

Aguardo as vossas respostas.

sábado, 26 de março de 2011

DO COMPLICADO AO SIMPLES!

Dei por mim a pensar: o homem desenrasca-se bem com coisas complicadas, mas vê-se à rasca com coisas simples; a mulher, o contrário.

Conclusão?

terça-feira, 8 de março de 2011

NO DIA DA MULHER... FALA-SE DO HOMEM!

Isto no programa "Maternelles", que costuma dar todas as manhãs no canal 5, aqui em França!

Deve ser porque também é "Mardi Gras" (seria, nesse caso, uma piada de mau gosto?!) e, ainda por cima, inauguramos também hoje a nova televisão numérica que, a meu ver, não faz diferença da anterior.

Pergunto-me como é que num programa diário resolvem falar do novo pai logo hoje, no dia dedicado à Mulher!

Dizia, a alturas tantas, uma das intervenientes que uma mulher não tem de se sentir culpada por ir trabalhar muito cedo deixando um filho de tenra idade aos cuidados de outros, nomeadamente do pai, pois -assim o garantia a entrevistada- a criança não se ressente em nada da ausência da mãe.

Ora, tendo em conta que cada mulher é diferente, e que cada uma deve ter ESCOLHA NA MATÉRIA, acho que não é muito apropriado dar conselhos que vão contra aquilo em que a maioria de nós acredita. Acreditamos que devemos dar UM lugar ao pai, mas não O NOSSO lugar!

Pelo bem dos nossos filhos que, em tenra idade, precisam de ser maternizados, sendo que a mãe é de todas as pessoas -repare-se que eu não excluo ninguém-, a MELHOR para o fazer! Salvo algumas excepções, claro...


Repare-se que mesmo as crianças que são maternizadas por outros, nomeadamente pelo pai, buscam refúgio na mãe, quando a situação ou outras pessoas lhe são estranhas e lhe causam medo.

Isto, no dizer de muitos profissionais, significa que, mesmo não sendo ela quem cuida mais da criança, é ela a principal figura de referência. Por outras palavras, o ser outra pessoa a cuidar da criança não muda em nada esta VERDADE UNIVERSAL.


Hoje, mais do que nunca, se faz necessário este dia comemorativo, para lembrar a todos e a todas que temos sempre um VOTO NA MATÉRIA, e um DIREITO DE ESCOLHA, principalmente no que se refere a NOSSA gravidez, o NOSSO parto e os primeiros anos de vida dos nossos filhos, já que somos figuras essenciais nestas etapas, e, sem dúvida alguma, a sua principal figura de referência.

Se acaso ainda há quem não entenda este princípio, fazemos como as outras, no filme que eu vi ontem à noite: uma greve!

E quando digo greve, digo uma verdadeira mobilização!

Não haveria mulher alguma (nem a maezinha, nem a chérie, nem a mulher ou a ex-mulher,...), não haveria uma sequer para dar apoio ao homem, que acha que o nosso lugar também é o dele, tal como o fazem os pássaros e os peixes. Os mamíferos não o fazem assim, mas nós, mesmo o sendo, somos à força uma excepção.

A ver se encontro esse telefilme, que vi no canal TF1.
O quanto eu me ri.

Entretanto deixo-vos aqui um pequeno relato e esta petição:

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1300


Eis um pequeno relato:

Dans la maison de la Charmeraie, Suzie exerce sa passion pour la peinture dans son atelier tandis que Franck, ancien pilote, est sur le point de signer un important contrat pour son invention de moteur électrique.

Alors que Suzie et ses amies n'ont que trois semaines pour préparer leur exposition de peinture dans l'atelier, Franck décide de le réquisitionner. Bien décidées à ne pas se laisser faire, Suzie, Cécile, Sonia et Hélène vont lancer une «grève des femmes» qui va bientôt gagner tout le village de Saint-Vernet.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

JE FAIS DES ENFANTS AVEC QUI JE VEUX, QUAND JE VEUX!

Ah, ça se sont les feministes qui le disent, vous me le direz.
Eh bien, vous vous trompez. Ça, se sont les hommes qui le disent.

Au moins ceux qui font partie d'une certaine association (pour les hommes, bien sûr), qui défend le droit de réjeter la paternité d'un enfant à venir.


Je crois que ce droit, ils l'ont déjà.
A moins qu'il veulent le droit de faire une femme avorter, s'ils sont bien décidés à ne pas avoir d'enfants à ce moment là...

Ce qui est en question pour eux, ce sont les femmes qui leurs disent qu'elles prennent la pilule, et qui tombent enceintes après une relation passagère, voire d'un soir.

Je suis d'accord: ce n'est pas bien de leur dire une chose, alors qu'elles veulent une autre. Mais, messieurs, notre nature n'est pas tout à fait la vôtre, bien au contraire. Donc c'est bien normal qu'on ait -nous, les femmes- ce désir de grossesse.

Un homme peut devenir père, tout aussi comme la femme peut devenir mère. Mais il ne peut pas avoir une grossesse. Même si on pretend que la grossesse se vit à deux, seule la femme la vit. L'homme vit la grossesse de sa femme, à sa manière. Mais il ne peut pas savoir ce que c'est de la vivre vraiment, d'en avoir le désir.

Alors, messieurs, si vous ne voulez pas qu'une femme -la vôtre ou une autre- tombe enceinte, mieux vaut que vous ne faites rien avec cette femme. Si vous ne voulez pas d'enfants, ne faites rien.

Car vous ne pouvez pas empêcher notre désir de grossesse. C'est dans notre nature. La plupart de nous pense à autre chose que le sexe, vous le saviez?

Si nous ne pensions qu'à ça, nous ne serions plus des femmes:
nous nous aurions transformé en hommes!

Si vous ne voulez que du sexe, vous n'avez qu'à trouver un autre homme.
Car. messieurs, la nature ça se change pas.



"Ao longo da nossa história evolucionária, homens e mulheres defrontaram diferentes oportunidades e constrangimentos. Para o homem o sexo casual com uma estranha representava um risco menor – infecção, descoberta pela mulher – e uma grande recompensa potencial: a adição a baixo custo de mais uma criança ao seu património genético. Os homens que agarraram tais oportunidades deixaram certamente mais descendentes do que os homens que o não fizeram. Por isso, e uma vez que por definição somos descendentes dos antepassados mais prolíficos, torna-se razoável defender que os homens modernos possuem traços de oportunismo sexual. Praticamente todos os machos mamíferos o possuem, mesmo aqueles que são predominantemente monogâmicos. O que não quer dizer que todos os homens sejam irremediavelmente promíscuos ou que todo o homem seja um potencial violador; apenas que os homens são mais facilmente tentados pelas oportunidades do sexo ocasional do que as mulheres."
Matt Ridley, Red Queen

(ver o post DIREITOS IGUAIS, CONSOANTE AS DIFERENÇAS E AS NECESSIDADES)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

UM DIREITO IGUAL, CONSOANTE AS DIFERENÇAS E AS NECESSIDADES!

Proponho-vos a leitura deste texto, para que, num próximo post, tiremos as nossas conclusões:

Amor, Guerra de Sexos e Natureza Humana


Uma mulher sem um homem é como um peixe sem uma bicicleta.

Atribuído a Gloria Steinem, feminista americana.



As mulheres que procuram ser iguais aos homens, têm falta de ambição.

Timothy Leary, 1920-1996, escritor americano citado em www.womens.Net

Alguns homens são decentes, hoje em dia. Podemos gostar deles. Temos ainda que os manter na linha, claro está, mas já não é mais necessário abatê-los à primeira vista.
Cynthia Heimel, escritora americana, Sex Tips for Girls

Há uma guerra de sexos, por detrás das relações de amor – ou que deveriam ser de amor – entre homem e mulher?

A opressão a que as mulheres foram sujeitas em sociedades do passado, ou certas guerras de palavras e acusações presentes, parecem confirmá-lo. Há diferenças de natureza entre o homem e a mulher, a abrir uma base conflitual.

No entanto, contraditoriamente, muitas mulheres (algumas feministas), negam essas diferenças de natureza:


Não nascemos mulheres; tornamo-nos mulheres
Simone de Beauvoir

Não há um espírito feminino. O cérebro, como o fígado, não é um órgão sexual
Charlotte Gilman

A guerra, neste caso, teria pouco sentido. As diferenças entre sexos seriam uma questão cultural e acabariam com o aperfeiçoamento ético da espécie humana. Os progressos recentes apontariam aliás nesse sentido, como parece constatar Virgínia Woolf:


Todas essas pequenas coisas de sexo contra sexo, de qualidade contra qualidade, todas essas reclamações de superioridade ou inferioridade, pertencem ao estádio escolar da existência humana, em que havia dois lados, e era necessário um dos lados bater no outro.

Mas a questão parece ser bem mais complexa. A ciência tem vindo a constatar diferenças, e subjacente à grande literatura há essa mesma constatação. Não há apenas dimorfismo corporal. Há também dimorfismo mental entre homem e mulher:
Ao longo da nossa história evolucionária, homens e mulheres defrontaram diferentes oportunidades e constrangimentos. Para o homem o sexo casual com uma estranha representava um risco menor – infecção, descoberta pela mulher – e uma grande recompensa potencial: a adição a baixo custo de mais uma criança ao seu património genético. Os homens que agarraram tais oportunidades deixaram certamente mais descendentes do que os homens que o não fizeram. Por isso, e uma vez que por definição somos descendentes dos antepassados mais prolíficos, torna-se razoável defender que os homens modernos possuem traços de oportunismo sexual. Praticamente todos os machos mamíferos o possuem, mesmo aqueles que são predominantemente monogâmicos. O que não quer dizer que todos os homens sejam irremediavelmente promíscuos ou que todo o homem seja um potencial violador; apenas que os homens são mais facilmente tentados pelas oportunidades do sexo ocasional do que as mulheres.
Matt Ridley, Red Queen

As diferenças entre homens e mulheres não implicam, obviamente, que tenha que haver uma inevitável guerra de sexos, e que as aberrações do passado se tenham que repetir no presente. Significa apenas que devemos estar atentos a elas, e informados, sob pena de cairmos em conflitos e situações desagradáveis e mesmo aberrantes.

Citações
A natureza feminina: sim ou não?


A pretensa natureza feminina é uma coisa eminentemente artificial - o resultado de uma repressão forçada ou de estímulos numa certa direcção.

John Stuart Mill, 1806-1873, filósofo e político inglês, The Subjection of Women




Não há um homem inteiramente masculino nem uma mulher inteiramente feminina.

Margaret Fuller, 1810 - 1850, escritora americana, Woman in the Nineteenth Century



Tenho os dois sexos do espírito.

Michelet, 1798-1874, escritor e historiador francês, Les Deux sexes de l'esprit




A nossa civilização favorece no homem a emergência de sentimentos e sensibilidades considerados femininos, e favorece na mulher a expressão de qualidades organizadoras consideradas masculinas.

E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V




O unissexo significa não a abolição da diferença dos sexos, mas o reconhecimento da sua parte comum.

E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V




Cada humano, homem ou mulher, traz consigo a presença mais ou menos abafada, mais ou menos forte, do outro sexo.

E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V




Há homens mais ou menos efeminados e mulheres mais ou menos virilizadas, e toda a gama dos bissexuais, homossexuais e transexuais que escapam à alternativa simplificadora.

E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V




É quase sempre o lado feminino do homem que o livra do pior.

A. Comte-Sponville, filósofo francês, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes




As mulheres são menos enganadas pelas ideias do que os homens, e isso é, claro está, uma vantagem.

A. Comte-Sponville, filósofo francês, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes




Amor e Casamento? Ver também:
Revolta Feminina e Queixas da Mulher
Pensamento tradicional do Homem sobre a mulher
Prisão e desilusão na casamento
Opressão das mulheres e genes masculinos
Amor feminino e jogos de sedução
Machismo do homem e feminismo radical
O casamento é uma decisão irracional
Casamento como o túmulo do amor


FONTE: http://www.lovessaysbook.com/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SÍNDROME DE COUVADE!

Síndrome de Couvade: a paternidade a flor da pele

A Síndrome de Couvade, não é uma doença, mas um conjunto de sintomas que podem aparecer nos homens durante a gestação. O pai se exprime psicologicamente ao assumir a gravidez apresentando sensações semelhantes aos da companheira grávida. Os futuros pais podem engordar, sofrer com enjôos, desejos, crises de choro ou mesmo depressão.

Os sintomas também demonstram a necessidade que muitos homens têm de se tornarem pais. A ansiedade, aliada a uma forte ligação afetiva e emocional com a mulher, acaba por transferir para o marido uma série de sensações que costumam se manifestar somente na figura feminina.

Pesquisas indicam que a metade da população de futuros pais (54%) desenvolve alguns sintomas relativos à gravidez durante o curso da gestação.

A Síndrome não costuma causar distúrbios psíquicos e normal que aconteça, sendo aconselhável procurar um especialista somente quando a situação foge de controle e passa a incomodar o casal e as pessoas próximas.

FONTE: http://www.tuasaude.com/sindrome-de-couvade-a-paternidade-a-flor-da-pele/





O MEU COMENTÁRIO:

Não pondo em dúvida o que aqui é dito, não será que esta síndrome, à semelhança de outras, reflecte, sobretudo, uma chamada de atenção?

Uma vez que todo o processo da gravidez se gera na mulher, e é esta quem recebe mais atenção dos outros, o homem, sentindo-se de parte, desenvolve uma espécie de "gravidez psicológica".

Com síndrome ou sem ela, só a mulher pode engravidar.
Nunca o casal. E muito menos o homem.

A mulher vive a gravidez, o homem a couvade.

Não existe "o casal está grávido", a menos que ambos estejam realmente grávidos. O que é impossível.

Da mesma forma que existe a gravidez psicológica na mulher (quando esta nem sequer está grávida!), também existe no homem.

Mas no momento em que que a mulher está, de facto grávida, só um deles é que está a passar por uma gravidez psicológica: o homem.

A minha convicção é que a síndrome de couvade reflecte, principalmente, uma chamada de atenção.

E não é porque uns e outros argumentam que estes sintomas são involuntários que o que digo é menos verdade.

Regra geral, esta chamada de atenção é inconsciente, traduzindo-se pelos tais sintomas.


ALGUMAS INFORMAÇÕES ÚTEIS:

Couvade
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Couvade é o conjunto de interdições e de ritos, característicos da cultura de determinados povos, que um homem está obrigado a realizar durante a gravidez da mulher e logo após o nascimento da criança.


Le manque d'attention
Lors d'une grossesse, les yeux sont généralement rivés vers la future maman et son ventre. La couvade est, en quelque sorte, un moyen d'attirer l'attention. Le futur papa a besoin d'être revalorisé, de trouver sa place au sein de cette maternité. Quelque part, il aimerait lui aussi connaître cette sensation de porter un enfant sans que cela soit possible. Il montre donc son vécu par le mimétisme.


Témoignages de papas : j'ai vécu une couvade
Stéphane, papa de Léa (2 ans) et de Marion (6 mois)
« Pour la première grossesse vécue avec ma femme, il s'agissait d'un accident. Nous ne projetions pas d'avoir un enfant tout de suite, alors je me suis senti pris au piège. Cela explique certainement que j'ai ressenti tout au long de la grossesse une immense fatigue et pris pas moins de six kilos en tout ! Pour notre deuxième enfant, cette fois j'étais prêt, et pourtant, les trois derniers mois, j'ai été pris de nausées et de diarrhées chroniques. »

Daniel, papa de Léo (3 mois)
« Au moment de l'annonce de la grossesse, j'ai commencé à souffrir de douleurs dorsales accompagnées de troubles digestifs. J'ai été quasiment alité pendant deux semaines. Pendant cette période, j'ai déclaré à ma copine que j'étais frustré de ne pas connaître les sensations de porter un enfant. À partir du moment où j'en ai parlé, les symptômes se sont tus. »

Alain, papa de Manon (6 mois)
« Alors moi, la grossesse, ça a été du n'importe quoi. J'arrivais à manger des framboises, des bananes, du guacamole avec des chips, avant de me faire une tartine de pâte à tartiner… J'avais tout simplement des envies incompréhensibles et impossibles à réfréner. Un jour, j'ai même demandé à ma femme en me tordant de douleurs sur le lit d'aller m'acheter une part de couscous. J'ai honte, elle était à 8 mois de grossesse ! »

À lire
"Papa débutant : le guide que tous les jeunes pères attendaient", Benoît Le Goëdec, éd. First.



FONTE: http://www.tendance-sante.fr/

De plus en plus souvent, l’implication est tellement forte que dès la naissance du premier enfant, le père referme la porte de sa jeunesse, tous les espaces "masculins" qu'il avait réussi à préserver même pendant sa vie de couple, disparaissent... l'homme impliqué dans la vie au quotidien avec bébé, n'a plus le temps de voir ses copains, de pratiquer un sport, d'assouvir sa passion.
Et beaucoup d'hommes en souffrent en secret.
La conséquence se traduit en chiffres par une augmentation des séparations des couples peu après la naissance du premier enfant.
Il est ainsi capital que l’homme tout en s’investissant dans son rôle de père, parvienne à conserver son identité propre, ses loisirs… un homme ne peut sur le long terme aller contre sa nature, s'il a besoin de s'évader un peu de temps à autres, la venue d'un enfant ne doit pas mettre définitivement un terme à cela. Il en va de l'équilibre du couple et de sa pérennité.

FONTE: http://www.bebemonamour.com/

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

AS FEMINISTAS QUE ME PERDOEM, MAS VIM AO MUNDO PARA PARIR!

"As feministas que me perdoem, mas vim ao mundo para parir."
(Paloma Duarte)

in http://www.ronaud.com


Ora aqui está alguém que, tal como eu, se assume.
Alguém que não pretende tomar a posição do homem, nem imitá-lo.
Soubesse o homem pensar igual.

Tal como na Natureza, cabe à mulher parir e cuidar dos filhos.
O papel do pai é outro, o que não significa que seja menos importante.

Para se ser igualmente importante não tem que se estar igualmente presente (o mesmo número de horas ou de dias) ou fazer as mesmas coisas que o outro.

O filho busca o pai no momento em que este se torna mais importante (o que não significa que a mãe deixou de o ser).

POrque mais do que buscarmos os nossos filhos, devemos deixar que eles nos busquem. Um dos pais não deve forçar essa busca, nem o outro impedi-la.

Não vale a pena forçar a nossa natureza a sermos aquilo que não somos.
Se uma mãe não é um pai, um pai não pode ser uma mãe.

Se dizeis que há um tempo em que o filho é mais da mãe, e um outro em que ele é mais do pai, então respeitai esse tempo, e a vontade do vosso filho.

Não adianta forçar a criança a fazer aquilo que nós queremos.
É nosso dever respeitar as suas necessidades, não lhe impondo as nossas.

Homens e mulheres nada mais têm a provar, parece-me.
Só lhes falta SER. Essa é parte mais complicada...

Seremos nós capazes de nos assumirmos, e de nos respeitarmos?
Ou será que preferimos aniquilarmo-nos, aniquilando os nossos filhos?

domingo, 2 de janeiro de 2011

DAR DUAS BOFETADAS À EX-MULHER NÃO É VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Esta notícia, soube-a eu a partir de um blog que estou a seguir.
Quem quiser pode conferi-lo em
http://parafusovadio.blogspot.com
(chamo a atenção para o terceiro comentário, em particular)


'Dar duas bofetadas na ex-mulher não é violência doméstica'
7 de Dezembro, 2010

O Tribunal da Relação de Coimbra indeferiu o recurso interposto pelo Ministério Público para condenar por violência doméstica um homem que deu duas bofetadas na mulher com quem vivera maritalmente durante 14 anos, em Buarcos, Figueira da Foz.
Na primeira instância, o homem, engenheiro electrónico, foi condenado pelo crime de ofensa à integridade simples, na pena de 140 dias de multa, à razão diária de 7 euros, e ainda no pagamento à ex-mulher, professora na Universidade de Aveiro, da quantia de 500 euros a título de danos não patrimoniais.

O Ministério Público (MP) recorreu, pedindo a condenação pelo crime de violência doméstica, que é punível com uma pena entre um e cinco anos de prisão, subindo o limite mínimo para dois anos se os factos se registarem no domicílio da vítima.

As penas podem ainda subir até aos oito anos se dos maus tratos resultar ofensa à integridade física grave ou até dez se deles resultar a morte.

No entanto, a Relação indeferiu o recurso, alegando que, pelos factos provados, não se evidenciou que o arguido tivesse procurado agredir a ex-mulher «perante terceiros, de forma a sujeitá-la a vexame e humilhação pública».

«A conduta do arguido não se afigura, só por si, suficiente para representar a afectação do bem jurídico protegido pela norma que incrimina a violência doméstica, não consubstanciando uma ofensa à dignidade da pessoa humana, que coloque a ofendida numa situação humanamente degradante», segundo o acórdão.

Os factos remontam a 22 de Julho de 2009, quando o arguido foi à casa da ex-mulher para levar a filha de ambos para passar férias com uma tia em Itália, como havia sido combinado pelos dois.

Na altura, gerou-se uma discussão entre ambos e, quando a mulher subia as escadas do prédio onde mora, o arguido abeirou-se dela e desferiu-lhe duas bofetadas na cara, uma agressão presenciada por uma pessoa que ali passava.

Segundo o tribunal, o arguido agiu sempre de forma livre e voluntária, com «plena consciência de que não lhe era permitido atingir a integridade física da mãe dos seus filhos, submetendo-a a violência física».

No entanto, o tribunal considerou tratar-se apenas de um crime de ofensa à integridade física simples, uma vez que o comportamento do arguido não foi reiterado e a agressão em causa «não revela uma intensidade, ao nível do desvalor, da acção e do resultado, que seja suficiente para lesar o bem jurídico protegido - mediante ofensa da saúde psíquica, emocional ou moral, de modo incompatível com a dignidade da pessoa humana».

Segundo o Código Penal, como lembra o MP no seu recurso, incorre num crime de violência doméstica «quem, de modo reiterado ou não, infligir maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais, ao cônjuge ou ex-cônjuge, a pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação».

Lusa / SOL

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DO MITO AO INCONSTESTÁVEL!

"Durantes vários séculos de nossa história, a função dada às nossas mulheres foi a de dona do lar, obediente ao marido e responsável pelo cuidado dos filhos. Segundo Novais e Sevcenko (1998), essa forma de educar nasceu de uma crença que a natureza feminina dotava de uma predisposição biológica pra as funções da vida do lar que consistia em casar, gerar filhos para a pátria e plasmar o caráter dos cidadãos de amanhã. Concordando com os autores, Coelho (1995) afirma que “Ser mulher é ser mãe, ser mulher é ser amada por um homem, este é o modelo da nossa cultura judaico-cristã”.
Dessa forma, a mulher nunca pôde, em definitivo, entrar no mercado de trabalho, realizar tarefas fora do lar ou comandar as despesas da família. Tudo fora de casa estava delegado ao homem. Assim, se ao marido cabia prover a manutenção da família, à mulher restava a identidade social como esposa e mãe, como afirmam Novais e Sevcenko (1998).
O papel secundário dado à mulher durante séculos proporcionou-a encontrar formas de superação diante dessa anulação dentro da sociedade. Inventar novas formas de vestir e de se comportar, foram caminhos encontrados pelo ser feminino de se auto afirmar e de participar da vida social de maneira mais relevante e visível.
Assim, Freud (1933) destaca as três saídas ao ser feminino: “Inibição da Sexualidade”, onde sentindo-se diminuída, abdica da sua sexualidade e entra no caminho da neurose, o que ele chama de impotência psíquica; “Complexo de Masculinidade”, onde a mulher espera conseguir
um pênis para si e se coloca de uma maneira semelhante ao homem imitando seus gestos e gostos; “Desenvolvimento Normal”, no qual as perdas da infância abrem caminhos para a identificação feminina, ou seja, a maternidade. Coelho (1995) resume as teorias de Freud de forma bem simplificada afirmando que existem três saídas para ela (a mulher): desistir da sexualidade, desejar um pênis para si, ou se vestir com a feminilidade... e com isto conseguindo entrar no meio social."

FONTE: http://fido.palermo.edu/servicios_dyc








Quando Freud divulgou as suas teorias, tendo por base o mito de Édipo e outros mitos, estava-se então no "loucos anos 20". Anos marcados pela guerra, pela crise económica e pela emancipação da mulher.

Sendo o psicanalista de origem judaica, onde ainda hoje predomina o patriarcado, não me parece que tenha aceitado muito bem esta busca da mulher em se identificar com o homem, aquilo a que ele chama de "complexo de masculinização". A mulher, aos seus olhos, toma uma imagem "neurótica", por vezes "histérica". Não admira, tendo em conta a opressão que ainda vivia, não esquecendo a TPM, que, na altura não seria, assim o creio,muito bem compreendida. Atrevo-me a dizer que seria mesmo ignorada.


Sendo um especialista da psique humana, Freud pareceu ignorar os muitos anos em que a vontade da mulher foi escrava da vontade do homem. Insiste em dizer que a mulher, no seu inconsciente, se sentiria castrada, e teria inveja do falo do homem, quando na verdade a mulher apenas sentia inveja da posição que o homem ocupava, uma posição a que ela, por ter nascido mulher, não podia aceder. Evidentemente que , para tal, teria de abdicar da sua sexualidade. Teria de se transformar em homem. Eis, então, que ela tenta adquirir os mesmos direitos e os mesmos hábitos que este.


O grande psicanalista, querendo reforçar a sua ideia, afirma que a mulher busca na maternidade a recompensa pelo membro que inveja, mas não pode ter. Ora, como vimos no texto acima, e é sabido por todos, a maternidade era, até então, a única forma de a mulher se fazer reconhecer pela sociedade. Não se trata, pois, da busca de uma recompensa. Trata-se daquilo que lhe é permitido. Tão somente.

Não me parece que em grupos sociais onde a mulher é respeitada tal como ela é, tendo mesmo um papel superior, se encontre uma que seja que inveje o falo do homem e procure na maternidade aquilo que lhe falta. Não tem razões para isso. Já aí se pode ver a diferença.

Cabe, assim, concluir que, pela história da mulher ao longo dos tempos, e pelo pouco que se conhecia da sua fisiologia e da sua psique, se construiu o mito da mulher que busca no filho a extensão do corpo que lhe falta, o falo.


O que Freud não compreendeu, outros o podem fazer, desmistificando a imagem da mãe fusional, que receia perder o membro que conquistou (o filho).


Contudo, nem mesmo ele pôde negar o incontestável:

"Há muito mais continuidade entre a vida intra-uterina e a primeira infância do que a impressionante cesura do ato do nascimento nos permite saber"

(FREUD, 1926).



Fonte: http://www.webartigos.com/articles/37182/1/PSIQUISMO-FETAL-CONSIDERACOES-SOBRE-A-INFLUENCIA-DAS-EMOCOES-DA-MAE-NO-DESENVOLVIMENTO-DO-FETO/pagina1.html#ixzz17KMnEf3z


Nota: entenda-se a "cesura" pelo momento em que se corta o cordão umbilical, no acto do nascimento. Quer isto dizer que o vínculo mãe-filho permanece por toda a vida.



Muitos especialistas relatam que os seus pacientes, por vezes, adoptam uma atitude fetal. Significa que a vivência intra-uterina e da primeira infância é marcada, essencialmente, pela mãe. E é ela -isso também eles não negam- quem faz o pai, através do seu discurso e das suas atitudes. Se o pai é aceite pela mãe, então ele também será aceite pelo filho. Porque este, nos seus primeiros tempos de existência, só vê pelos olhos da sua mãe.

Ela é o seu mundo, o seu primeiro amor.
Deles, e delas também.

Assim, mesmo que a mulher, numa altura da vida, se volte para o pai (num reconhecimento do seu oposto, que lhe servirá de modelo na busca de um companheiro, à semelhança do que acontece com o rapaz em relação à sua progenitora), o seu primeiro amor terá sido a mãe.

E como eu vos disse há dias, num outro post, o primeiro amor nunca se esquece. Acompanha-nos pela vida fora.

Se a inveja do falo é um mito,
o Vínculo Materno permanece incontestável.



Deixo-te estas duas petições:

- MAIS CUIDADOS MATERNOS, POR UM FUTURO MELHOR! em http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1300

- PELA SALVAGUARDA DOS DIREITOS NATURAIS DE UMA MÃE! em
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N575


Lê, e assina.


Post-Scriptum - Venho eu a confirmar hoje, dia 7 de Dezembro, aquilo que eu havia dito aqui ontem. Garanto-vos que desconhecia que outros haviam já feito a mesma crítica. Prova de que não sou apenas eu a dizer certos "disparates".



"Uma das mais severas críticas sofridas pelo método psicanalítico foi feita pelo filósofo da ciência Karl Popper. Segundo ele, a psicanálise é pseudociência, pois uma teoria seria científica apenas se pudesse ser falseável pelos fatos.

Um exemplo é a teoria freudiana do "Complexo de Édipo". Freud afirmava que esse complexo era universal, mas com que base de dados chegou a essa conclusão? Na época da formulação da psicanálise, a sua "amostra" era bastante limitada; parte dela vinha de sua experiência subjetiva (a sua "auto-análise" precedendo a publicação de A Interpretação dos Sonhos) e da sua prática clínica, feita na maioria das vezes com pacientes burgueses de uma Áustria vitoriana. Ou seja: uma amostra retirada de contextos bem específicos e que não podem fundamentar a universalidade pretendida pelo autor."

FONTE: Wikipédia

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LEI DA GUARDA COMPARTILHADA, UM MÉTODO DE CONTRÔLE DE NATALIDADE 100% EFICAZ!

Se eu vos disser que a lei da guarda compartilhada é igual a LEI DA MULHER ESPARTILHADA (que usa um espartilho, sendo que aqui nos referimos às várias formas que se encontrou para espartilhar, isto é, alienar a vontade da mulher e dos filhos), quem de vós está, ainda assim, diposta a ter filhos?

A nós, que temos o dom de procriar e de amar, a terrível decisão.
Nestes tempos, ter ou não ter filhos não é mais uma questão.
Diante de tais leis, não ter filhos é a solução.

Conclui-se, pelos muitos casos que se conhece -particularmente os casos de falsas denúncias de alienação tomadas como verdadeiras e de verdadeiras denúncias de abuso sexual tomadas como falsas- que a lei da guarda compartilhada e a lei que pune a alienação (quem irá punir aqueles que andam a pressionar as suas ex-mulheres, inclusive com ameaças?!) não incentiva a mulher a gerar e a dar à luz novas crianças. Antes a demove.

Li algures um comentário de um pai que dizia que esta lei iria fazer a mulher pensar duas vezes antes de dizer ou fazer algo. Um outro pai, ao conseguir a guarda, virou-se para a sua ex-mulher, mãe das crianças, e disse-lhe "agora vê lá como te comportas, ou ficas sem ver os teus filhos!" E, para cúmulo dos cúmulos, houve mesmo um senhor que chegou ao ponto de dizer que nós, mulheres, mereciamos o período e tudo o que de mal nos acontecesse. Afinal, eles mesmo o dizem, nós somos mesmo autênticas "bruxas", e temos que pagar o mal que fizemos.

Por estas e por outras, penso que esta lei fará qualquer mulher pensar duas vezes antes de ter um filho, pois espera-se dela um TOTAL espírito de sacrifício (primeiro os outros, ela depois) e de abnegação.
Melhor dizendo, total obediência.


100% eficaz!
A menos que aceiteis o papel de barrigas de aluguer, que não sois.


Fostes, noutros tempos.
Os tempos são outros.

Na verdade, este método é tão eficaz que um dia o Homem deixará de existir.
Adeus Humanidade.
Missão cumprida.

Parabenizo a(s) mente(s) brilhante(s) que inventou este novo método.
Não me lembraria de coisa igual.

Nota: Eu não falo de cor, nem salteado.
Aconselho a leitura do meu post EM NOME DOS FILHOS OU "O RETORNO DA LEI DO PAI", onde podereis ler a entrevista feita a Martin Dufresne, ex-militante do movimento dos pais separados, até à altura em que se deu conta de que o que de facto move a maioria é o PODER, der por onde der. Não vai a bem, vai a mal.

E dizem, ainda, que eu sou radical.
A ver vamos. Se ainda houver cá alguém para ver.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MULHERES VÍTIMAS DE ALIENAÇÃO: AS QUE SOFREM TODO O TIPO DE VIOLÊNCIA E AS QUE SÃO OBRIGADAS A AGIR CONFORME A VONTADE DO(S) OUTRO(S)!

Um dos temas de destaque nos jornais noticiosos tem sido a Violência Doméstica, sendo que a mulher tem sido a principal vítima. Os números são estrondosos, apesar de estarem longe dos números reais (não são contabilizados os "acidentes" nem os suicídios).

Põe-se agora a questão: uma mulher violentada, física e psicologicamente, vê-se privada do direito à dignidade e à vontade própria. Não será ela, então, vítima de uma constante alienação?

O mesmo se passa com aquelas que se vêem impedidas de escolher um outro lugar para viver. Em nome dos direitos dos filhos e do pai, perdem todo e qualquer direito. São igualmente vítimas de alienação, pois que são constrangidas à vontade de outros. É-lhe aplicado o chamado direito positivo (até que ponto?)

Ora parece-me que há outras formas de fazer valer os direitos das crianças e dos homens, sem inibir a mulher dos seus próprios direitos.

Um assunto que eu aqui vos deixo hoje para reflexão, com a ajuda de alguns textos:



DROIT POSITIF

Sujet : Le droit est-il synonyme de contrainte ?



droit : a° Un droit: liberté d'accomplir une action (droit de vote); possibilité d'y prétendre ou de l'exiger (droit au travail, droit de grève). b° Le droit: ce qui est légitime ou légal, ce qui devrait être, opposé au fait, ce qui est. c° Ce qui est permis par des règles non écrites (droit naturel) ou par des règles dûment codifiées (droit positif). Le droit positif est l'ensemble des règles qui régissent les rapports entre les hommes dans une société donnée. Le droit naturel est l'ensemble des prérogatives que tout homme est en droit de revendiquer, du fait même de son appartenance à l'espèce humaine (droit au respect).
contrainte : Force ou coercition extérieure qui empêche l'action volontaire. Ne pas confondre avec obligation, qui émane de la volonté.



• Le droit positif est fait pour être appliqué et ne serait qu'une illusion s'il ne s'accompagnait pas de l'obligation de le respecter. Le droit positif étant en effet normatif au sein d'une société, il s'accompagne de la contrainte. Si un individu ne remplit pas le contrat - implicite ou explicite - qui le lie à l'ensemble de la société, celle-ci peut être amenée à prendre à son égard un certain nombre de sanctions.

• Le droit positif repose donc sur le droit de punir, droit qui n'est lui-même efficace que s'il autorise à contraindre absolument. Cette répression, lorsqu'elle n'est pas un simple acte subjectif et contingent de représailles, comme la vengeance, permet la réconciliation de la loi avec elle-même ; car, par la suppression du crime ou du délit, la loi se rétablit elle-même et retrouve sa validité.

• D'un point de vue subjectif, la répression permet aussi, comme le note Hegel, la réconciliation du fautif avec la loi, qu'il connaît et dont il reconnaît la validité pour lui et pour sa protection. En punissant le coupable, on le réintègre dans la société, on le « force à être libre », suivant la formule de Rousseau.

FONTE: http://www.devoir-de-philosophie.com/dissertation-droit-synonyme-contrainte-114582.html





VIOLENCE



La violence est-elle synonyme d'aliénation ?


violence : Du latin violentia, "abus de la force". A l'origine, le terme désigne le fait "d'agir sur quelqu'un ou de le faire agir contre sa volonté, en employant la force ou l'intimidation.
aliénation : Pour Marx, processus par lequel les hommes, asservis à un travail qui leur est imposé de l'extérieur, se retrouvent coupés de leur liberté et d'eux-mêmes. Le travailleur est aliéné lorsqu'il est dépossédé de ce qui le constitue au profit d'un autre qui l'asservit.

Un synonyme désigne une expression équivalente à une autre. La violence désigne l'usage de la force physique . L'aliénation est le fait de recevoir sa loi d'un autre que soi par opposition à l'autonomie qui consiste précisément à se donner soi-même sa loi. Ainsi l'aliénation désignerait l'état dans lequel un homme perd la liberté de son vouloir pour être contraint par un autre que lui . S'il semble évident que la victime de la violence est aliénée puisque sa volonté et son corps doivent subir la contrainte d'une autre volonté, il est paradoxal de penser l'agent de la violence comme aliéné, c'est-à-dire dépossédé de sa liberté. Comment user de violence pourrait-il équivaloir à être dépossédé de soi par une loi extérieure à sa volonté ? Dans la mesure où l'homme est essentiellement un être de raison, l'usage de la violence trahirait dans l'individu qui s'y livre une perte momentanée ou définitive de la raison qui lui permet de se donner à lui-même sa loi. En ce sens on pourrait soutenir que la violence est synonyme d'aliénation. Néanmoins tous les actes de la violence ne semblent pas pouvoir être pensés comme une perte de la rationalité. S'il y a une rationalité de la violence, alors la violence n'est pas toujours le symptôme d'une aliénation. En ce sens elle ne pourrait être tenue pour une expression équivalente de l'aliénation. Si la violence peut-être une compétence, c'est qu'elle n'est certainement pas synonyme d'aliénation. Si l'aliénation est une perte de soi, à quelles conditions la violence peut-être pensée comme une donnée positive dans le processus d'autonomisation ?

FONTE: http://www.devoir-de-philosophie.com/dissertation-violence-synonyme-alienation-109922.html




LA NATURE DE L'HOMME

L'homme est-il un être naturel ou culturel ? Aperçu du corrigé : L'homme est-il un être naturel ou culturel ?



homme : Le plus évolué des êtres vivants, appartenant à la famille des homini­dés et à l'espèce Homo sapiens (« homme sage »). Traditionnellement défini comme « animal doué de raison », l'homme est aussi, selon Aristote, un « animal politique ». Ce serait en effet pour qu'il puisse s'entendre avec ses semblables sur le bon, l'utile et le juste que la nature l'aurait pourvu du langage.
être : Du latin esse, « être ». 1) Verbe : exister, se trouver là. En logique, copule exprimant la relation qui unit le prédicat au sujet (exemple : l'homme est mortel). 2) Nom : ce qui est, l'étant. 3) Le fait d'être (par opposition à ce qui est, l'étant). 4) Ce qu'est une chose, son essence (exemple : l'être de l'homme). 5) Avec une majuscule (l'Être), l'être absolu, l'être parfait, Dieu.
culture : En anthropologie, la culture désigne l'ensemble des croyances, connaissances, rites et comportements d'une société donnée. Certains réservent le terme de culture aux productions non matérielles d'une société, préférant parler de civilisation à propos des productions matérielles.



L’opposition entre le naturel et le culturel semble convenu. On oppose souvent l’homme culturel, façonné par la civilisation ou corrompu par elle, aliénant ainsi sa première nature, à l’homme naturel, un être presque pur, vivant selon les règles de la nature et en harmonie avec celle-ci. L’homme naturel serait la fiction du « bon sauvage ». Cependant quelles sont les réalités de ces deux êtres ? Y a-t-il lieu de les opposer ou au contraire de ne voir ici que deux fictions qui seraient des types ? Cette opposition a-t-elle seulement un sens ? C’est bien là l’enjeu de toute la question. En effet, l’homme est un animal vivant appartenant au règle de la nature. En ce sens, la nature constitue sa première nature. Mais peut-on penser l’homme en dehors de toute culture ? Cela semble impossible, si bien que l’on peut dire de la culture qu’elle est la seconde nature de l’homme, à supposer qu’une telle chronologie soit possible. Moins qu’une opposition, il y a complémentarité, on ne peut pas penser un homme hors de toute culture non plus qu’un homme ayant aliénant la totalité de la nature en lui.

FONTE: http://www.devoir-de-philosophie.com/dissertation-homme-etre-naturel-culturel-2001.html



Violência doméstica
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Violência doméstica é a violência, explícita ou velada, literalmente praticada dentro de casa ou no âmbito familiar, entre indivíduos unidos por parentesco civil (marido e mulher, sogra, padrasto) ou parentesco natural pai, mãe, filhos, irmãos etc.[1] Inclui diversas práticas, como a violência e o abuso sexual contra as crianças, maus-tratos contra idosos, e violência contra a mulher e contra o homem geralmente nos processos de separação litigiosa além da violência sexual contra o parceiro.

Pode ser dividida em violência física — quando envolve agressão directa, contra pessoas queridas do agredido ou destruição de objectos e pertences do mesmo (patrimonial); violência psicológica — quando envolve agressão verbal, ameaças, gestos e posturas agressivas, jurídicamente produzindo danos morais; e violência sócio-económica, quando envolve o controle da vida social da vítima ou de seus recursos económicos. Também alguns consideram violência doméstica o abandono e a negligência quanto a crianças, parceiros ou idosos. Enquadradas na tipologia proposta por Dahlberg; Krug, [2] na categoria interpessoais, subdividindo-se quanto a natureza Física, Sexual, Psicológica ou de Privação e abandono. Afetando ainda a vida doméstica pode-se incluir da categoria autodirigida o comportamento suicída especialmente o suicídio ampliado (associado ao homicídio de familiares) e de comportamentos de auto-abuso especialmente se consideramos o contexto de causalidade. É mais frequente o uso do termo "violência doméstica" para indicar a violência contra parceiros, contra a esposa, contra o marido e filhos. A expressão substitui outras como "violência contra a mulher". Também existem as expressões "violência no relacionamento", "violência conjugal" e "violência intra-familiar".

Note que o poder num relacionamento envolve geralmente a percepção mútua e expectativas de reação de ambas as partes calcada nos preconceitos e/ou experiências vividas. Uma pessoa pode se considerar como subjugada no relacionamento, enquanto que um observador menos envolvido pode discordar disso.


(Foto de mulher no hospital depois que o marido dela a espancou)


Muitos casos de violência doméstica encontram-se associados ao consumo de álcool e drogas, pois seu consumo pode tornar a pessoa mais irritável e agressiva especialmente nas crises de abstinência. Nesses casos o agressor pode apresentar inclusive um comportamento absolutamente normal e até mesmo "amável" enquanto sóbrio, o que pode dificultar a decisão da parceiro em denunciá-lo.




Violência e as doenças transmissíveis são as principais causas de morte prematura na humanidade desde tempos imemoriais, com os avanços da medicina, disponibilidade de água potável e melhorias da urbanização a redução das doenças infecciosas e parasitárias, tem voltado o foco da saúde pública para a ocorrência da violência. Contudo como observa Minayo e Souza [3] este é um fenômeno que requer a colaboração interdisciplinar e ação multiprofissional, sem invalidar o papel da epidemiologia para o dimensionamento e compreensão do problema alerta para os riscos de reducionismo e necessidade de uma ação pública.

Estatisticamente a violência contra a mulher é muito maior do que a contra o homem. Um estudo realizado em São Paulo [4] encontrou-se quanto à relação autor-vítima, que 1.496 (81,1%) agressões ocorreram entre casais, 213 (11,6%) entre pais/responsáveis e filhos, e 135 (7,3%) entre outros familiares. Esse mesmo estudo referindo-se acerca dos motivos da agressão, os chamados “desentendimentos domésticos” que se referem às discussões ligadas à convivência entre vítima e agressor (educação dos filhos; limpeza e organização da casa; divergência quanto à distribuição das tarefas domésticas) prevaleceram em todos os grupos, fato compreensível se for considerado que o lar foi o local de maior ocorrência das agressões. Para muitos autores, são os fatos corriqueiros e banais os responsáveis pela conversão de agressividade em agressão. Complementa ainda que o sentimento de posse do homem em relação à mulher e filhos, bem como a impunidade, são fatores que generalizam a violência.

Há quem afirme que em geral os homens que batem nas mulheres o fazem entre quatro paredes, para que não sejam vistos por parentes, amigos, familiares e colegas do trabalho. A cultura popular tanto propõe a proteção das mulheres (em mulher não se bate nem com uma flor) como estimula a agressão contra as mulheres (mulher gosta de apanhar) chegando a aceitar o homicídio destas em casos de adultério, em defesa da honra. Outra suposição é que a maioria dos casos de violência doméstica são classes financeiras mais baixas, a classe média e a alta também tem casos, mas as mulheres denunciam menos por vergonha e medo de se exporem e a sua família. Segundo Dias [5] o fenômeno ocorre em todas as classes porém mais visíveis entre os indivíduos com fracos recursos econômicos.

A violência praticada contra o homem também existe, mas o homem tende a esconder mais por vergonha. Pode ter como agente tanto a própria mulher quanto parentes ou amigos, convencidos a espancar ou humilhar o companheiro. Também existem casos em que o homem é pego de surpresa, por exemplo, enquanto dorme. Analisando os denominados crimes passionais a partir de notícias publicadas em jornais Noronha e Daltro [6]identificaram que estes representam 8,7% dos crimes noticiados e que destes 68% (51/75) o agressor era do sexo masculino (companheiro, ex-companheiro, noivo ou namorado) nos crimes ondea mulher é a agressora ressalta-se a circunstância de ser o resultado de uma série de agressões onde a mesma foi vítima.



Gênero
É impossível discutir a violência doméstica sem discutir os papéis de género, e se eles têm ou não têm impacto nessa violência. Algumas vezes a discussão de género pode encobrir qualquer outro tópico, em razão do grau de emoção que lhe é inerente.

Quando as mulheres passaram a reclamar por seus direitos, maior atenção passou a ser dada com relação à violência doméstica, e hoje o movimento feminista tem como uma de suas principais metas a luta para eliminar esse tipo de violência. O primeiro abrigo para mulheres violentadas foi fundado por Erin Pizzey (1939), nas proximidades de Londres, Inglaterra. Isso aconteceu na década de 1960. Pizzey fez certas críticas a linhas do movimento feminista, afirmando que a violência doméstica nada tinha a ver com o patriarcado, sendo praticada contra vítimas vulneráveis independentemente do sexo...

Estratégias de controle
Como resposta imediata, além do atendimento adequado à vítimas de violência tanto nos aspectos físicos como psicossociais, urge reconhecer a demanda nos termos epidemiológicos que se apresenta. Com essa intenção vem se estabelecendo no Brasil. O sistema de notificação de notificação/investigação individual da violência doméstica, sexual e/ou outras violências através das secretarias estaduais e municipais de saúde após promulgação da lei nº 10778, de 24 de novembro de 2003 que estabeleceu a notificação compulsória, no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos ou privados.

Além das dificuldades de produzir informações fidedignas da amplitude desses agravos face a natureza burocrática dos sistemas de informação e cultura de omitir tais agravos vergonha ou descrédito nas instituições públicas por parte das vítimas a complexidade do aparelho de Estado ou setores da administração publica onde se insere essa assistência resulta tanto na assistência inadequada a estas como no controle social do fenômeno violência ou seja a prevenção destas ocorrências e punição do agressores.

Para se ter uma ideia da complexidade do fenômeno basta examinarmos a dimensão da rede de instituições envolvidas as Unidades de Saúde do SUS (Pronto Atendimento, Setores de Emergência e da Assistência Hospitalar; Serviços de Saúde Mental) o CRAS Centro de Referência de Assistência Social do SUAS – (Sistema Único de Assistência Social); o Ministério Público, o Conselho Tutelar, o órgão responsável em fiscalizar se os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Conselho Municipal do Menor e da Criança que administra o Fundo para Infância e Adolescência, a Secretarias de governo (Secretarias de Ação Social, da Mulher, etc), Delegacia da Mulher, Vara de Família e Juizado de Menores etc. A noção rede de serviços propõem a integração dessas instituições contudo as modificações institucionais envolvem determinações de natureza política e cultural ainda inteiramente compreendidas ou controláveis.

Ver também
Agressão
Abuso infantil
Machismo
Mulher na história
Feminismo / Livros feministas
Violência contra a mulher
Lei Maria da Penha / Divórcio
Epidemiologia da violência


Referências
↑ Cavalcanti, Stela V. S. F. Violência doméstica contra a mulher no Brasil.Ba, Podium, 2007
↑ Dahlberg, L.L., Krug, E.G. Violência: um problema global de saúde pública. Ciênc. saúde coletiva vol.11 suppl.0 Rio de Janeiro 2006
↑ Minayo, M. C. de S.; Souza, E. R. de. Violência e saúde como um campo interdisciplinar e de ação coletiva. História, Ciências, Saúde— Manguinhos, IV(3): 513-531, nov. 1997-fev. 1998. disponível em pdf
↑ DOSSI, A.P.; SALIBA O.; GARBIN, C.A. S.; GARBIN, A. J.I. Perfi l epidemiológico da violência física intrafamiliar: agressões denunciadas em um município do Estado de São Paulo, Brasil, entre 2001 e 2005. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24(8):1939-1952, ago, 2008 disponível em pdf
↑ Dias, Isabel. Exclusão social e violência doméstica, que relação? Comunicação apresentada no I Congresso português de sociologia econômica realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1998 disponível em pdf
↑ NORONHA, C.V.; DALTRO M.E. A Violência Masculina é Dirigida para Eva ou Maria. Cad. Saúde Pública vol.7 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 1991 disponível em pdf
[editar] Ligações externas
Delegacias de proteção à mulher - Instituto São Paulo contra a violência
Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde
Instituto Patricia Galvão
informações para mães que deixaram um relacionamento abusivo
Laboratório de Análise e Prevenção da Violência
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
Artigos e dicas para quem sofre com a violência doméstica
Rede Social Lei Maria da Penha


FONTE: Wikipédia



MULHER-OBJECTO


Kathy Myers, uma investigadora norteamericana que, baseada nas teorias feministas se dedica ao estudo da mulher na publicidade, justifica no texto “Reading images of women’s bodies in advertising and pornography” (1995, 267) a redução da mulher à condição de objecto pela publicidade. Para a autora, esta condição pode ser entendida por duas vias:

-na acepção marxista de fetichismo, segundo a qual as mulheres tornaram-se
mercadorias por via da alienação praticada pelo homem. Para a autora, este estatuto de mercadoria contraria a individualidade e humanidade feminina;

-no conceito freudiano de fetichismo sexual, segundo o qual, certas partes anatómicas da mulher são utilizadas como símbolos e substitutos do “falo”. De acordo com esta argumentação, o homem ao ter “dificuldade” em lidar com a sexualidade feminina, face à “ansiedade” que lhe provoca a “castração” da mulher, fetichisa ou atribui um valor sexual a certas partes do corpo da mulher: pernas, pés, cabelos; ou a determinados objectos usados pelas mulheres: botas, luvas, etc.

Etxebarria e Puente também reconhecem esta dupla fetichisação da mulher na imagem publicitária: «foram ali colocadas como objectos de exibição e objectos de desejo» (2002, 112). As autoras espanholas vão ao ponto de afirmar que os publicitários recorrem a certas imagens da mulher, a certas poses e expressões com o objectivo, mesmo que implícito, de dar a entender ao destinatário masculino que a posse daquele produto, entretanto promovido com a ajuda daquela mulher naquela encenação, elevará, perante os outros, o seu estatuto económico, social ou profissional7.


Quer o sentido “marxista”, quer o “freudiano” de fetichismo sexual aqui aplicados por Myers vão de encontro à nossa leitura acerca da “objectização” do corpo da mulher na publicidade.

FONTE: http://www.bocc.ubi.pt/pag/verissimo-jorge-mulher-objecto-publicidade.pdf




Muito a propósito, eis a saída de um senhor perante um juíz (isto é verdadeiro!):

COMME MA MAISON

-Oui, monsieur le juge, je frappe ma femme! Et, après tout, j'en ai le droit! Ma femme.c'est comme ma maison, elle m'appartient! Et, je vais vous dire, je ne c'est pas laquelle des deux m'a coûté le plus cher.


Pois, só falta hipotecá-la, ou mesmo vendê-la...
(Há quem o tenha feito).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

QUÃO DISTANTE ESTAMOS, AFINAL, DO REINO ANIMAL? (CONSIDERAÇÕES SOBRE O DISCURSO NATURAL DE UNS)

Elizabeth Badinter, e outros que tais, afirmam que a maternidade é um mito. Não existe, assim o dizem, isso do instinto e do amor materno. Aparentemente só entre os animais.

Em contrapartida, a mesma ideologia valoriza o instinto e o amor paterno: ao contrário do que se observa na natureza, o macho humano sabe cuidar das crias tão bem como a fêmea humana, alguns até melhor.

Neste ponto, todos se esforçam por fazer uma clara distinção entre os humanos e os restantes mamíferos. Rejeitam todo e qualquer discurso naturalista, venha ele de onde vier.

Já em matéria de sexo, nada os impede de procurar exemplos na natureza, quer para demonstrar a total liberdade e as diferentes formas por que nos expressamos sexualmente (já nos compararam aos bonobos, com quem nós partilhamos quase a totalidade do nosso ADN, sendo que esta espécie vive como uma sociedade matriarcal, o que me faz pensar que, nos nossos primórdios, o mesmo aconteceria com a nossa espécie), quer para provar que também aí existem relações homossexuais.

Não vou estar aqui a comentar os hábitos sexuais dos nossos primos primatas, mas, no que toca a homossexualidade, julgo que, à excepção desta espécie, tal só acontece na generalidade com os machos.

Ora, como nós sabemos, entre os mamíferos e mesmo outras espécies, costuma haver um macho alfa, sendo que só ele pode acasalar com as fêmeas. O que resta aos restantes machos, senão acasalarem uns com os outros?

Uma outra razão é não haver fêmeas suficientes, pelo que não resta outra alternativa aos machos que ficam de fora. Estou errada?

Outra coisa que me deixa com os cabelos em franja é isso de os pais, esses mesmos que me criticam por eu me identificar a qualquer outra fêmea, se compararem às aves e aos peixes, para provarem que a presença do progenitor é essencial, sendo que, em alguns casos, é ele e não a fêmea quem garante os cuidados da prole.

Já aqui o disse, e volto a repetir: EU NÃO PONHO OVOS!!!!
Tanto quanto sei, nenhuma fêmea humana o faz.

Os casos que nos apresentam em que o macho ajuda a fêmea são sempre (ou quase de forma exclusiva) de espécies ovíperas -não há os 9 MESES de gestação, nem o período de amamentação-, em que as crias, que são várias, dependem de ambos os progenitores, sendo que o objectivo, aqui, é garantir a sobrevivência do máximo número de crias.

No caso em que é o progenitor a cuidar da prole, o objectivo é essencialmente o da perduração da espécie, sendo que a fêmea fica de imediato pronta para voltar a reproduzir.

Entre os primatas só há um ou dois casos (poucos mais haverá) em que o progenitor tem praticamente a mesma função que a progenitora, que é o caso, por exemplo, dos Saguïs, uma espécie que tem habitualmente duas crias por gestação.

Visto que passam quase todo o período nas árvores, é normal que a fêmea não possa transportar duas crias oa mesmo tempo, ou pelo menos não o tempo todo.

Ainda assim, nos casos de espécies ovíperas que conhecemos, uma galinha ou uma pata consegue cuidar, ela só, das crias. É costume vê-las(as crias) em fila, atrás da progenitora.

Se alguma vez também foram em fila atrás do progenitor, desconheço. Será, talvez, o caso da Ema e de uma ou outra espécie, mas ainda assim serão casos raros, e respondem, como eu referi, ao apelo da reprodução, pois que só a fêmea pode pôr ovos e, para tal, tem de estar livre para uma nova cópula.

Quanto às aves que voam, são quase sempre as progenitoras a mostrar às suas crias como se faz. Vá-se lá saber porquê.

Os pais costumam dizer que entre nós e os animais vai um grande passo, pois entre os humanos já não é só o pai que trabalha, e a mãe, estando fora de casa, tem, evidentemente, menos disponibilidade para cuidar dos filhos.

A esses, eu pergunto: e no reino animal, quem vai à caça? Então não é a leoa quem traz o alimento para toda a família, sendo ela também a ensinar as suas crias? A não ser que me engane...

O leão caça, mas regra geral é a leoa. É por isso que eu digo que o leão pode até ser considerado o Rei, mas a verdadeira Rainha é a leoa. Ele impôe respeito pelo aspecto, ela pela atitude.

Cuidado com uma leoa que tenha crias para alimentar! Aliás, cuidado com qualquer fêmea que encontremos pelo caminho, e que tenha crias para proteger e para alimentar! São elas que nós devemos realmente temer, não os machos.

E claro, até podem existir as famílias recompostas entre os animais, sejam eles ovíperos ou não, mas nunca se viu uma cria saltar de um ninho para o outro, ou de uma toca para a outra.

Isto é uma chamada de atenção para os que se afirmam como anti-naturalistas, recusando o discurso de quem não vê qualquer diferença para além da nossa superioridade intelecual. Esses insistem em dizer que o Homem nada tem a ver com os animais, e que temos já XXI séculos de avanço.

Contudo, ei-los que, vira e volta, também eles recorrem a factos da natureza, deixando de fora a interpretação dos mesmos e alguns outros aspectos (pois que lhes convém).

Se a natureza está para uns, então está para todos. Exijo, pois, que não se negue mais aquilo que é evidente, e que ajamos conforme a nossa natureza. A mãe humana não fica atrás de nehuma outra mãe. Ponto final.

Os senhores não aceitam que eu me compare a outras progenitoras, mas se,em matéria de sexo, eu me comportar como uma bonobo, aí tudo tudo bem!

Ainda assim, pelo que sei, as fêmeas bonobos não descuram o cuidado com as crias. E ali quem manda são elas. Ça vous va, messieurs?

Não é a sociedade que me vai dizer que eu não tenho qualquer instinto e que o amor não está presente desde o primeiro momento da gravidez. Tenho isso, e muito mais. A sociedade pensa que me impedirá de acreditar nisso, mas está enganada.

Não sou perfeita e, sim, o Amor cresce com o tempo. Mas isso não significa que não tenha as mesmas qualidades que encontramos nas outras progenitoras. Perfeitas ou não, ninguém ousa -nem mesmo o próprio progenitor- retirar-lhes as crias.



--------------------------------------------------------------------------

Lê e assina esta petição:

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N575

--------------------------------------------------------------------------



TROUXE-VOS ALGUNS FACTOS DA NATUREZA, SÓ PARA COMPARAÇÃO:


-A MAMÃ GIRAFA (QUALQUER SEMELHANÇA É PURA COINCIDÊNCIA!)

Enquanto uma fêmea cuida das várias crias, as outras podem afastar-se um pouco mais, para se alimentarem. Mesmo assim, as crias raramente são abandonadas sozinhas. As mamães ausentes regressam antes do escurecer para amamentar o filhote e protegê-lo durante a noite. Abaixo, foto by John White.



Após o desmame, as fêmeas permanecem dentro do território materno, enquanto os machos o abandonam, formando grupos separados. Organizados em uma hierarquia clara de dominância, esses grupos formados só por machos vagarão dentro de outros territórios, à procura de fêmeas no cio.

Apesar de serem desmamadas com cerca de um ano de idade e se tornarem independentes aos 16 meses, os laços maternos perduram até mais de 22 meses.

FONTE: http://www.girafamania.com.br/girafas/bebe.html


- MAMÃ ORCA


Cuidando das crias


Para evitar consanguinidade, geralmente as orcas acasalam com animais de outros bandos. Para tal, na época de acasalamento, juntam-se dois ou mais bandos, formando um " super bando" temporário. Após um período de gestação de quase um ano e meio , nasce uma cria , geralmente com cerca de 2.4m de comprimento e 180 Kg de peso. A cria é amamentada até aos 18 meses permancecendo junto da progenitora. Ao nadar, o efeito de deslocação da água ajuda a empurrar a cria, permintindo-lhe acompanhar o ritmo do bando. Por vezes, as fêmeas mais antigas cuidam das crias das outras orcas. A cria e a progenitora criam laços para toda a vid. Quando chega a vez da nova geração se reproduzir, as sua crias permanecem também junto do bando, formando assim grupos multi-gerações em redor da matriarca.


FONTE: http://sabermais.netseg.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=44&Itemid=51

-MAMÃ LEOA (E PAPÁ LEÃO)

Leão jovem
Os leões jovens são ferozes e atacam o homem sem nenhuma provocação, pois estão acometidos de uma crise de agressividade. Mas são rapidamente capturados por caçadores. Os que não são capturados, logo adquirem hábitos mais calmos quando termina a adolescência.


Fiel até morrer
Aos dois ou três meses de idade, o leão chega a plenitude de sua força. No vigor da juventude é agressivo, ágil e feroz. Dedica-se com crueldade aos prazeres da caça. Mas um dia, é chamado pelo amor. Torna-se melancólico. Rebanhos de antílopes e zebras passam pela sua frente e ele não se perturba. Pode até conviver algum tempo com eles, em boa paz. Nesse momento tudo o que lhe interessa, é encontrar a leoa de seus sonhos... Procura-a em toda parte, até que finalmente a encontra. Passeia em sua frente, exibi-lhe a bela juba recém-crescida, seu orgulho.

Depois que acasalam, nenhuma outra leoa o atrai - é fiel até o fim da vida. Mesmo que sua esposa morra ou seja capturada, o leão não procura outra. A leoa viúva ou separada, fica solitária até morrer.

Leoa
É a leoa quem governa a família (muito corajosa e decidida). Quando várias famílias estão no mesmo local, as leoninas revezam nos cuidados com os filhotes. São elas que caçam para a família, enquanto o leão protege. O leão é o primeiro a comer a presa. A leoa é um belo animal de corpo esbelto, movimentos ágeis e músculos fortes. Seu pelo é curto, marrom, rosado ou bege uniforme. O passo é lento e seguro; o olhar altivo e penetrante. Com sua força, é capaz de quebrar a coluna vertebral de uma zebra e tem todas as qualidades necessárias para ensinar os filhotes a caçar.

Filhote

A gestação dura de 102 a 113 dias. Ao dar à luz, dois ou três filhotes, a leoa procura um matagal. O leão nasce e tem aparência de um gato adulto e, nas primeiras semanas, tudo o que faz é mamar e dormir. Com dois meses, já caminha rapidamente e emite sons semelhantes a miados. Aos seis meses, abandona o leite materno e durante esse tempo o pai é excluído do lar e fica de sentinela nas proximidades. Enquanto a mãe cuida de sua família. Aos oito meses, os leões já acompanham a mãe na caçada, mas ficam só olhando. Após algum tempo, são submetidos a um teste, e pouco a pouco vão dominando a técnica de caçar. Com um ano de vida, os leões tem o tamanho de um cachorro grande. Com dois anos já se protegem do perigo e se sustentam sozinhos. A leoa deixa-o e vai criar nova ninhada.

FONTE: http://www.webciencia.com/14_leao.htm


-MAMÃ CHIMPANZÉ

Os chimpanzés adultos podem medir até 1,30 m (fêmeas) e 1,60 m (machos), e os adultos pesam entre 40 e 70 kg, mas possuem uma força muito superior à humana. Seus corpos são cobertos por uma pelagem grossa de cor marrom-escuro, com exceção do rosto, dedos, palmas da mão e plantas do pé. Tanto seus polegares quanto o dedo grande do pés são oponíveis, o que permite que segurem objetos com facilidade. A gestação do chimpanzé dura oito meses. Os filhotes são desmamados com aproximadamente três anos de idade, mas geralmente mantêm uma relação próxima com sua mãe por vários anos a mais. A puberdade é alcançada com a idade de oito a dez anos e sua duração de vida é de cinquenta anos em cativeiro.

FONTE: Wikipédia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

LICENÇA DE PATERNIDADE

Houve um tempo -e, por certo, tal ainda ocorre em algumas tribos, e em alguns lugares- em que não se felicitava a mulher grávida, mas o futuro pai. Por altura do parto, este contorcia-se de dores (?!), como se estivesse de facto a parir. No dia seguinte, a mulher levantava-se, mas o homem permanecia deitado, para receber os parabéns.

Hoje, em pleno século XXI, não estamos muito longe de voltar a este tempo! Já nem é tão raro assim ver uma mulher retomar o trabalho bem cedo, demasiado até, cedendo o seu lugar ao homem.

E não é assim tão raro ver um pai ficar com a guarda dos filhos, sejam estes pequenos ou não, por "mérito". Alegam ter melhores condições e um melhor perfil para cuidar dos filhos do que a mãe.

Tudo isto em nome de uma IGUALDADE que nem sequer existe! Como se a paternidade fosse a mesma coisa que a maternidade. Pelo jeito que anda a coisa, parece até que a paternidade vale bem mais do que a maternidade. Ou melhor, o que vale é a paternidade, pois a maternidade é um mito.

Ao que nós chegamos, meu Deus!!! Só falta o homem engravidar de facto (dizem que sim, que o homem também está grávido), e ir para a PATERNIDADE dar à luz!

PARABÉNS!

sábado, 13 de novembro de 2010

DO MATRIARCADO AO PATRIARCADO!

Na sequência do que tenho vindo a falar, eis que me pus a pensar. Será que sempre predominou o patriarcado? Será que, em alguma altura, estivemos mais próximos da nossa verdadeira natureza? Será que já estivemos mais próximos da verdade?


Eis o que diz um dos textos que eu encontrei:


Idade Média

Ciências Humanas e suas Tecnologias.


Do matriarcado ao patriarcado

Reprodução


Adão e Eva, de Albrecht Dürer. Nascida da costela de Adão, a mulher aparece na Bíblia sem nenhum poder.

"No princípio era a Mãe. O verbo veio depois". A frase da pensadora feminista norte-americana Marilyn French refere-se à passagem da cultura matriarcal para a patriarcal. O nascimento da agricultura e a definição dos territórios tribais levou ao acirramento das disputas e das guerras. As concentrações humanas cresceram organizadas em torno da produção de alimentos e das lideranças guerreiras que lhes davam proteção. Essa mudança levou à queda das deusas e à criação dos deuses – fortes, guerreiros, conquistadores. A saga de Conan, levada para o cinema, nos dá uma idéia de como eram esses tempos. Os textos bíblicos também lembram essa época: a mulher obedece e serve. É mãe, cortesã ou prostituta e não tem poder político. Nas sociedades ocidentais, os deuses acabam dando lugar a um só deus, matriz das três principais correntes religiosas do mundo atual: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. A mulher passa para um segundo plano.



Segundo a Bíblia, Deus criou a Terra e todos os seres que nela habitam. Também fez Adão, à sua imagem e semelhança. Da costela de Adão, fez Eva. Em outras palavras: o primeiro homem deu à luz a primeira mulher. O que antigamente era a função sagrada do feminino passa a ser do masculino. A mulher, de criadora, torna-se criatura.


Também achei interessante este texto:


Mutações da sexualidade feminina – Uma introdução ao matriarcado


Por Géssica Hellmann

Abordar, de forma introdutória, a história da sexualidade, do comportamento humano, das relações de gênero, nos primórdios da humanidade, é o meu objetivo no presente artigo. Estudar o matriarcado é conhecer a história feminina, uma história que pode mudar a visão de como as mulheres se vêem e como a sociedade as projeta.


Como eu me vejo por Géssica Hellmann

Sanz (2007), em sua extensa pesquisa sobre os escritos de Bachofen, afirma que ele foi o grande iniciador dos estudos sobre as origens do matriarcado, da “cultura ginecocrática” na antiguidade. Pensador e investigador do século XIX, docente colega de Nietzsche, Bachofen distinguiu três momentos importantes na constituição do período matriarcal no passado grego e sua passagem para o patriarcado:

- Primeiro estágio: Dominado pela deusa Afrodite, a vida se encontrava então em plena de símbolos do feminino e da natureza. O direito natural que prevalece aqui é o da fecundidade. Da terra, sua capacidade criadora. A terra é a grande mãe.

- Segundo estágio: Predomina o culto à deusa Deméter, na qual o feminino aceita a mediação do matrimônio num plano social e na agricultura como uma forma essencial, contudo, em unidade com a natureza.

- Terceiro estágio: Triunfo de Apolo, o deus-sol. Aqui inicia-se o predomínio masculino e o desprezo ao feminino, produzindo-se, assim, a passagem do sistema matriarcal para o patriarcal. A sociedade patriarcal privilegia o racional, a individualidade, a guerra, a autoridade, a dominação.

Segundo a autora, Bachofen “converte” sua investigação em uma antropologia histórica das representações simbólicas que configuram a memória coletiva de um povo e, em ultima instância, sua identidade.

Seguindo a linha dos antropólogos evolucionistas, Morgan defendeu, ao estudar as tribos dos Iroqueses, a visão de que as relações de parentesco eram matrilineares. Afirmou também que, na sucessão para a filiação patrilinear, depois do aparecimento da propriedade, o parentesco passou a ser constituído por um homem, considerado o antepassado comum, pelos seus filhos, pelos filhos dos seus descendentes masculinos e assim sucessivamente. (Morgan, 1976)

Na opinião de Götner-Abendroth (2007), o trabalho de Bachofen situa-se no campo da história das culturas e encontra-se em paralelo perfeito com o trabalho de Morgan no campo da antropologia/etnologia. Mas a crítica avaliou muito diferentemente o trabalho desses estudiosos: Morgan foi considerado o pai da etonologia/antropologia; já a Bachofen, não foi-lhe dada a devida importância.

Segundo a autora a razão é simples: “se fosse feito um exame minucioso de seu trabalho, isso causaria o começo da ruína da visão patriarcal, da ideologia e do mundo. Marca o início do desenvolvimento de um novo paradigma da história humana: por isso é tão “perigoso” estudá-lo adequadamente”.

Götner-Abendroth (2007) afirma que, por mais importante que tenham sido – e o foram realmente – os primeiros textos sobre o matriarcado, foram escritos por homens que viviam e estavam completamente inseridos em uma sociedade machista e patriarcal. O trabalho da autora, assim como de outros contemporâneos, procura revisar o conhecimento sobre a estrutura do matriarcado numa visão menos preconceituosa.

Para Bachofen, as sociedades humanas, em seus primórdios eram, seguramente, sociedades matriarcais. “As mulheres”, assegurou, “dominavam o mundo de então” (Existiu, 2007).

Götner-Abendroth (2007) discorda do termo “dominar”, ela reformula o próprio siginificado do termo matriarcado: “Nós não somos obrigadas a seguir a noção machista do termo matriarcado significando: dominação pelas mães”. A autora afirma que a palavra grega “arché” tem um duplo sentido, significa tanto “começo” quanto “dominação”. A definição mais precisa de matriarcado seria então: “as mães do princípio”, enquanto o patriarcado, por outro lado, seria traduzido corretamente como “domínio dos pais”. Segundo a autora, a redefinição do termo matriarcado tem relevância política, pois ele não evita discussão com colegas profissionais e com a audiência interessada.

Como a sociedade matriarcal era estruturada, social, cultural e economicamente? Götner-Abendroth (2007), em suas pesquisas, procura responder a essas questões:

- No nível econômico, são sociedades em sua maioria agrícolas. As tecnologias agrícolas desenvolvidas vão desde simples jardinagem (horta) à uma agricultura completa com arado (no começo do Neolítico) e, finalmente, aos sistemas de grandes irrigações das primeiras culturas urbanas as mais adiantadas. Os bens não são acumulados por uma pessoa ou por um grupo específico, a sociedade é igualitária e não-acumulativa. Cada vantagem ou desvantagem a respeito da aquisição dos bens é mediada por regras sociais. Por exemplo, nos festivais da cidade, os clãs mais ricos são obrigados convidar todos os habitantes. Organizam o banquete, no qual distribuem sua riqueza para ganhar a honra.

- No nível social, o parentesco é matrilinear, no qual todos os títulos sociais e políticos são transmitidos através da linhagem materna. Este tipo de matri-clã consiste pelo menos em três gerações das mulheres – a clã-mãe, suas filhas, seus netas – e os homens diretamente relacionados – os irmãos da mãe, de seus filhos e de netos. As mulheres vivem permanentemente e nunca saem da casa do clã de sua mãe, quando se casam. A isso se chama matrilocalidade. As mulheres têm o poder de controlar as fontes nutrição: campos e alimento. Os clãs são auto-suficientes e se relacionam com outros clãs através da união do casamento. Esse casamento não é uma união individual, mas uma união comunal que conduz ao matrimônio comunal. Por exemplo, os homens novos da casa do clã A são casados à casa do clã nova B das mulheres, e os homens novos da casa de clã B são casados às mulheres novas na casa de clã A. Isto é chamado uma união mútua entre dois clãs em uma aldeia matriarcal. Os homens jovens, que saíram das casa de suas mães após seu casamento, não têm que ir muito longe. Realmente, ao anoitecer vão à casa vizinha, onde suas esposas vivem, e voltam muito cedo – no alvorecer. Os homens matriarcais nunca consideram os filhos de sua esposa como seus, porque não compartilham de seu nome de clã. A paternidade biológica não é conhecida, nem a ela se dá atenção. Os homens matriarcais cuidam de seus sobrinhos e sobrinhas num tipo de paternidade social. Mesmo o processo de tomada de decisão política é organizado ao longo das linhas do parentesco matriarcal. Os delegados de cada casa de clã encontram-se com no conselho da aldeia, onde todos os assuntos são discutidos. Estes delegados podem ser as mulheres mais velhas dos clãs (as matriarcas), ou os irmãos e os filhos que escolheram para representar o clã. Nenhuma decisão a respeito da aldeia pode ser feita exame sem o consenso de todas as casas de clãs. Um fato importante: os delegados, que estão discutindo a matéria, não são aqueles que tomam a decisão, os delegados possuem a função simplesmente de porta-vozes.

Pessoas que vivem em uma determinada região tomam decisões na mesma maneira: os delegados de todas as vilas encontram-se com para trocar as decisões de suas comunidades. Em contraste aos erros etnológicos freqüentes feitos sobre estes homens, elas não são os “chefes” pois não depende deles a decisão. A decisão é tomada em nível regional, um consenso entre todas as casas de clãs. Conseqüentemente, do ponto de vista político, as sociedades matriarcais são sociedades igualitárias ou sociedades do consenso. Exatamente neste sentido, estariam livres de dominação, desprovidas de uma classe de dominadores e uma classe excluída, isto é, não possuem os aparelhos repressivos necessários para estabelecer a dominação.

- No nível cultural, é preciso esclarecer que não são sociedades caracterizadas por “cultos à fertilidade”, mas que desenvolveram complexos sistemas religiosos. O fator comum seria crença no renascimento, não como a idéia abstrata da transmigração de almas, mas em um sentido muito concreto: todos os membros de um clã sabem que, após a morte, vão renascer – por uma das mulheres de seu próprio clã, em sua própria casa de clã, em sua aldeia natal. As mulheres em sociedades matriarcais são grandemente respeitadas, porque elas garantem o renascimento. Assim como na natureza, cada planta, resseca no outono e renasce na próxima primavera, a terra é a grande mãe que concede o renascimento e a nutrição a todos os seres. No cosmos e na terra, os povos matriarcais observam este ciclo da vida, da morte e do renascimento. De acordo com o princípio matriarcal da conexão entre o macro-cosmo e o micro-cosmo, vêem o mesmo ciclo na vida humana. A existência humana não seria diferente dos ciclos da natureza, mas seguiria as mesmas regras. Da perspectiva matriarcal, a vida traria a morte e a morte traria a vida, cada coisa em seu próprio tempo. Da mesma maneira, a fêmea e o macho também seriam uma polaridade cósmica. Nunca ocorreria a um povo matriarcal considerar o outro sexo como mais fraco ou inferior ao outro, como é comum em sociedades patriarcais.

“O grande mérito destas obras, publicadas nas décadas de 1870 e 1880, foi a constatação de que a família tinha história e que, ao longo dos séculos, tinha conhecido várias formas. A família monogâmico-patriarcal era apenas uma delas. Conclusão: o poder masculino e a submissão da mulher não eram eternos, como diziam as religiões e as pseudociências racistas e sexistas da época” (Buonicori, 2007).

Segundo Buonicori (2007), Engels afirmaria que a monogamia teria sido fundada sob a dominação do homem com o fim expresso de procriar filhos duma paternidade incontestável, na qualidade de herdeiros diretos. Mas somente ao homem, garantido pelos costumes, é concedido o direito da infidelidade conjugal, já a mulher infiel é punida severamente pela sociedade.

Em outras palavras, podemos afirmar que, com a monogamia, instituiu-se a prostituição e o adultério. A mulher é condenada caso não aceite a condição monogâmica, enquanto o homem pode carregar uma “leve mancha moral” mas, ainda assim, é aceitável, até nos dias de hoje, principalmente pelas próprias mulheres, que o homem se relacione com prostitutas.

Pensamos agora na neurose coletiva, que tanto abordamos nos últimos artigos, ou nos indivíduos normopatas, como diz Gaiarsa, ou nos Zés ninguéns, como prefere Reich. Ao reprimir a sexualidade, ao criar esta idéia do “sexo frágil”, da “inferioridade feminina”, defendida durante séculos por estudiosos do comportamento humano e da sexualidade, ao negar o feminino proclamando um único Deus masculino, ao negar a sexualidade sadia de Cristo, ao tornar Maria um ser assexuado – ao fazer tudo isso, a quem estamos agredindo, a não ser a nós mesmos? O que tanto tememos? A liberdade? A felicidade?

Com o advento da sociedade patriarcal, com o casamento monogâmico, criamos o quê? Guerras, genocídios, a negação do prazer e da felicidade. Por isso considero importantíssimo um mergulho no passado, em nossos ancestrais mais longínquos: a sociedade matriarcal. É preciso entender o a estrutura, esse processo de transformação: da sociedade matriarcal para a patriarcal e todas as suas conseqüências.

Bibliografia:

Buonicori, Augusto C. Engels e as origens da opressão da mulher. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/070/70esp_buonicore.htm. Acessado em 10/08/2007.
Existiu o matriarcado? Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/matriarcado4.htm. Acessado em 10/08/2007.
Götner-Abendroth, Heide. Matriarchal society: definition and theory. Disponivel em: http://www.hagia.de/documents/position.pdf Acessado em: 01/07/2007
Morgan. Lewis H. A sociedade primitiva. Volume I, 2 ed, Editorial Presença Lisboa Portugal, Martins Fontes Brasil, 1976.
Sanz, Marta Silvia Dios. El matriarcado. Disponível em: http://www.temakel.com/texmitmatriarcado.htm. Acessado em 10/08/2007.


E como é, no Reino Animal?


/ ciência e saúde / Comportamento animalCELULAR RSS O Portal de Notícias da Globo

15/08/07 - 20h06 - Atualizado em 15/08/07 - 20h06


Fêmeas dominam machos entre mamíferos
Eles tentam impressioná-las com as regras que elas estabelecem.
Machos são capazes de abandonar seus grupos, se for para satisfazê-las.

Um estudo de pesquisadores do Reino Unido e da Alemanha demonstrou que os mamíferos machos tentam impressionar as fêmeas seguindo as regras que elas próprias estipulam para selecionar seus companheiros.



Os cientistas destacam, em artigo da revista científica britânica "Nature", que os machos tentam seguir sistematicamente as ordens de suas companheiras. Eles seriam até mesmo capazes de abandonar seus clãs, se acharem que, com isto, podem agradar as fêmeas e conseguir se reproduzir.



De acordo com os pesquisadores, a regra entre as fêmeas mamíferas é evitar os machos que eram membros de seu grupo quando elas nasceram, e dar preferência aos que imigraram ao seu clã ou nasceram nele depois delas.



Os cientistas explicam que este procedimento evita que as fêmeas tenham que discernir se seu pretendente é parente próximo ou não, na hora de reproduzir. O resultado, como afirma o artigo, é que os machos acabam realizando uma diáspora, saindo de seus clãs de origem e indo a outros para ter mais possibilidades de chamar a atenção das fêmeas.



Para fazer essas descobertas, os pesquisadores realizaram um estudo com dados demográficos das hienas da cratera de Ngorongoro, na Tanzânia. Os cientistas afirmam que o resultado desta pesquisa pode ser aplicado aos demais mamíferos que vivem em grupos.



"Ao todo, 11% dos machos começaram sua corrida reprodutiva em seu grupo natal, ao tempo que 89% se dispersaram", afirmam os especialistas. Eles dizem, ainda, que a maioria dos machos que seguiram as regras femininas preferiu um clã em que houvesse abundância de fêmeas jovens.



"Aqueles que começaram sua experiência reprodutiva em grupos com um maior número de fêmeas jovens tiveram um êxito reprodutivo mais durável que os que o fizeram em outros grupos", acrescentam.



Neste sentido, os pesquisadores afirmaram que as jovens hienas preferem machos recém-chegados a seus grupos em relação aos mais velhos no clã, que são os mais procurados pelas fêmeas mais velhas e que desfrutam de um melhor status.



"A hiena é um grande carnívoro que vive em grupos sociais ou clãs nos quais as fêmeas dominam socialmente os machos. Muitos machos se dispersam, enquanto poucas fêmeas o fazem", explicam os especialistas.


Entende-se, por este texto, que as regras das fêmeas não seguem o capricho destas, mas algo que elas entendem ser o melhor. Elas sabem o que fazem.

Tal como as progenitoras, em relação às crias. Elas sabem o que fazer, e quando as devolver à natureza, nem que estas tenham que ser empurradas. Tanto crias fêmeas (que costumam ficar mais tempo com a mãe) como as crias machos são exclusivamente cuidadas pela progenitora, e nunca vi nenhuma sofrer efeitos negativos na sua identidade, sendo que as fêmeas agem como fêmeas (mas não como inferiores) e os machos como machos. Nenhuma dessas crias sai, assim me parece, traumatizada pela predominância dos cuidados maternos, sendo que em muitas espécies nem sequer está presente o progenitor.





Não sou por nenhuma destas sociedades, embora eu acredite que numa sociedade matriarcal havia mais igualdade do que existe na nossa sociedade de cariz ainda patriarcal.

O que eu não acredito é numa igualdade no sentido que lhe querem dar. Pura e simplesmente porque a natureza não nos fez iguais. Mas também não nos fez a uns seres superiores e a outros seres inferiores. Apenas diferentes.

Acredito que cada um tem o seu papel, igualmente precioso. Mas isso não significa uma igualdade 50/50. Isso é impossível, e foge ao que é natural (sim, falo do natural, não do social).

Pode-se conquistar o respeito.
A igualdade, não.

Uma igualdade significa o respeito pelo outro: assim como uma mãe deve preservar a figura do pai, permitindo o contacto deste com os filhos, o pai deve entender que, por natureza, estes devem (salvo excepções, e a vontade destes) permanecer com a mãe, não sendo esta OBRIGADA a permanecer nas proximidades. Ainda que ela permaneça, alguém acaba por ser obrigado a fazê-lo, e esse alguém será o seu novo companheiro ou marido, que, por amor -ou capricho de um ex-, terá de se sacrificar.

Em nome dos filhos (do Superior Interesse destes, assim o dizem), eis então o retorno da lei do pai (ver entrevista a Martin Dufresne no meu post "EM NOME DOS FILHOS, OU O RETORNO DA LEI DO PAI").

E ainda dizem que são as mães que detêm todo o poder, que elas é que mandam e desmandam como querem...
Será mesmo assim?

No meu próximo post trago-vos um ou dois casos, que vos irá fazer pensar. Um até nada tem a ver com o outro. Mas ambos fazem pensar, e de que maneira.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"QUEM DÁ A VIDA MESMO É O HOMEM", DISSE ELE.

O homem é que dá a vida. A mulher só empresta a barriga.
Eis o que se conclui das palavras de um certo senhor. E estamos nós no século XXI!

Ora vejam:

"(...). Isto tem que acabar de vez. Não é porque a natureza disse que a mulher é quem irá gerar um filho em sua barriga que se tirará o direito do homem pelo simples fato de ñão ter sido ele quem a natureza escolheu para esta gestação, alem do mais, porque se tende a achar que porque um filho passa apenas 9 meses na barriga de uma mãe, que por isto todos os outros anos restantes de sua vida pertencerão somente a ela com maior direito ? Isto é injustiça. A mulher prover a gestação, mas uma vez fora do útero, o novo ser não precisa mais daquela "casca" que foi gerada, e nem a criança precisa ser penalizada pelo resto da vida apenas pelo fato de que a natureza é quem quis assim. Outra coisa que poucos talvez não tenham percebido. A mulher prover a gestação e cede o seu óvulo, que apenas contém o seu material genético, mas observem que quem dá a vida mesmo é o homem, pois é o espermatozóide que traz os movimentos. Observem que o óvulo não se mexe. A vida, esta troca de energia contínua que faz algo se mover, quem dar mesmo é só o homem atraves do seu espermatozóide. Este é o meu ponto de vista que deixo aqui e que faço questão de colocá-lo apenas para mostrar que a mulher não tem que se sentir com direito nenhum a mais que o pai, e ponto final. A disputa deverá ser sim, por bons comportamentos e conduta, que isto era o que a justiça deveria ver, e não somente quem pariu e cedeu a barriga apenas por 9 meses, pois já que é assim, a justiça deveria também considerar que quem dar a vida, movimento, mmesmo, é o homem e não amulher, então isto por si só se anulam estes dois fatos equilibrando-sos mutuamente. (...)"


Ora estas palavras vêm corroborar aquilo que Martin Dufresne (MD) disse em entrevista:

(...)
CST: Um dos depoimentos destacados pelos diretores do filme In Nomine Patris é o do deputado europeu Alain Lipietz, no qual ele chama atenção sobre o fato de os movimentos de pais reivindicarem seus DIREITOS sobre os filhos (e não seus DEVERES enquanto progenitores), argumentando que, no limite, trata-se de um regresso à velha condição patriarcal, centrada na noção de que os filhos ao homem pertencem. O que você acha desse argumento?

MD: As reivindicações desse tipo de movimento fazem da criança uma espécie de propriedade do pai, o que nos leva de novo à velha noção fantasmática de que embrião é uma simples extensão do pai colocada no ventre da mulher que se torna sua propriedade. Sim, essa na verdade é uma regressão quanto ao reconhecimento dos direitos das mulheres de controlarem seu próprio corpo, e poder-se-ia falar também do direito das crianças de não serem apropriadas como um bem que pertença a seu genitor. Em lugar da partilha desejada, que seria, em tese, justa, há muitos elementos de regressão essencialista e biologizante no discurso masculinista, elementos que são facilmente banalizados na psicologia popular e numa certa romantização do papel dos pais como figuras de autoridade, muito mais que de partilha eqüitativa.
(...)


Mas será que este senhor (o de cima) tem razão?
Talvez uma aulita de biologia nos venha ilucidar.

Ora cá vai então:

A reprodução é a capacidade de constituir descendência portadora de genes dos progenitores assegurando a renovação continua da espécie e a transmissão da informação genética de geração em geração.

A espécie humana, como a maior parte das espécies que existem no planeta Terra, reproduzem-se sexuadamente. Na reprodução sexuada ocorre a fecundação, com fusão de gâmetas, geralmente provenientes de dois progenitores diferentes, e formação de um ovo. Os descendentes são únicos, geneticamente diferentes entre si e dos progenitores.


Reprodução Humana

Na reprodução humana intervêm órgãos especializados que formam os sistemas reprodutores (feminino e masculino).



Sistema Reprodutor Feminino

O sistema reprodutor feminino é um conjunto de órgãos que asseguram a produção de óvulos e o desenvolvimento de embriões. Tem como funções básicas:

. Génese de gâmetas;

. Transporte dos gâmetas ao local de fecundação;

. Recepção do esperma;

. Desenvolvimento de novos seres.



Sistema Reprodutor Masculino

O sistema reprodutor masculino é constituído por órgãos que asseguram globalmente a produção de espermatozóides. Tem com funções básicas:

. Génese de espermatozóides e seu armazenamento;

. Produção de secreções que, com os espermatozóides, formam o esperma;

. Transporte e libertação de esperma;

. Copulação.

FONTE: http://www.notapositiva.com/pt/apntestbs/biologia/12_reprod_humana_man_fert.htm


Os senhores por acaso já ouviram falar em mitocôndrias? Não?
Pois eu vim a descobrir que as mitocôndrias são essenciais para a vida das células, pois que são elas que geram energia. Herdámo-las da MÃE. Muito raramente provêm do pai, sendo que mesmo nesses casos, prevalecem as mitocôndrias maternas.

Na generalidade, as paternas são eliminadas logo após a fecundação. Do espermatozóide apenas fica o seu núcleo. A mãe, para além do núcleo, fornece tudo o resto.

Na fusão de ambos os gâmetas, o masculino e o feminino, só lá ficam, portanto, as mitocôndrias maternas, o que faz com que tenhamos mais material genético provindo da mãe. Isso explica o facto de se ter encontrado a primeira mulher da raça humana, mãe de todos nós. E é por isso que cada um de nós deve, na busca pelo seu passado, seguir principalmente o rasto materno.

Quer isto dizer que o espermatozóide, uma das mais pequeninas células do corpo humano depende das mitocôndrias (que herdou da mãe) para viver e para se movimentar. Assim me parece.

Por seu turno, o óvulo, a maior célula do corpo humano, também contém em si mitocôndrias. E são elas que vão, de facto, garantir a vida da nova célula que se gera após a fecundação. O pai apenas transmite o seu material genético, que se irá juntar ao material genético da mãe.

Parece que as minhas conclusões não estão erradas!
Ora vejamos:

BIOLOGIA

QUESTÃO 1

OS ESPERMATOZÓIDES ESTÃO ENTRE AS CÉLULAS HUMANAS QUE POSSUEM MAIOR NÚMERO DE MITOCÔNDRIAS.

A) COMO SE EXPLICA A PRESENÇA DO ALTO NÚMERO DESSAS ORGANELAS NO ESPERMATOZÓIDE?

B) EXPLIQUE POR QUE, MESMO HAVENDO TANTAS MITOCÔNDRIAS NO ESPERMATOZÓIDE, DIZEMOS QUE A HERANÇA MITOCONDRIAL É MATERNA.

RESPOSTA:

A) A GRANDE QUANTIDADE DE MITOCÔNDRIAS TEM A FINALIDADE DE SUPRIR O ESPERMATOZÓIDE DA ENERGIA NECESSÁRIA PARA OS BATIMENTOS DO FLAGELO. É ATRAVÉS DOS MOVIMENTOS DO FLAGELO QUE O ESPERMATOZÓIDE SE LOCOMOVE.

B) A HERANÇA MITOCONDRIAL É MATERNA PORQUE APENAS AS MITOCÔNDRIAS PRESENTES NO ÓVULO FARÃO PARTE DA CONSTITUIÇÃO ESTRUTURAL DO ZIGOTO.
AS MITOCÔNDRIAS DO ESPERMATOZÓIDE ESTÃO LOCALIZADAS NA SUA PEÇA INTERMEDIÁRIA. DURANTE O PROCESSO DE FECUNDAÇÃO APENAS O NÚCLEO DO ESPERMATOZÓIDE PENETRA O ÓVULO.

FONTE: http://www.etapa.com.br/gabaritos/resolucao_pdf/gab_2004/01_unifesp/prova3/unifesp2004ce-b.pdf

Ora cá está: o espermatozóide não é nada sem as mitocôndrias, fonte de energia. Por seu turno, o óvulo também tem essas tais mitocôndrias.

Como as mitocôndrias do espermatozóide se perdem logo após a "fecundação", são as mitocôndrias do óvulo as responsáveis por garantir a vida dessa nova célula formada pela fusão dos núcleos de um (espermatozóide) e do outro (óvulo).

Logo, é de facto a mulher que garante e que dá a vida.
Sem quaisquer dúvidas.

Não esquecendo que as mitocôndrias vêm carregadas de material genético (o ADN mitocondrial).
Como as mitocôndrias do pai se perderam (quase garantidamente), temos nas mitocôndrias apenas o material genético da mãe.

Daí ser tão fácil identificar a primeira Eva (haveria outras mulheres no seu tempo, e mesmo antes, mas só o material genético dessa mulher chegou até nós).



Mas o trabalho da mulher não acaba aqui.

O corpo feminino segrega uma substância química (talvez as mitocôndrias, geradoras de energia,e presentes em todas as células do nosso corpo, sejam de novo responsáveis) que irá orientar os espermatozóides no seu árduo percurso.

Sem isso, e sem os batimentos da sua cauda -são as mitocôndrias que lhes dão energia para se moverem, relembro, e essas foram herdadas da mãe- os espermatozóides não chegavam lá.

Na verdade, essa substância age mais como um magnético, atraindo os espermatozóides para o óvulo.

Daí, talvez, esta piada:

Estrela - DestaquesPor que são necessários milhões de espermatozóides para fertilizar um único óvulo?
Porque os espermatozóides são masculinos e se negam a perguntar o caminho.






Frases e Mensagens - Frases Feministas




Para além disso, é a mulher que "escolhe" os espermatozóides que irão fertilizar o seu óvulo.

Significa isto que, apesar de ser o homem a determinar o sexo da criança, na verdade é a mullher quem tem 100% do contrôle.

Daí a razão (uma delas, se não a principal) de um casal só ter meninas, ou só ter meninos. Ou mesmo de ter um menino, e depois uma menina, ou vice-versa.

Foi o homem que assim quis?
Ou foi a mulher que, mesmo inconscientemente, assim decidiu?

Veja-se, por exemplo, o caso de Luis Figo e de David Bechkam: o primeiro é pai de três raparigas, o segundo de três rapazes.

Das suas uma: ou os espermatozódes XY (no caso de Luis Figo)e os XX (no caso de David Bechkam) não tiveram força para marcar, ou isto é obra das respectivas senhoras. A ver como se saem da próxima.


Portanto, quando o homem pensa que tem o contrôle da situação, na verdade é a mulher quem controla.

O que põe por terra certas expressões muito masculinas, tais como "eu comi a gaja!", já que foi o contrário.



Mas porque razão ainda prevalece a ideia de que é o homem que faz e que na mulher acontece?

Talvez por ainda prevalecerem termos como "fecundar" e "fertilizar" (que são de origem latina, e, portanto, prova de que vivia-se, então, numa sociedade patriarcal, em que se acreditava que o homem gerava um prolongamento de si na mulher, sendo dono e senhor quer desta quer da prole) e símbolos como seta para cima e cruz para baixo, que conferem ao homem um papel activo, de verdadeiro actor.

Ou pelo menos passam essa ideia, pois que ainda perdura essa crença e essa mesma atitude.

Eles, os homens, são a potência.
Eles fazem acontecer.

E nós, mulheres, meras barrigas de aluguer.
E pronto, acontece.

Ora, bem vistas as coisas, a autoria é de ambos.
Mas a mulher tem, indubitavelmente, maior participação.
Haja quem o negue.


Nove meses de gestação não são "apenas" nove meses.
SÃO NOVE MESES!

E ainda que, depois de nascer, o filho não mais precise da "casca", ele precisa, mais do que nunca, da mãe.






Entretanto, encontrei este texto muito interessante. Só lamento a tradução...


O ÓVULO E O ESPERMA: COMO A CIÊNCIA CONSTRUIU UM ROMANCE BASEADO EM PAPÉIS ESTEREOTÍPICOS MACHO - FÊMEA
Reprodução livre, em Português Brasileiro, do texto original de Emily Martin para fins de estudo, sem vantagens pecuniárias envolvidas.
Todos os direitos preservados.

Free reproduction, in Brazilian Portuguese, of Emily Martin’s original text for study purposes.
No pecuniary advantagens involved. Copyrights preserved.

Emily Martin
(tradução de Fernando Manso)
Publicação original
Martin, Emily. “The Egg and the Sperm: How Science has Constructed a Romance based on Stereotypical Male-Female Roles”.
In: KELLER, Evelyn F., e LONGINO, Helen E. (eds.). Feminism and Science. New York: Oxford University Press, 1996, p. 103-20.

A teoria do corpo humano é sempre uma parte de uma visão de mundo. A teoria do corpo humano é sempre uma parte de uma fantasia.
[James Hillmam, O mito da Análise]
Como uma antropóloga, eu me interesso pela possibilidade que a cultura molde a forma pela qual os cientistas biólogos descrevem o que eles descobrem sobre o mundo natural. Se isso for verdade, então estaremos aprendendo mais do que o mundo natural nas aulas de biologia; estaremos aprendendo sobre crenças e práticas culturais como se elas fossem parte da natureza. No curso de minha pesquisa eu verifiquei que as figuras do óvulo e do esperma desenhados nos relatos populares e científicos da biologia reprodutiva se baseia em estereótipos centrais a nossa definição cultural de macho e fêmea. Os estereótipos implicam não apenas que os processos biológicos femininos valem menos que seu correspondente masculino, mas também que as mulheres valem menos que os homens. Parte do meu objetivo em escrever este artigo é lançar uma luz nos estereótipos de gênero escondidos dentro da linguagem científica da biologia. Expostos de tal forma, eu espero que eles venham a perder muito de seu poder de nos prejudicar.

O óvulo e o esperma: Um conto de fadas científico
Num nível fundamental, todos os principais livros textos científicos descrevem os órgãos reprodutores masculino e feminino como sistemas para a produção de substâncias valiosas, tais como óvulos e esperma. No caso da mulher, o ciclo mensal é descrito como sendo projetado para produzir óvulos e preparar um local adequado para eles serem fertilizados e crescerem – tudo com a finalidade de fazer bebês. Mas o entusiasmo termina aí. Exaltando o ciclo feminino como um empreendimento produtivo, a menstruação passa a ser vista, necessariamente, como uma falha. Os textos médicos descrevem a menstruação como a “ruína” do forro uterino, o resultado de necrose, ou morte de tecido. A descrição implica que um sistema funcionou mal, fazendo produtos inúteis, fora da especificação, invendáveis, desperdiçados, sucata. Uma ilustração em um testo médico largamente utilizado mostra a menstruação como uma desintegração caótica de forma, complementando os muitos textos que a descrevem como “interrupção”, “morte”, “perda”, “privação”, “expulsão”.

A fisiologia reprodutiva masculina é avaliada de forma bem diferente. Um dos textos que vê menstruação como uma produção falha emprega um tipo de prosa apologética quando descreve a maturação do esperma: “Os mecanismos que guiam a extraordinária transformação celular do ‘spermatid’ em esperma maduro permanece incerta ... Talvez a mais fantástica característica da espermatogênese é sua enorme magnitude: o homem normal pode produzir várias centenas de milhões de espermas por dia”. No texto clássico Medical Physiology, editado por Vernon Mountcastle, a comparação macho/fêmea, produtivo/destrutivo é mais explícita: “Enquanto a fêmea verte apenas um único gameta a cada mês, os túbulos seminíferos produzem centenas de milhões de espermas a cada dia”. A autora feminina de outro texto se deslumbra com o comprimento dos microscópicos túbulos seminíferos, os quais, se desenrolados e esticados “cobririam quase um terço de uma milha!” Ela escreve, “Num adulto macho estas estruturas produzem milhões de espermas a cada dia.” Mais adiante ela pergunta, “Como este feito é conseguido?” Nenhum desses textos expressam entusiasmo tão intenso por qualquer dos processos femininos. Certamente, não é acidente que o “extraordinário” processo de fazer esperma envolve precisamente aquilo que, na visão médica, a menstruação não faz: produção de alguma coisa considerada valiosa.

Poderia ser argumentado que a menstruação e a espermatogênese não são processos análogos e, portanto, não deveria ser esperado que elas provocassem o mesmo tipo de resposta. A analogia feminina própria com a espermatogênese, biologicamente, é a ovulação. Mas a ovulação também não merece o entusiasmo nesses textos. As descrições nos livros textos enfatizam que os folículos ovarianos que contêm o gameta feminino já estão presentes no nascimento. Longe de serem produzidos, como são os espermas, eles meramente aguardam, degenerando lentamente e envelhecendo como um estoque: “No nascimento, os ovários humanos normais contêm um número estimado de um milhão de folículos (cada um), e nenhum novo folículo aparece após o nascimento. Assim em contraste acentuado com o macho, a fêmea recém nascida já tem todas as suas células germinativas. Apenas umas poucas, talvez 400, estão destinadas a atingir plena maturidade, durante sua vida produtiva ativa. Todas as outras se degeneram em algum ponto durante seu desenvolvimento, de tal forma que poucas, se alguma, permanecem ao tempo em que ela atinge a menopausa numa idade de aproximadamente 50 anos”. Note-se o “contraste acentuado” que esta descrição estabelece entre macho e fêmea: o macho, que produz continuamente células germinativas novas, e a fêmea, que estocou ao nascer células germinativas e se depara com a sua degeneração.

Nem são os órgãos femininos poupados de descrições mais intensas. Um cientista escreveu em um artigo de jornal que os ovários de uma mulher se tornam velhos e gastos pelo amadurecimento dos óvulos a cada mês, mesmo que a mulher seja ainda relativamente jovem: “Quando você olha através de um laparoscópio ... num ovário que tenha passado por centenas de ciclos, mesmo em uma fêmea americana extremamente saudável, você vê um órgão marcado e batido”

Para evitar a conotação negativa que algumas pessoas associam ao sistema reprodutor feminino, os cientistas poderiam começar a descrever os processos masculino e feminino como homólogos. Eles poderiam creditar às fêmeas a “produção” de gametas maduros um a cada vez, uma vez que eles são necessários cada mês, e descrever os machos como tendo de encarar problemas de degeneração de células germinativas. Esta degeneração ocorreria ao longo de toda a vida entre os espermatogônios, que são as células germinativas indiferenciadas nos testículos que são as duradouras e inativas precursoras do esperma.

Mas os textos tem uma insistência quase tenaz em expressar os processos femininos numa luz negativa. Os textos celebram a produção de esperma porque ele é contínuo da puberdade à velhice, enquanto eles retratam a produção de óvulos como inferior porque ela está terminada no nascimento. Isto faz a fêmea parecer improdutiva, mas alguns textos também insistem que é ela que é desperdiçadora. Num título de seção do Molecular Biology of the cell, um texto muito lido, está escrito que “A oogênese é desperdiçadora”. O texto enfatiza que de sete milhões de oogônios, ou células germinadoras do óvulo, no embrião feminino, a maioria degenera no ovário. Daquelas que sobrevivem e se tornam oócitos, ou óvulos, muitas também degeneram, de tal forma que no nascimento apenas dois milhões de óvulos permanecem no ovário. A degeneração continua ao longo de toda a vida da mulher: na puberdade permanecem 300.000 óvulos, e apenas alguns poucos estão presentes na menopausa. “durante os quarenta e poucos anos da vida reprodutiva da mulher, apenas 400 ou 500 óvulos serão liberados”, os autores escrevem. “Todo o resto terá degenerado. É ainda um mistério por que tantos óvulos são formados apenas para morrer nos ovários.”

O mistério real é por que a vasta produção de esperma masculina não é vista como um desperdício. Assumindo que um homem produza 100 milhões (108) de espermas por dia (uma estimativa conservadora) durante uma vida reprodutiva média de sessenta anos, ele produziria mais que dois trilhões de espermas em sua vida. Assumindo que um mulher “amadurece” um óvulo por mês lunar, ou treze por ano, ao longo do curso de sua vida reprodutiva de quarenta anos, ela totalizaria cinco centenas de óvulos em sua vida. Mas a palavra desperdício implica um excesso, produção em demasia. Assumindo dois ou três filhos, para cada bebê que uma mulher produz, ela desperdiça apenas por volta de 200 óvulos. Para cada bebê que um homem produz, ele desperdiça mais de um trilhão de espermas.

Como é que imagens positivas são negadas aos corpos das mulheres? Uma olhada na linguagem, neste caso a linguagem científica, fornece a primeira pista. Considere o óvulo e o esperma. É extraordinário como o óvulo se comporta “femininamente” e o esperma se comporta “masculinamente”. O óvulo é visto como grande e passivo. Ele não se move, nem viaja, mas passivamente “é transportado”, “é arrastado”, ou “desliza” pelo tubo falopiano. Em completo contraste, o esperma é pequeno, “dinâmico”, e invariavelmente ativo. Eles “entregam” seus genes ao óvulo, “ativam o programa de desenvolvimento do óvulo”, e têm uma velocidade que é freqüentemente assinalada. Suas caudas são “fortes” e eficientemente dotadas de potência. Junto com as forças da ejaculação eles podem propelir o sêmen nos mais profundos recessos da vagina. Para isso eles precisam de “energia”, “combustível”, de tal forma que com um “movimento como o de um chicote e fortes sacudidelas” eles podem furar a superfície do óvulo e penetrá-lo.

No seu extremo, o velho relacionamento entre o óvulo e o esperma assumem uma aura real ou religiosa. A superfície do óvulo, sua cobertura protetora, é algumas vezes chamada de seus “paramentos”, um termo usualmente reservado para vestimentas sagradas e religiosas. Diz-se que o óvulo tem uma “coroa” e é acompanhado de “células servidoras”. Ele é sagrado, posto de lado e acima, a rainha para o rei do esperma. O óvulo é também passivo, o que significa que ele depende do esperma para ser salvo. Gerald Schatten e Helen Schatten comparam o papel do óvulo ao da Bela Adormecida: “uma noiva adormecida aguardando o beijo mágico de seu companheiro”. O esperma, ao contrário tem uma “missão”, que é “se mover através do trato genital feminino em busca do óvulo”. Um relato popular diz que o esperma executa uma “jornada arriscada” na “escuridão ardente” onde alguns tombam “exaustos”. “Os sobreviventes” “assaltam” o óvulo, os candidatos bem sucedidos “cercando o prêmio”. Parte da urgência dessa jornada, em termos mais científicos, é devida ao fato que “uma vez liberto do ambiente protetor do ovário, um óvulo morrerá dentro de horas a menos que seja salvo por um esperma. As palavras enfatizam a fragilidade e a dependência do óvulo, muito embora o mesmo texto assinala em outra parte que o esperma também vive apenas umas poucas horas.

Em 1948, num livro extraordinário pelas suas primeiras percepções desses assuntos, Ruth Herschberger argumentou que os órgãos reprodutores femininos são vistos como biologicamente interdependentes, enquanto os órgãos masculinos são vistos como autônomos, operando independentemente e isolados:

No presente a funcionalidade é enfatizada apenas em conexão com as mulheres: é nelas que ovários, tubos, útero, e vagina têm interdependências intermináveis. No macho, a reprodução parece envolver apenas “órgãos”.

No entanto o esperma, tanto quanto o óvulo, é dependente de muitos processos relacionados. Há secreções que aliviam a urina na uretra antes da ejaculação, para proteger o esperma. Há o reflexo fechando a conexão com a bexiga, a provisão de secreções prostáticas, e vários tipos de propulsão muscular. O esperma não é mais independente do seu meio do que o óvulo, e no entanto por uma espécie de desejo, os biólogos suportam a noção de que a fêmea, a começar pelo óvulo, é congenitamente mais dependente do que o macho.

Trazendo um outro aspecto da autonomia do esperma, um artigo no periódico Cell tem o esperma tomando uma “decisão existencial” para penetrar no óvulo: “espermas são células com um repertório comportamental limitado, que é direcionado no sentido de fertilizar óvulos. Para executar a decisão de abandonar seu estado haplóide, o esperma nada para um óvulo e lá ele adquire a sua capacidade de efetuar a fusão de membrana”. Não é esta uma versão de um gerente corporativo das atividades do esperma – “executar decisões” angustiado pelas difíceis opções que envolvem altos riscos?

Há uma outra forma pela qual o esperma, apesar do seu pequeno tamanho, pode ser levado a crescer em importância com relação aos óvulos. Numa coleção de artigos científicos, uma micrografia eletrônica de um enorme óvulo e um minúsculo esperma é intitulada “Um Retrato do Esperma”. Isto é um pouco como mostrar a foto de um cachorro e chamá-la de um quadro das pulgas. Admite-se que o esperma microscópico é mais difícil de fotografar do que os óvulos, os quais são suficientemente grandes para serem vistos a olho nu. Mas certamente o uso do termo “retrato”, uma palavra associada com o poderoso e o saudável, é significante. Óvulos têm apenas micrografias ou quadros, não retratos.

Uma descrição do esperma como fraco e tímido, em vez de forte e poderoso – a única tal representação na civilização ocidental até onde eu sei – ocorre no filme de Woody Allen Tudo que você queria saber sobre saber sobre sexo mas teve medo de perguntar. Allen, fazendo o papel de um esperma apreensivo dentro dos testículos de um homem, está assustado com o orgasmo que se aproxima. Ele está relutante em se lançar no escuro, com medo dos dispositivos contraceptivos, com medo de ir parar no teto se o homem se masturba.

O quadro mais comum – o óvulo como uma jovem angustiada, protegida apenas pelas suas vestimentas sagradas; o esperma como um heróico guerreiro pronto a salvá-la – não pode ser provado que seja ditado pela biologia desses eventos. Mesmo que os “fatos” da biologia podem não ser sempre construídos em termos culturais, neste caso eu argumentaria que são. O grau de conteúdo metafórico nessas descrições, a extensão até a qual as diferenças entre o óvulo e o esperma são enfatizadas, e os paralelos entre os estereótipos culturais dos comportamentos do macho e da fêmea e o caráter do óvulo e do esperma, tudo aponta para essa conclusão.

Novas pesquisas, velhas imagens
Na medida em que novos entendimentos do óvulo e do esperma emergem, as imagens de gênero nos livros textos são revisadas. Mas as novas pesquisas, longe de escapar da representações estereotípicas do óvulo e do esperma, simplesmente replicam elementos das imagens de gênero nos livros textos numa forma diferente. A persistência dessas imagens faz lembrar daquilo que Ludwik Fleck chamou de natureza “autocontida” do pensamento científico. Segundo ele a descreve, “a interação entre o que já é sabido, o que permanece a ser aprendido, e aqueles que vão apreender, assegura harmonia dentro do sistema. Mas ao mesmo tempo eles também preservam a harmonia das ilusões, a qual é bastante segura dentro dos limites de um dado estilo de pensamento”. Nós precisamos entender a forma pela qual o conteúdo cultural em descrições científicas muda na medida em que as descobertas biológicas se desdobram, e se o conteúdo cultural está solidamente entrelaçado, ou se é facilmente alterado.

Em todos os textos referidos acima, o esperma é descrito como o que penetra no óvulo, e substâncias específicas ha cabeça do esperma são descritas como as que se ligam ao óvulo. Recentemente, esta descrição de eventos foi revista em um laboratório de biofísica na Universidade Johns Hopkins – transformando o óvulo de parte passiva para ativa.

Anteriormente a essa pesquisa, pensava-se que a zona, os paramentos internos do óvulo, formavam uma barreira impenetrável. O esperma vencia a barreira furando-a mecanicamente, batendo sua cauda e progredindo lentamente. Pesquisas posteriores mostraram que o esperma liberava enzimas digestivas que quebravam quimicamente a zona; assim os cientistas presumiam que o esperma usava meios mecânicos e químicos para entrar no óvulo.

Nesta recente investigação, os pesquisadores começaram a fazer perguntas sobre a força mecânica da cauda do esperma. (O objetivo do laboratório era desenvolver um contraceptivo que trabalhasse topicamente no esperma.) Eles descobriram, para sua grande surpresa, que a força do esperma para a frente é extremamente fraca, o que contradiz o pressuposto de que os espermas são penetradores vigorosos. Em vez de fazer força para a frente, a cabeça do esperma era agora vista se mover, a maior parte do tempo, para a frente e para trás. Os movimentos laterais da cauda do esperma faz a cabeça se mover lateralmente com uma força que é dez vezes mais forte do que seu movimento para a frente. Portanto, mesmo se a força total do esperma fosse suficiente para quebrar mecanicamente a zona, a maior parte de sua forças seria dirigida para os lados e não para a frente. Na verdade, sua tendência mais forte, dez vezes maior, é escapar tentando se libertar do óvulo. Os espermas, então, têm de ser excepcionalmente eficientes para escapar de qualquer superfície celular que eles encostem. E a superfície do óvulo precisa ser projetada para apanhar o esperma e evitar que ele escape. Caso contrário, poucos, ou mesmo nenhum, esperma alcançaria o óvulo.

Os pesquisadores da Johns Hopkins concluíram que o esperma e o óvulo se ligam por conta de moléculas adesivas que há na superfície de cada um deles. O óvulo agarra o esperma e adere a ele tão apertadamente que a cabeça do esperma é forçada a se recostar sobre a superfície da zona, um pouco como, eles me disseram, “o Coelho Br’ er ficando cada vez mais preso ao (tar baby) quanto mais se mexa”. O esperma agarrado continua a se mexer lateralmente, mas sem efeito. A força mecânica da sua cauda é tão fraca que o esperma não pode quebrar nem mesmo uma ligação química. Isto é onde os enzimas digestivos liberados pelo esperma entram em ação. Se eles começam a amolecer a zona exatamente na ponta do esperma e os lados permanecem presos, então o fraco e agitante esperma consegue se orientar na direção certa e consegue atravessar a zona – desde que suas ligações com a zona se dissolvam na medida em que ele se move.

Embora essa nova versão da saga do óvulo e do esperma fosse contra as expectativas culturais, os pesquisadores que fizeram a descoberta continuaram a escrever artigos e resumos como se o esperma fosse a parte ativa que ataca, liga, penetra, e adentra o óvulo. A única diferença era que agora o esperma era visto como se executasse essas ações fracamente. Só em agosto de 1987, mais de três anos após os achados acima descritos, que estes pesquisadores reconceituaram o processo dando ao óvulo um papel mais ativo. Eles começaram a descrever a zona como uma apanhadora agressiva de espermas, coberta com moléculas adesivas que podem capturar um esperma com uma simples ligação e mantê-lo preso na superfície da zona. Nas palavras de seu relato publicado: “O paramento mais interno, a zona pelúcida, é uma capa de glicoproteína, que captura o esperma e o prende antes que ele a penetre ... O esperma é capturado no contato inicial entre sua ponta e a zona ... Uma vez que a força (do esperma) é muito menor que a força necessária para romper uma simples ligação de afinidade, a primeira ligação feita sobre a ponta – primeiro encontro do esperma e a zona – pode resultar na captura do esperma.

Experimentos em um outro laboratório revelaram padrões similares de interpretação de dados. Gerrald Schatten e Helen Schatten mostraram que, contrariamente a sabedoria convencional, “o óvulo não é meramente uma esfera grande cheia de gema a qual o esperma fura para produzir uma nova vida. Ao contrário, pesquisa recente sugere a visão quase herética de que o esperma e o óvulo são parceiros mutuamente ativos.” Isto soa como um afastamento da visão estereotípica dos livros textos, mas lendo um pouco mais revela-se a conformidade dos Schatten com a metáfora do esperma agressivo. Eles descrevem como se dá o encontro do esperma e do óvulo: “é quando da ponta da cabeça triangular do esperma um filamento longo e fino é disparado e arpeia o óvulo”. Ficamos então sabendo que “extraordinariamente, o arpão é não somente disparado mas montado a grande velocidade, molécula por molécula, a partir de uma reserva de proteína armazenadas numa região especializada chamada acrossomo. O filamento pode crescer até 20 vezes maior que a cabeça do esperma até que sua ponta alcance e se fixe no óvulo.” Por que não chamar isso de “construir uma ponte” ou “atirar uma linha” em vez de atirar um arpão? Arpões perfuram as presas e ferem-nas ou matam-nas, enquanto este filamento apenas gruda. E por que não focar, como fez o laboratório Hopkins, no poder grudante do óvulo em vez do poder grudante do esperma? Mais adiante no artigo. Os Schattens replicam a visão da jornada perigosa do esperma pelo escuro ardente da vagina, desta vez com o objetivo de explicar sua jornada dentro do óvulo: “(o esperma) ainda tem uma árdua jornada pela frente. Ele tem de penetrar além dentro da enorme esfera do óvulo de citoplasma e de alguma forma localizar o núcleo, de forma a que os cromossomas das duas células possam de fundir. O esperma mergulha no citoplasma, sua cauda bate. Mas é logo interrompido pela súbita e rápida migração do núcleo do óvulo, que corre na direção do esperma com uma velocidade três vezes maior do que a do movimento dos cromossomas durante a divisão celular, atravessando todo o óvulo em cerca de um minuto”.

Assim como os Schatten e o biofísico da John Hopkins, outro pesquisador fez descobertas recentes que parecem apontar para uma visão mais interativa da relação entre o óvulo e o esperma. Este trabalho, que Paul Wassarman conduziu sobre espermas e óvulos de ratos, foca na identificação de moléculas específicas na cobertura do óvulo (a zona pelúcida) que são envolvidas na interação óvulo esperma. A primeira vista, suas descrições parecem se adequar ao modelo de um relacionamento igualitário. Gametas machos e fêmeos “se reconhecem” e “interações ... ocorrem entre o esperma e o óvulo.” Mas o artigo na Scientific American no qual essas descrições aparecem começa com uma vinheta que pressagia o tema principal de sua apresentação: “Há mais de um século desde que Hermann Fol, um zoólogo suíço, olhando fixamente em seu microscópio, tornou-se a primeira pessoa a ver um esperma penetrar um óvulo, fertilizá-lo e formar a primeira célula do novo embrião”. Este retrato do esperma como a parte ativa – aquele que penetra e fertiliza o óvulo e produz o primeiro embrião – não é citado como exemplo de uma visão anterior e ultrapassada. Ao contrário, o autor reitera o ponto mais adiante no artigo: “Muitos espermas podem se ligar e penetrar a zona pelúcida, ou cobertura externa, de um óvulo de rata infertilizado, mas apenas um esperma se unirá com a fina membrana de plasma que envolve o óvulo propriamente (a esfera interior), fertilizando o óvulo e produzindo um novo embrião.”

As imagens do esperma como agressor são particularmente surpreendentes neste caso: a principal descoberta sendo reportada é o isolamento de uma molécula particular na cobertura do óvulo que cumpre um papel importante na fertilização! A escolha de linguagem de Wassarman sustenta o quadro. Ele chama a molécula que foi isolada de ZP3, um “receptor de esperma”. Assim atribuindo ao óvulo o papel passivo, do que espera, Wassarman pode continuar a descrever o esperma como o ator, aquele que faz tudo acontecer: “O processo básico começa quando muitos espermas primeiro atacam livremente e então se ligam tenazmente aos receptores na superfície na espessa cobertura externa do óvulo, a zona pelúcida. Cada esperma, que tem em sua superfície um grande número de proteínas ligantes ao óvulo, se liga a muitos receptores de esperma no óvulo. Mais especificamente, um lugar em cada uma das proteínas ligantes se encaixa num lugar complementar no receptor do esperma, assim como uma chave se encaixa numa fechadura.” Com o esperma designado como a “chave” e o óvulo como a “fechadura”, é óbvio que um age e o outro sofre a ação. Não poderiam essas imagens serem invertidas, deixando o esperma (a fechadura) esperar até que o óvulo produza a chave? Ou poderíamos falar de duas metades de um encontro de encaixe, e apreciar o encontro em si como a ação que inicia a fertilização?

É como se Wassarman estivesse determinado a fazer do óvulo o parceiro receptor. Usualmente, em pesquisa biológica, as proteínas membros do par de moléculas ligantes são chamadas de receptoras, e fisicamente elas têm um bolso que se parece com uma fechadura. Como mostra o diagrama que ilustra o artigo de Wassarman, as moléculas no esperma são proteínas e têm “bolsos”. As moléculas pequenas e móveis que se encaixam nesses bolsos são chamadas “ligands”. Conforme mostrado no diagrama, ZP3 no óvulo é um polímero de “chaves”; muitas pequenas maçanetas se projetam para fora. Tipicamente, as moléculas do esperma seriam chamadas receptoras, e as moléculas do óvulo seriam chamadas “ligands”. Mas Wassarman escolheu denominar ZP3 no óvulo receptor, e criar um novo termo, “a proteína ligante ao óvulo”, para a molécula do esperma a qual, de outra forma teria sido chamada a receptora.

Wassarman credita à cobertura do óvulo mais funções do que as de um receptor de esperma. Ao mesmo tempo em que ele observa que “a zona pelúcida tem sido vista por vezes por investigadores como uma obstrução, uma barreira para o esperma e assim um impedimento a fertilização”, sua nova pesquisa revela que a cobertura do óvulo “serve como um sofisticado sistema de segurança biológica que examina os espermas que chegam, seleciona apenas aqueles compatíveis com a fertilização e desenvolvimento, prepara o esperma para a fusão com o óvulo e mais tarde protege o embrião resultante da poliespermatização (uma condição letal causada pela fusão de mais que um esperma com um único óvulo)”. Embora esta descrição dê ao óvulo um papel ativo, este papel é reduzido em termos estereotipicamente femininos. O óvulo seleciona um companheiro apropriado, prepara-o para a fusão, e então protege o filho resultante do perigo. Isto é cortejo e comportamento de uma companheira segundo os olhos de um sociobiólogo: mulher como o prêmio difícil de ser obtido, a qual em seguida a união com o escolhido, se torna mulher como servidora e mãe.

E Wassarman não para aí. Num artigo de revisão para a Science, ele resume a “cronologia da fertilização”. Próximo do final do artigo há dois títulos de seção. O primeiro é “A Penetração do Esperma”, sob o qual Wassarman descreve como a química dissolvente da zona pelúcida combina com a “substancial força propulsiva gerada pelo esperma”. O segundo título é “A Fusão Esperma – Óvulo”. Esta seção descreve o que acontece dentro da zona após o esperma “penetrá-la”. O esperma pode fazer contato, aderir, e fundir (ou seja, fertilizar) o óvulo”. A escolha de palavras de Wassarman, novamente, é surpreendentemente favorável a atividade do esperma, pois no próximo pronunciamento ele diz que o esperma perde toda a mobilidade após a fusão com a superfície do óvulo. Nos óvulos dos ratos e ouriços do mar, o esperma entra na volição do óvulo, de acordo com a descrição de Wassarman: “Uma vez fundido com a membrana do plasma do óvulo (a superfície do óvulo), como um esperma adentra o óvulo? A superfície dos óvulos tanto das ratas como dos ouriços marinhos é coberta com milhares de projeções do plasma ligadas a membrana, chamadas microvilli (minúsculos cabelos). Evidência nos ouriços do mar sugere que, após a fusão da membrana, um grupo de microvilli alongadas se agrupam apertadamente e se entrelaçam com a cabeça do esperma. Na medida em que as microvilli são sugadas, o esperma é levado para dentro do óvulo. Portanto, a mobilidade do esperma, que cessa no momento da fusão tanto na rata como no ouriço do mar, não é requerida para a entrada do esperma”. A seção chamada “A penetração do esperma” seria seguida, mais logicamente, por uma seção chamada “O óvulo envelopa” do que “A fusão esperma óvulo”. Isto daria um sentido paralelo – e mais preciso – de que tanto o óvulo quanto o esperma iniciam a ação.

Uma outra forma pela qual Wasserman reduz a atividade do óvulo é pela descrição de componentes do óvulo enquanto se refere ao esperma como uma entidade inteira. Deborah Gordon descreveu tal abordagem como “atomismo” (“a parte é independente e primordial para o todo”) e a identificou como um dos “pressupostos persistentes” da ciência e medicina ocidentais. Wassarman emprega o atomismo em seu favor. Quando ele refere a processos que ocorrem dentro do esperma, ele consistentemente retorna a descrições que nos lembram de onde essas atividades vem: elas são parte do esperma que penetra um óvulo ou gera força propulsiva. Quando ele refere a processos que ocorrem dentro do óvulo, ele para aí. Como resultado, qualquer papel ativo que ele lhes atribui parece ser atribuído a partes do óvulo, e não ao óvulo em si. Na citação acima, é o microvilli que ativamente se agrupa em torno do esperma. Num outro exemplo, “a força propulsora da absorção de um esperma fundido vem de uma região do citoplasma imediatamente abaixo de uma membrana do plasma do óvulo”

Implicações sociais: Pensando além
Todos esses três relatos revisionistas do óvulo e esperma parecem não poder escapar das imagens hierárquicas dos relatos antigos. Muito embora cada novo relato dê ao óvulo um papel maior e mais ativo, apreciados juntos eles trazem a cena um outro estereótipo cultural: a mulher como uma ameaça perigosa e agressiva. No modelo revisado do laboratório John Hopkins, o óvulo termina como a fêmea agressora que “captura e prende” o esperma com sua zona aderente, assim como uma aranha aguarda em sua teia. O laboratório dos Schatten dispõe que o núcleo do óvulo “interrompe” o mergulho do esperma com uma corrida “súbita e rápida” pela qual ele segura o esperma e guia seu núcleo para o centro. A descrição de Wassarman da superfície do óvulo “coberto por milhares de projeções do plasma ligadas a membrana, chamadas micvrovilli” que alcança e segura o esperma endossa as imagens do tipo aranha.

Essa imagens atribuem ao óvulo um papel ativo, mas ao custo de parecerem indevidamente agressivos. Imagens de mulher como perigosas e agressivas, a fêmea fatal que vitima os homens, são largamente difundidas na literatura ocidental. Mais específica é a conexão das imagens de aranha com a idéia de mãe absorvente e devoradora. Novos dados não levaram os cientistas a eliminar os estereótipos de gênero de suas descrições do óvulo e do esperma. Ao contrário, os cientistas simplesmente começaram a descrever o óvulo e o esperma em termos diferentes, mas não menos danosos.

Podemos pensar numa visão menos estereotípica? A própria biologia fornece um outro modelo que poderia ser aplicado ao óvulo e ao esperma. O modelo cibernético, com seus ciclos de realimentação, adaptação flexível a mudança, coordenação das partes dentro do todo, evolução no tempo, respostas mutáveis ao ambiente – é comum em genética, endocrinologia, e ecologia e tem uma influência crescente na medicina em geral. Este modelo tem o potencial de deslocar nossas imagens do negativo, onde o sistema reprodutivo feminino é castigado tanto por não produzir óvulos após o nascimento e por produzir (e assim desperdiçar) ovos em demasia, para algo mais positivo. O sistema reprodutivo feminino poderia ser visto como respondendo ao ambiente (gravidez ou menopausa), ajustando às mudanças mensais (menstruação), e se alterando flexivelmente de reprodutor após a puberdade a não reprodutor mais tarde na vida. As interações entre o esperma e o óvulo poderiam também ser descritas em termos cibernéticos. A pesquisa de J. F. Hartman em biologia reprodutiva demonstrou quinze anos atrás que se um óvulo é morto por ser espetado com uma agulha, o esperma vivo não pode atravessar a zona. Claramente, esta evidência mostra que o óvulo e o esperma interagem em termos mais mútuos, tornando inconveniente a recusa da biologia em retratá-los dessa forma.

Faríamos bem em estarmos conscientes, no entanto, que as imagens cibernéticas não são neutras. No passado, modelos cibernéticos cumpriram uma parte importante na imposição do controle social. Estes modelos fornecem inerentemente uma forma de pensar sobre um “campo” de componentes interativos. Uma vez que o campo pode ser visto, ele pode se tornar o objeto de novas formas de conhecimento, o que por sua vez pode permitir novas formas de controle social a serem exercidas sobre os componentes do campo. Durante os anos 50, por exemplo, a medicina começou a reconhecer o ambiente psicossocial do paciente: a família do paciente e sua psicodinâmica. Profissões tais como o serviço social começaram a focar sobre este novo ambiente, e o conhecimento resultante tornou-se um modo de controlar mais o paciente. Pacientes começaram a ser vistos não mais como corpos individuais isolados, mas como entidades psicossociais localizadas num sistema “ecológico”: a administração da “psicologia do paciente foi uma nova forma de controle do paciente.”

Os modelos que os biólogos usam para descrever seus dados podem ter importantes efeitos sociais. Durante o século dezenove as ciências sociais e naturais influenciaram fortemente uma a outra: as idéias sociais de Malthus sobre como evitar o crescimento natural do pobre inspiraram A Origem das Espécies de Darwin. Uma vez que a Origem se colocou como uma descrição do mundo natural, completa com competição e lutas de mercado, ela pode ser reimportada pela ciência social como o Darwinismo social, no objetivo de justificar a ordem social. O que estamos vendo agora é similar: a importação de idéias culturais sobre fêmeas passivas e machos heróicos pelas “personalidades” dos gametas. Isto significa “implantar imagens sociais sobre representações da natureza de forma a estabelecer uma base firma para reimportar as mesmas imagens como explicações naturais de fenômenos sociais.

Mais pesquisa nos mostraria exatamente quais efeitos sociais estão sendo trabalhados a partir das imagens biológicas do óvulo e do esperma. No mínimo, as imagens mantêm vivas alguns dos estereótipos mais antigos sobre as fracas donzelas angustiadas e seus fortes machos salvadores. Que estes estereótipos estejam agora sendo escritos ao nível da célula constitui um movimento poderoso para fazê-los parecer tão naturais que sejam imunes a alteração.

As imagens estereotípicas podem também encorajar pessoas a imaginar que o que resulta da interação entre o óvulo e o esperma – um óvulo fertilizado – é o resultado de uma ação “humana” deliberada no nível celular. Independentemente das intenções do casal humano, nesta “cultura” microscópica uma “noiva” celular (ou fêmea fatal) e um “noivo” celular (sua vítima) fazem um bebê celular. Rosalind Petchesky aponta que através de representações visuais tais como os as imagens ultrassônicas, temos acesso a “imagens de fetos cada vez mais novos e cada vez menores sendo ‘salvos’.” Isto leva ao “ponto de visibilidade ser ‘empurrado para trás’ indefinidamente”. Dotar os óvulos e espermas de ação intencional, um aspecto chave da pessoalidade em nossa cultura, estabelece as fundações para o ponto de visibilidade ser empurrado para trás até o momento da fertilização. Isto, provavelmente, levará a uma maior aceitação dos desenvolvimentos tecnológicos e a novas formas de investigação e manipulação, para o benefício dessas “pessoas” internas: restrições legais às atividades de mulheres grávidas para proteger seus fetos, cirurgia fetal, amniocentesis, e revogação dos direitos de aborto, para citar uns poucos exemplos.

Mesmo que tenhamos sucesso em substituir metáforas mais igualitárias e interativas para descrever as atividades do óvulo e do esperma, e consigamos evitar os perigos dos modelos cibernéticos, ainda estaríamos culpadas de dotar entidades celulares com pessoalidade. Mais crucial do que os tipos de personalidade que estamos outorgando às células é o próprio fato de estarmos fazendo isso. Este processo pode vir a ter conseqüências sociais profundamente danosas.

Um claro desafio feminista é acordar metáforas adormecidas nas ciências, particularmente aquelas envolvidas em descrições do óvulo e do esperma. Embora a convenção literária seja chamar tais metáforas de “mortas”, elas não estão mais mortas do que adormecidas, escondidas dentro do conteúdo científico de textos – e muito poderosas para ele. Acordar tais metáforas, tornando-nos conscientes de quando nós estamos projetando imagens culturais sobre o que estudamos, melhorará nossa capacidade de investigar e entender a natureza. Acordar tais metáforas, tornando-nos conscientes de suas implicações, as furtará de seu poder de naturalizar nossas convenções sociais sobre gênero.

RECUSO-ME A SER BARRIGA DE ALUGUER!!!!!!!!!!!!!


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

Arquivo do blogue